PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

n. 1970 -- --

Escritor, poeta e pensador niilista, sempre em busca da análise do ser jogado em meio de suas reinauradas coisas!

n. 1970-03-07, Bom Despacho

Perfil
500 014 Visualizações

FLOR DO DESERTO, VÊS COMO ME ENCONTRO?

Flor do Deserto,
vês como já há tanto tempo
me encontro?

Sabes quanto
me custa ser franco
quanto a meus sentimentos por alguém
que já passou a um leito negro
de onde jamais
retornará?

Alguns anjos me julgam
dizendo que é derespeito amar
uma defunta,

outros
vão além e dizem que com ela
ainda me masturbo,

e há os que
não me perdoam por quererem a carne
deste corpo, que nada vale perante
o sentimento que se assentou
em minha alma;

e eu fico aqui
pensando: "O que posso fazer
por alguém, uma flor tão boa para comigo,
de modo que a agrade, sem que minta
ou a engane sobre meus sentimentos
mais profundos?
Ler poema completo

Poemas

332

A IMENSIDÃO DO NADA

Sou um cão líquido,
eu reflito espelhos com a coragem
de quem não se ousa olhar
perante eles;

eu comemoro os mortos
porque eles não podem mais usar
nenhum céu ou nenhum desaguadouro
como eu,

nem criarem
mais nenhum palco, compor mais nenhum
​​​​​​​poema, ou se perderem em mais
nenhuma ilusão;

sim, eu espelho
o inferno dos vivos, com seus
abastemas e com suas vesanias tão faustas
e coloridas,

e eu comemoro
com os mortos, beijando-os
todos os dias com
minha língua!
194

DE FRENTE AO MAR

Quando dela
o fogo liberta a língua,
não há mais autocontrole
ou misericódia:

ou ela sobrepõe-me
os lábios em beijos quentes
e molhados,

ou ela me beija
e me chupa peitos, pernas
e a hígida haste,

ou, se nublada,
ela me chove com o verbo ácido
deixando-me semimorto
e alagado!
111

EU PENSEI QUE ESTÁVAMOS EM UMA AVENIDA DE MÃO DUPLA

... se dizes que
me ama, quem sou eu para
duvidar do que tu escolhes
e dizes,

mas se digo
que te amo, por que achas
que podes de mim
duvidar,

como
se eu andasse com máscaras sempre postas,
com esplêndias e falsas cores

e com um inválido
par de asas pregados no corpo,
no coração e na alma?
146

A MULHER DO PRÓXIMO

De frente de minha casa,
mora uma mulher que, toda tardinha,
senta-se na beira do passeio
da casa dela;

e eu, mais ou menos
no mesmo horário, sento-me
no passeio de minha casa de frente
para a casa dela.

Como somos ambos
casados, temos muita discrição e cuidado,
deixantudo tudo ao acaso
dos olhares;

vez em quando um sorriso,
vez em quando uma cruzada de pernas,
vez em quando um pedaço da calcinha,

vez em quando um sonho molhado,
vez em quando uma esperança que jamais
será frutificada,

vez em quando
uma escondida e excitante punheta
espumada!
136

FRUTOS DO SOL

Sob os raios
intensos do sol,

lentros,
estúpidamente enganados
e soberbos

andam os homens
com suas senciências, com seus desejos,
com seus impulsos e com suas
pseudovastidões.

Onde já se viu a real sabedoria das pedras?
qnde já se achou alguma beldade
que de fato supere a fragmentação
sapiens?

E eu aqui,
distante de tudo e preso em mim,
vendo céus figurados e planícies devastadas,
sem poder fazer absolutamente
nada!
154

FLOR DE INVERNO

... era aquela
flor, em forma angelical,

que nos distinguia
dos demais humanos, imaginando
que pudéssemos conquistar infinitos
e sublimidades sem iguais

e que, por me fazer
amá-la tanto e depois partir para a fria
e infinita hospedagem
da morte,

deixou-me sozinho
a carregar ilusões e pesos humanos
neste mundo de figuração
junto ao lamaçal!
116

A ROSA ESQUECIDA

Ela fora,
humilhantemente,
abandonada
e traída,

mas era
tão iluminada que,
mesmo em imensa
dor e saudade

- do grande amor
que a outros cantos
e a outros sonhos a vida
lhe levara -,

continuava a amá-lo,
ausente e silentemente,
com seu nobre
espírito.
170

HIATO

Eram dois,
que se diziam um
em sempiterno
amor:

ao fim,
em doloroso hiato
sobre pedras
e abismos

que se lhes formaram,
em desalinho à mente, ao coração
e à alma:

um e outro se foram
a se acharem, em si, vítimas
do enlace incauto;

um e outro se foram,
com severos julgos e açoites,
a elegerem o comparsa
como canalha.
204

MARCAS DO QUE SE FOI

Vou agora às mesmas
planícies que guardam os segredos
e as magias de minha tenra
infância perdida;

tentando deixar-me,
às costas - por exíguo destempo
possível - o desalinho das feras
sapiens.

E lá,
mesmo que caiam fortes chuvas
sobre a terra, as matas
e os arbustos,

vou ruflar as pequenas
asas azuis, libertar a indecifrável alquimia
dos sonhos pueris e permitir que minha
alma vazia se colora, libertamente,
com lápis-cera.
162

À BORDA DA EXISTÊNCIA

Vede-vos, irmãos,
os reflexos perante
o espelho,

fazei a barba
aos cuidados da lâmina,
vesti o melhor terno,
arrumai o cabelo

e maqueai-vos, a rímeis,
as máscaras;

e, a rimas,
o regozijo da palavra
para vos irdes ao esplende baile
na grande jaula circular
da vida.

Lá,
estarei vos esperando,
irmãos meus, juntamente com toda
nossa família
sapiens.
180

Comentários (7)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!