PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

n. 1970 -- --

Escritor, poeta e pensador niilista, sempre em busca da análise do ser jogado em meio de suas reinauradas coisas!

n. 1970-03-07, Bom Despacho

Perfil
500 123 Visualizações

FLOR DO DESERTO, VÊS COMO ME ENCONTRO?

Flor do Deserto,
vês como já há tanto tempo
me encontro?

Sabes quanto
me custa ser franco
quanto a meus sentimentos por alguém
que já passou a um leito negro
de onde jamais
retornará?

Alguns anjos me julgam
dizendo que é derespeito amar
uma defunta,

outros
vão além e dizem que com ela
ainda me masturbo,

e há os que
não me perdoam por quererem a carne
deste corpo, que nada vale perante
o sentimento que se assentou
em minha alma;

e eu fico aqui
pensando: "O que posso fazer
por alguém, uma flor tão boa para comigo,
de modo que a agrade, sem que minta
ou a engane sobre meus sentimentos
mais profundos?
Ler poema completo

Poemas

1334

E, ENTÃO, NADA MAIS HAVERÁ


O apagamento
se aproxima, cada vez mais,
rumo à desembocadura
___ do que não há;

e os pensamentos,
e as lembranças dos abstratos passados
vão se esvaindo, esvaindo-se
___ e se apagando,

como a ilha
que vai se sumindo a cada passo
dado, em sentido a ela
___ contrário.
157

OPOSTOS


Por que tu não
me podes

ser de outro
modo,

amo-te tanto,
e mesmo assim:

anatomicamente
bela,

e com teu afiadíssimo
verbum volátil.
194

E, ENTÃO, NADA MAIS HAVERÁ


O apagamento
se aproxima, cada vez mais,
rumo à desembocadura
___ do que não há;

e os pensamentos,
e as lembranças dos abstratos passados
vão se esvaindo, esvaindo-se
___ e se apagando,

como a ilha
que vai se sumindo a cada passo
dado, em sentido a ela
___ contrário.
149

INFINDA E EXTREMA CONDENAÇÃO

"Estamos condenados
à liberdade", dizia Jean Paul
Sartre;

Ao que até não
divirjo, se me localizar
e sua pequena órbita
de visão;

não obstante,
devo dizer que tanto
a regozijada liberdade
como a temerosa
escravidão,

como tudo o mais,
é que estão realmente acorrentadas
à nossa abnormal
condição.
149

LIBERTAT


Quem
dentre nós pode
realmente falar em
___ liberdade,

de dentro
da maior de todas
as prisões que
___ habitamos:

nossos próprios
___ egos?

Angel
abusing night flights
ends up landing on hollowed
out stick!
Thor Menkent


220

DEPOIS DOS TORPES ENGANOS


E tu,
agora mais que antes,
silente cantas tua inefável
pureza,

não a mesma que,
à nossa época de caminhamentos
juntos, tanto com a boca
pronunciaste

com as asas
inválidas, que julgavas poderosas,
por tanta parte pairaste
hasteadas

e com as pernas
abertas em leitos brancos de plásticos
dos canários poéticos e dos menestréis
artificializados com que tanto extaticamente
dançaste (e trepaste).

Mas agora,
sim agora, somente agora,
a verdadeira pureza porque a nada mais
reinauguras ou cobres com teu olhar
negro e em glórias

e que nada
mais te cobre, além da terra seca,
em tua cova,

eu posso ouvir
melhor o mouco som, puro, puro, puríssimo,
que ecoa de tua alma
que chora!
243

DESCULPA, MAS EU NÃO SEI AMAR!


... chove,
a estiada pode até demorar,
mas sempre chove;

como chovou
eu, mesmo que haja regular estio,
no amor, mas sempre, em algum momento
morro eu,

com a diferença
de aquelas chuvas, as naturais,
trazem vida e conforto,

enquanto,
quando chovo, prevalesce a noite
e a morte vem chegando
aos poucos!
189

SENSUAL ENCANTO


Há um corpo na cama
com sua geometria mágica
e sua ilha perfumada protegida
entre as pernas:

às entranhas dímeras,
a indecifrável e esplêndida leveza
dos mares, dos céus
e dos sonhos

a coabiarem
em grande paradoxo,
com os naufrágios, as quedas
e as vesanias do cerne.

Há-lhe, sem dúvidas,
indícios de fluorescências pueris
e de sombras soturnas
- de vida e de morte no mesmo
cálice -;

há-me a irresistível vontade
de beber-lhe tudo.
193

QUANDO CHEGAR O FIM


Não, querida,
não agora neste momento
em que os bailes a fantasias
estão à toda,

mas quando estiveres velha,
corcunda e lenta

- sem que os extáticos desejos
e as esplêndidas imagens do caminho
te enganem as retinas -,

olha para trás
e sussurra um nome ao vento,
para que ele leve os ecos
de tua voz cansada,

ao túmulo
daquele a quem,
indubitavelmente,
tenhas amado em tua vida
passarinha.
157

NOSSOS CONSEQUENTES ERROS


Por que
não te calas um pouco,
sem desviares tanto o olhar
aos espetáculos
alheios?

Afinal,
não sabes tu que,
entre rituais de luzes
e sombras

- regozijados
aos teatros mambembes
ou aos lugares comuns
do caminho -;

às vezes,
é um trágico erro
interromper o sublime silêncio
com a volatilidade
da palavra?
252

Comentários (7)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!