A DEMÔNIA
... ela atingiu os acordes perfeitos aos meus ouvidos e se apresentou como um lindo anjo no palco; depois, às escondidas, quis-me servir pedaços de asas, de peles e de corpos que havia mutilado por todas as partes!
EU NÃO SEI POR QUÊ, ESTOU CANTANDO E NINGUÉM OUVE!
... um grupo com os pés sujos de barro querem crescer rumo aos céus, falam, cantam, amam-se, fodem-se e compõem algo que chamam de poesias; lobos ficam aos chãos esperando o despencar ao lixo, dos autopássaros que caem do terceiro, do quarto, do quinto ou de outro andar a que sobem, sem ter asas, inspiração ou imaginação para se manterem em pleno ar!
NA DESORDEM DOS ESPELHOS
... não há mais palavras que sirvam para dizer de algum sentimento qualquer, sobretudo sobre o amor de um homem a uma mulher: todas as boas palavras e promessas foram abatidas em delirantes calabouços de carnes, por isso, vou apenas mergulhar, fazer teu som, imaginar teus brilhos, e desenhar teu corpo e, silentemente, ainda virgem, embora não sejas, te amar!
ERAM UMAS VEZES
... das mulheres amadas, das putas extaticamente jantadas, dos sóis, dos rios e das praias passadas, das terras com minha força aradas, dos céus com minhas invisíveis asas povoados, das noites de verão tão lindamente estreladas, dos meles das anjas que carregavam luzes engarrafadas, das mariposas que pousavam nos vidros de minha casa, dos sonhos que não continham emboscadas, da nuvem, da demônia, daquele coração puro que eu achava, daquele monte de letrinhas que, à noite, brilhavam, não me restou absolutamente nada!
NA HORA, NO LUGAR E COM A COMPANHIA ERRADA
... fizemos do chão esplente infinito para nos amar, sem percebermos que havia outros infinitos se desenhando e nos desejando por outros lugares, nesta insana morfologia dos movimentos e dos sentimentos, perdemos, de nossa própria história, o sublime centro!
NADA É ABSOLUTO
... nada, absolutamente nada é absoluto, tuas palavras e tudo que disseste outrora por mim sentir, minhas palavras e tudo que eu disse a ti outrora sentir, as dádivas, as promessas, os atos concretos; parecia tudo exato e certo, mas eu sempre dizia para nos cuidarmos que nada, absolutamente nada é absoluto: mesmo assim, insanamente insistimos, escapando-nos escondidos por escarpas de luz, e nos findamos sozinhos, em algum canto ou aconchego onde cães vadios e anjos se misturam!
O CHÃO DAS PALAVRAS
... pássaros a voarem fragrâncias verbais já seduzira até uma negra demônia, a nuvem que dizia me amar, correu como uma pulga durante a maior tempestade de minha vida, embarco contigo nesta última viagem, sabendo que, de novo, posso perder-te numa noite linda, onde passam belos barcos com fósforos acesos em seus mares de palha!
BARCA FURADA
... a imperfeição e a loucura são belas e atraentes em quem se veste de preto, cospe luzes com os voláteis verbos e finge fagulhas que se lhes brotam, alegando amor e dor, aos olhos!
SURPRESAS SOMBRIAS
"... com a mente não se brinca, amor, se eu ligar posso fazer coisas ruins"; e eu, que sempre soube o poder da mente, topei a parada; mas ela parece não ter percebido que eu também a tinha; resultado: os dois vão pagar no inferno, morrendo de cânceres reciprocamente presenteados!
SABER-SE
... saber-se que Sou vento, tempestade e chuva, saber-se que sou cão, vagabundo e puto, saber-se que sou incerto, duro e cruel nunca justificou o que de ti mesma foste e és; na verdade, nunca te foi importante salvar algo no mundo ou sequer em seu terreiro, onde habita contigo, como marido, um corno!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*