PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

n. 1970 -- --

Escritor, poeta e pensador niilista, sempre em busca da análise do ser jogado em meio de suas reinauradas coisas!

n. 1970-03-07, Bom Despacho

Perfil
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FLOR DO DESERTO, VÊS COMO ME ENCONTRO?

Flor do Deserto,
vês como já há tanto tempo
me encontro?

Sabes quanto
me custa ser franco
quanto a meus sentimentos por alguém
que já passou a um leito negro
de onde jamais
retornará?

Alguns anjos me julgam
dizendo que é derespeito amar
uma defunta,

outros
vão além e dizem que com ela
ainda me masturbo,

e há os que
não me perdoam por quererem a carne
deste corpo, que nada vale perante
o sentimento que se assentou
em minha alma;

e eu fico aqui
pensando: "O que posso fazer
por alguém, uma flor tão boa para comigo,
de modo que a agrade, sem que minta
ou a engane sobre meus sentimentos
mais profundos?
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Poemas

2763

UTI

Naufrago-me,
calado,

quase todas as noites:

não peço ajuda,
não te peço ajuda;

apenas acorrento-me ao vinho
à música, aos fantasmas
e à esferográfica.

Morbidamente,
provoco-me as sinapses,
rumino passados,

construo dissimulados amores
e cruciantes angústias
em incompreensíveis estórias;

suicidando-me
aos abismos de meu cerne,
projetados em versos
mal traçados

e lançados, silentemente,
ao vento, ao tempo e a essa tela mambembe
que ledes vós nos dias
seguintes.
118

SEM AMARRAS!

Antes de dizer
“Te amo,”, a alguém,
novamente a alguém,
baby,
 
deves saber
que não é fácil e que  a complexidade
é que é a regra,
 
que deves,
com o ser amado, respirar o ar puro,
mas também o contaminado
 
e não, como fazes,
querer beber só dos seus escuros,
fabricando um invisível escudo
de realidade.
 
E é sobrevivendo
com seu próprio erro básico,
derivado de nossas inequívocas
humanidade
 
que unicamente podes
coexistir tanto aos voos dos céus,
como com os estereótivos caídos
te nossos fantasmas
passados!
163

DESPIDO!

Digo.
Desdigo.
Faço promessas puras
 
iludo,
masturbo-me,
convenço sob os neons
e nas ruas escondidas da nobre
puritania,
 
atuo,
dissimulo
e engano os lobos e as formigas
que tentam ser minhas
amigas:
 
em um dos pólos,
vibro e sou pura vida,
no outro me corto e me transformo
numa sombra anímica!
195

QUE FELIZ SURPRESA!

Saí para encontrar
a felicidade olhando para todos
os lados;
 
encontrei um jardim
de rosas e comercei a andar
no meio delas
 
 tão belas e felizes
comerçaram a exalar seus perfumes,
senti-me tão linda e feliz
 como elas ali.
 
Havia rosas
de todas as cores; então começou a chover
e ali eu sofria com  tamanha
beleza,
 
sentindo o perfume
das flores e  dos pingos da chuva:
e foi assim que encontrei
a felicidade.
80

NÃO!

Todos podem ir embora,
todas podem partir,

eu sigo em frente tentando
me manter alado ao chão,

mas a flor do deserto
não deve nunca se selenciar,

porque,
sempre que ela faz isso,

um cão niilista
morre mais um pouco na fria
solidão do inverno!
109

EU TAMBÉM CHORO!

Não me consideres
só pela poesia avessa,
pela filosofia absurda
 
ou pelo vazio
escuro deste meu espaço:
 
eu te garanto
que eu também sofro,
 
e eu também choro,
só que é debaixo d'água
para ninguém ver minhas
lágrimas!
98

AO FIM...

... morto, tudo parado
e morto:
 
da colheita
exauriu-se o  fruto
 
e o cão
que o exibia sempre excitado
 
prante
a fiéi espelhos!
111

RAROS MOMENTOS FLORIDOS!

... lateja minha mente
a imaginá-la ali, sentada,
 escrevendo sensualizada pela camisola
e lingerie,
 
despeta-me a sede,
e a fome de devorar suas poesias,
suas fantasias e suas insânias,
 
acende-se-me o desejo
de possuí-la numa distante presença
que se faz em mim
naquela hora:
 
então,
dou-lhe um beijo,
desço tirndo-lhe a blusa,
acaricio seus peitos, ainda descendo
em busca do tesouro abaixo,
 
abro-lhe as pernas, e entro-me:
ali nada de falar, o silêncio é valioso,
se fantasias, sem sonhos, sem miragens
e sem chuvas de fogo,
 
exceto a que
deliciosamente jogo em seu corpo,
como um servo temporariamente retirado
das sombras por tê-la invocado
à transcendência!


143

FLORES!

... as lendas tentam,
as nuvens tentam,
as ciriricas que gosta de voar em torno
de postes duros com neons acesos
tentam,

as conselhistas puritanas tentam,
as que se dizem virgem com 55 anos
e milhares de escondidos canos
tentam,

e com várias artimanhas,
e com várias máscaras,
e até rastejando quando descoberto
é seu verdadeiro reflexo,
tentam;

mas só duas beldades
conseguiram adentra, ficar, me aguentar
e me amar ao deserto frio
e lamacento:

a verdadeira Lilith,
a Flor de Inverno e bela, corajosa e determinada
Flor do Deserto!

131

A GRANDE FRAUDE!

... como sempre
o ser imagina olhar e analisar
de modo certo as coisas, no meio das quis
foi jogado

e, como sabemos
que as coisas naturais não são
com o ser as reinaugura com sua visão
sapiens,

devo concluir
que o ser, enquanto vive,
é um inexorável condenado a ser um deus
em seu próprio e vesgo ego!
125

Comentários (7)

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fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!