PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

n. 1970 -- --

Escritor, poeta e pensador niilista, sempre em busca da análise do ser jogado em meio de suas reinauradas coisas!

n. 1970-03-07, Bom Despacho

Perfil
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FLOR DO DESERTO, VÊS COMO ME ENCONTRO?

Flor do Deserto,
vês como já há tanto tempo
me encontro?

Sabes quanto
me custa ser franco
quanto a meus sentimentos por alguém
que já passou a um leito negro
de onde jamais
retornará?

Alguns anjos me julgam
dizendo que é derespeito amar
uma defunta,

outros
vão além e dizem que com ela
ainda me masturbo,

e há os que
não me perdoam por quererem a carne
deste corpo, que nada vale perante
o sentimento que se assentou
em minha alma;

e eu fico aqui
pensando: "O que posso fazer
por alguém, uma flor tão boa para comigo,
de modo que a agrade, sem que minta
ou a engane sobre meus sentimentos
mais profundos?
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Poemas

2763

AO FIM...

... morto, tudo parado
e morto:
 
da colheita
exauriu-se o  fruto
 
e o cão
que o exibia sempre excitado
 
prante
a fiéi espelhos!
 
137

ATÉ A LUZ PODE SE EXTINGUIR, BABY!

... o amor caminha
pelos ladrilhos de ilusões
e de deformados espelhos,
 
o coração
mantém a esperança em buscar,
sempre no porvir algo novo que também
ficará somente na memória;
 
mas não há sonho
que não seja um grande desejo do ego,
não há nada que seja pétreo
e não há amor perpétuo,
 
o que faz da hora,
longe das sombras do passado e do futuro,
o momento sempre mais propício
e incerto!
373

A MANHÃ DEVE SEMPRE FICAR ABERTA!

... o desejo
deveria ser mais lúdico,
né baby,
 
porque,
uma vez que o céu
some
 
e o mar
perde seu charme
e seus músculos
 
a ele
temos de nos socorrer
para não morrermos
de fome!
 
 
125

TALVEZ SEJA TARDE DEMAIS!

... somente
quem já transitou profundos,
 
sentiu a solidão,
e dor que mantem em pedaços o coração
e sorveu o caos dos abismos,
 
pode me fazer
descansar um pouco daquele
inverno assaddino
 
e trazer-m,e
uma útima dose de sonho,
 
antes que a morte,
faminta a me esperar na próxima esquina,
me leve com seu doce
e eterno beijo
de vinho!
78

SONHOS BRANCOS!

Que importa
os grandes sonhos brancos
ou os buraco em que
te enfiaste,

que importa
os novos e oníricos alvoreceres
ou as horas semiapagadas
de tuas noites insones,

que importa
as alvas repetidamente regozijadas
ou os fiapos negros caídos
da boneca de trapos,

que importa
a boca, o grito, a oração,
o assovio, o canto insalubre
e o triste choro,

que importa realmente
qualquer coisa, se de teus fautos
céus e de tuas avessas
senciências,

foram previstas
inevitáveis e inexoráveis chuvas
de pedras, a marcarem as fatalidades
e os imensos vazios

de tuas insanas fluorescências
cegas?
125

TONS DE CINZA!

Deveras,
há muitos pseudoamantes
por entre todos os tons
de cinza,

e amam-se
como cavalos montados
em éguas, ou leões a morderem
e a estapearem leoas,

enquanto
as fodem com suas hastes
em selvagem fogo;

o que é mais raro,
é amar – com o resto do mundo
fora – no insondável mistério
da paz e da rotina,

com beijos, abraços
e carinhos no leito, como no sonho,
sempre mantidos vivos
e aquecidos.
157

O VAZIO QUE FICA!

Que mais
vos restará para além
desses tempos
e espaços
por onde semeais,
incaultamente, imagens
devaneios de toda
ordem,
com vossas sencientes
e abnormais fluorescências
cegas?
141

ESSENCIALMENTE DIFERENTES!

... o anjo disse ao niilista:
"Deixa de onda e deixa essas sombras
e vem me amar sob um sol eterno
que nos se anuncia!";

intrigado e refletindo,
o niilista respondeu: "Tu sabes muito
e me pareces muito sedudora com tua sensualidade
e com tuas luzes,

mas se eu for beber
contigo deste teu doce vinho,
tu poderás aguentar comigo a dor
do mundo

e o embarque pesado
nesta coisa a que chamam vida
e que eu chamo de uma tremenda barca
furada!?”
93

HAVIA SAÍDA?

Depois daquelas

noites de amor, nunca mais fui o mesmo

sem ir dividir contigo os princípios

e os abismos do mundo;

 

na verdade,

eu confesso que  está sendo agora

ainda muito mais difícil

te amar purificada

 

e tão distantemente

assim!
87

O ÚLTIMO ABRAÇO DE ASAS!

Quando o cemitério
se encheu de modo que não coubesse
nele mais nem um fantasma,
 
as sombras
e as chuvas de foco apareceram
para ameação aquele amor
avissal:
 
então eu disse a ela
que aquela noite seria diferente,
engolideira, impiedosa,
 
com a diferença
que desta vez ela não sorriu, nem zombou,
nem exerceu o divino poder
de seu ego com a palava:
 
apenas se despiou
e, chorando ao ver lágrimas em meus olhos,
pediu-me:
 
“Então vem, meu amor,
eu também senti o perigo;
vem para nosso último abraço
de asas!”
105

Comentários (7)

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fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!