Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Conheço o deserto, conheço a angústia, conheço a dor da parturiente;
conheço e senti a sentença de morte, conheço o medo, conheço a fraqueza quando ela se nos toma por inteiro;
conheço o que dizem ser amor, conheço as máscaras do teatros, conheço o desejos, conheço os esfregaços das genitálias, acompanhados de excelentíssimas palavras voláteis;
conheço a soberbia dos homens em todos os cargos e afazeres, da medicina à filosofia e à política e ao celibatismo;
conheço a guerra que muitas vezes fazem em nome de Deus e que dizimam milhões, e comemoram a matança como festas de São João:
não conheci o paraíso, mas conheço o inferno e digo que ele é aqui!
174
FÚTEIS CRIAÇÕES HUMANAS
Fúteis criações humanas, digo que morrereis todas, lentamente,
ao mesmo passo com que vossos promotores tonitruantes se dirigem incautos,
e cada vez mais soberbos e imponentes, rumo ao despercebido e frio apagamento.
179
PARA AMAR MESMO, CONVÉM SER CEGO E SURDO
Para amar de verdade falar é o que menos vale,
é preciso escutar e compreender o que o ser amado sente e nos claros e nos escuros,
o que ele pensa sem revelar a ninguém devido ao conteúdo talvez meio obsceno ou obscuro,
assim como é preciso olvidar tudo aquilo que, de alguma forma, não se deveria, em função de colocar os dois amantes a caminho de uma morte violena e fria!
167
REALMENTE EU NÃO SEI AMAR!
O amor deveria ser fundamentado em pelo menos um mínimo de realidade
e, claro, de carestia de oxigêncio, de sombras e chuvas espalhadas e, com dor de parturientes, suportadas:
o amor que se exige haver somente onde o sol nasce é, por consciente natureza sapiens, falso!
202
A PAZ É TAMBÉM SEMPRE UMA ESCOLHA
Quando se força (dos amantes em recorrentes chuvas) a paz à sublime morada do silêncio,
acabam-se as fábulas máculas das frívolas paixões e cessam-se as essências inventadas das exíguas ilusões:
apenas flores murchas e algumas dolorosas e angustiantes reminiscências submissas
restam suspensas, entre a serenidade das longínquas estrelas e a proximidade da cova ao chão.
171
AMAR OU NÃO AMAR?
Pela última vez, já que o deserto meu não passa, já que as chuvas minhas não cessam, já que meus destroços e vazios, cada vez mais, acumulam-se;
e já que não podemos saber se mais sofrer é amar ou não amar, não achas que devias colher anjos em vez de acolher um cão perdido no vácuo de si mesmo?
184
QUANDO CHORARES
Quando chorares, e eu não gosto de te ver chorar, eu me sinto muito sujo, baixo e triste ao te ver chorar por causa do que sou ou do que eu tenha dito;
e, então, quando chorares, descansa um pouco de meu linho trevoso, mesmo que, para isso,
tenhas de passear nas amarelas asas de canário ou nos alvos dorsos de anjos em voos de luzes e de fogos!
217
ANDARILHO DAS AREIAS
Com minhas asas pousado e vazio em minha ilha desértica,
tentaram dar-me algum alento, algum sentido e alguma esperança:
foi um erro celestial cometido por um anjo incauto,
que caiu nos mesmos caminhos de descontrole, de chuvas de fogo e de lágrimas incontidas,
advindas das dores contidas na alma do moribundo e decrépito andarinho das areias!
192
UM POEMA ANTIGO III
Dizes que não te amo, que não te quero e que não ligo para quase para nada que dizes a mim;
e, de fato, talvez eu não saiba amar cá deste meu angustiante deserto interno, de onde te imagino
(em poesias escritas às secas areias do cerne)
tão bela e esplêndida como um feixe de helianto azul fugido casuisticamente do destino,
a atravessar-me [cortantemente] o perfumado silêncio das solitárias e tristes noites.
145
UM DIA NÃO MUITO DISTANTE
Um dia não vão mais me achar e não terão onde mais mirar nada além de suas paravras voláteis em flocos de luzes ou sombras;
um dia não irei mais sonhar, esvaziar-se-á o meu mare não restará dele sequer alguma brisa de esperança;
sim, um dia, não muito distante, todos os meus desejos, todos os meus segredos e todas as minhas lucidezes e insânias
estarão comigo enterrados em algum desconhecido e vazio lugar!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*