Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... tento fechar todos os espaços e todas as frinchas ___ das janelas,
na esperança de conseguir, enfim, descansar na escuridão ___ fria;
mas nem as sombras vazias trazem-me algum alento ___ possível,
da dor que sinto por aquela já apagada e única luz que em minha ___ casa esteve um dia!
205
INEXORÁVEIS HERANÇAS
Quando partimos,
deixamos sempre dois espaços
de lembranças para trás, nas mentes
e nos corações
daqueles
que outrora nos acompanharam
e disseram nos amar?
Um branco
e um demasiado negro!
184
ANDARILHO DAS AREIAS
Com minhas asas pousado e vazio em minha ilha desértica,
tentaram dar-me algum alento, algum sentido e alguma esperança:
foi um erro celestial cometido por um anjo incauto,
que caiu nos mesmos caminhos de descontrole, de chuvas de fogo e de lágrimas incontidas,
advindas das dores contidas na alma do moribundo e decrépito andarinho das areias!
196
SERÁ POSSÍVEL AMAR DE VERDADE?
... porque, para se amar real e plenamente,
seria preciso suportar (amando-se ainda mais)
a angustiante dor que há às inevitáveis dobras dos naufrágios!
181
THE END
... mas que droga!
Que merda de rachadura!
Que desgraça a negritude que se aproxima!
O acaso acertou o cão de jeito,
de modo que ele não tem forças nem tempo
para dar mais nem um tropeço!
207
DEPOIS DA INUNDAÇÃO
Depois da inundação das imagens e dos devaneios
que os puristas semearam por todo lado,
com seus entenebrecidos e avessos egos;
certamente, ter-me-ia afogado nessa imunda lama,
se ela - a resistente nuvem -
não tivesse me estendido, generosamente,
a última rama.
153
ASSUSTADORAMENTE ABRASADOR!
... teu olhar é uma lâmina de sol,
a cortar desertos, mares e paraísos onde brincas, danças e transas
sob céus azuis, madrugadas escuras e luares crepusculares;
teu olhar está entre o riso e o pranto dos que te olham
e entre o frio e o quentume daqueles que de amam;
sim, teu olhar vai além das curvas, além dos rios, além das camas,
teu olhar é, de sol, uma lamina!
197
QUANDO CHORARES
Quando chorares, e eu não gosto de te ver chorar, eu me sinto muito sujo, baixo e triste ao te ver chorar por causa do que sou ou do que eu tenha dito;
e, então, quando chorares, descansa um pouco de meu linho trevoso, mesmo que, para isso,
tenhas de passear nas amarelas asas de canário ou nos alvos dorsos de anjos em voos de luzes e de fogos!
218
UM POEMA ANTIGO III
Dizes que não te amo, que não te quero e que não ligo para quase para nada que dizes a mim;
e, de fato, talvez eu não saiba amar cá deste meu angustiante deserto interno, de onde te imagino
(em poesias escritas às secas areias do cerne)
tão bela e esplêndida como um feixe de helianto azul fugido casuisticamente do destino,
a atravessar-me [cortantemente] o perfumado silêncio das solitárias e tristes noites.
146
AMAR OU NÃO AMAR?
Pela última vez, já que o deserto meu não passa, já que as chuvas minhas não cessam, já que meus destroços e vazios, cada vez mais, acumulam-se;
e já que não podemos saber se mais sofrer é amar ou não amar, não achas que devias colher anjos em vez de acolher um cão perdido no vácuo de si mesmo?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*