Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... as primaveras ainda são coloridas e encantam, e suas flores ainda se despetalam e se oferecem para serem acariciadas e fodidas pelo vento que as toca,
de tempos longínquos me lembro de como eu também primaverava e me primaverava entre as mulheres em flores
e como eu brincava, corria e andava pelos caminhos por onde elas desfilavam,
mas isso foi tão imenso como ficou agora tão absurdamente longínquo:
sobram-me, também velho, as flores velhas, já não tão lindas, não tão gostosas, não tão cheirosas, não tão aquecidas ao leito
e sempre bailando mais lenta, desengonçada e rabugentamente!
171
ENTÃO
... quando ela me perguntou por que eu sempre tinha amado Ana e dito a ela que a amava,
eu nem cheguei a me surpreender, de tanto que já conheço, já andei e já sofri nessa dura estrada.
Mesmo assim, pesarosamente me lembrando de ali, naquele espaço vasto com Ana,
também fui indagado sobre a Nuvem e por que motivo eu com ela ficava;
e eu me lembro de ter dito uma expressão: "Não quero nem preciso só de amor como também de paz".
Então fui instado a fazer uma escolha e, como as coisas entre mim e Ana eram sempre meio trevosas,
escolhi a Nuvem, a quem amei por 8 longos anos, os mesmos anos que Ana antes de morrer disse-me que passou sofrendo.
entretanto, a paz também nunca veio À Nuvem e ainda hoje sou questionado por que fiquei com ela se Amava Ana.
E eu já não sei de mais nada, e eu já não sei o que é joio e o que é trigo, e eu já não sei se estou no mundo novo ou se ainda me encontro no antigo,
e eu não sei mais, agora que Ana se foi e que ela (Nuvem) continua sem mudança alguma,
em que galho pousar, em quemar navegar, em que céu voar, em que cama me deitar e onde posso, enfim, com a paz que tanto almejo, morrer!
Ana was good to me and, Cloud, although we loved each other and did not know how to love us with the insanity with which we felt love, I learned a lot from her and she deserves to be honored for the rest of my life!
265
LUZES FAMÉLICAS
Dizei-me vós algum real mérito ou sublimidade no nascimento e na vida dos sapiens;
a não ser contardes-me das efabulações, dos lampejos, e dos festejos
que fazeis, em tantas andanças pelo caminho, às máscaras que lhes convêm.
166
CONVULSÕES
Entre paredes e fantasmas à silente e fria madrugada:
às vezes, solidão, angústia a me assombrarem em clamor;
às vezes, Tchaikovsky, Elvis ou Springsteen, e um pouco de café para acalmar-me a dor;
às vezes, teus ausentes beijos em dádivas d'amor.
162
SEM PONTO CERTO DE PARADA
A vida segue, incontinentemente, emoldurando-se em cores mal delineadas
- às vezes em preto branco -,
muito distantes da opacidade crua das coisas, é bem verdade;
assim, ao passar indelével do tempo e às chuvas incessantes dos intentos
- de cada um -
nesse tudo que parece imenso demais, mas que, a cada dia,
vai-se esvaindo pelas mambembes teias do caminho.
207
ALÉM DAS APARÊNCIAS
... como vês, querida, além das aparências, sou o elo mais fraco nessa relação:
és jovem, és linda, és pura
e danças, e amas esplendidamente bem, como se fosse tua a eternidade;
enquanto, apesar de carregar rios profundos à pele e cruciantes dores ao coração,
(incapaz de fugir) danço-te e amo-te, sofridamente, como se fosse
o último momento de minha fragilíssima imensidão.
224
NATURAIS CASUALIDADES E CAUSALIDADES SAPIENS
Rompidas as casualidades alheias, as sapientes fluorescências brilham sobre as coisas todas,
dando origem, dos funerais das possibilidades naturais, a cada vez mais densas ilusões,
cultivadas entre o tempo e o espaço que reinauguramos com nossas vãs, vis e avesgalhadas visões.
221
OS NOBRES COMEDIANTES
ó menestréis, de quem outrora me ebriei em fulgurosos devaneios lexicais,
ó puritanas, com quem tantas vezes me servi em banquetes sexuais;
foi só me desterrar ao deserto, embalsamando sonhos e entrevando realidades,
para que me condenassem com vossas reluzentes áureas?
198
OS NOBRES DISCURSOS
Aos nobres discursos ou às bocas de lobo,
milhões e milhões de palavras formam novas histórias
como em passes de mágica.
Mas muito pior às mentes onde se formam esperanças e vesanias silentes
- como também sombras que jamais são reveladas -;
o quê, ao fim, não tem importância alguma,
que, de todo jeito, tudo acaba desaguando em nadas.
143
LISÉRGICO
... eu sei que estou perdido, eu sei que luto para não me secar ___ no frio,
eu sei que, sem ela, estou condenado ___ ao vazio,
porque o veneno me foi aplicado aos poucos, para não me matar, mas para me deixar assim tão ___ esvaído;
mas eu digo que luto enquanto alguma luz, mesmo que tênue, iluminar ___ o meu girasol ao pé de uma lua que sempre parece estar em ___ fúria!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*