Lista de Poemas

A LUZ DE ANA!



... quando ela falava,
os homens mais cultos e poderosos
se calavam,
quando ela
se insinuava e se tocava, até os anjos,
esquinadamente, maravilhavam-se,
masturbavam-se e gozavam,
quando ela
chorava, a todas as terras amolhava
e a mim, em cruéis metamorfoses,
ao pouco matava!

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QUERO O SEM-IMAGEM!


... queria
me despir das imagens do mundo,
como Ana pretendeu
um dia;

mas sem a esperança
e a crença de que ela tinha,

receio que
isso possa acontecer somente
depois que minha morte
se consume!

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PÉTALAS NAUFRAGADAS



A brutalidade contida em espíritos assimétricos a caminharem desapercebidamente sem rumo, omitindo submundos por detrás de pujantes véus embalsamados em estranhas palidezes faz com que ondulemos em ruínas de mares avessos e em inexeqüíveis ilusões contidas em esperanças exaustas.

Nas áreas reluzentes dos presentes estares conjurados, há sombras de passados aromados em quedas cruciantes, e desatinos utópicos nos esquálidos amanhãs de nossas demências.

Pouco sabem meus semelhantes que não há cura para a insânia da existência entorpecida na razão adúltera, com a qual tentamos expirar inocências perdidas em espaços sórdidos onde nos enclausuramos, frágeis e febris, entregues a anseios, amores e crenças vãs, enquanto omitimos dos lábios prostitutos nossas mórbidas assimetrias intrínsecas.

Vejo-nos guerreiros e santos em soberbias e airosas alocuções e laivados em nossos envilecidos cernes, a esparramarmos heresias mútuas de toda ordem no imenso quadro surreal do qual somos autores inconfessos e personagens centrais.

Próximo à fronteira do desfalecimento por overdose de mim mesmo e habitando solitariamente a grande e abismal geleira não devia falar tanto a promissores céus peregrinos, fragmentados, como eu, em seus próprios âmbitos incautos.

Mas chuvas negras me caem constantemente encharcando-me em meus próprios malsinos de dor, como que a lavar meus alaridos incoerentes diante de multidões fantasmagóricas.

E quando encontro, nas superfícies versejantes, algum abrigo a ofertar suaves melodias, mais me feneço diante do sempre último espectro inconspurco, a se colapsar comigo no momento seguinte.

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DOR MOUCA


... no quebrar
das asas, o pássaro soltou
um grito que nunca
___ ouviste,

é o torpor
dos sonhos e dos sons dos anjos
___ frementes

a que
sempre ouvias sem ficar
nem um pouco
___ exitantes:

sos gritos
do cão foi dado a outras gaivotas
que passaram pelo deserto, com seus
___pincéis mágicos,

tentando
colorir um pouco meus secos
___ horizontes!
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O PURO E O DEVASSO SEMPRE ESTÃO NO MESMO SER


... tentei-me erguer
como um arbusto imponente
e inquebrável,

e, assim,
me fiz da raiz ao topo;

quando comecei
a tocar o céu, veio uma tempestade
e ventou, e ventou,
e ventou,

e continuou
ventando muito e forte,
e eu tentando me manter
na vertical:

de repente,
um estralo seco,
os pássaros e os anjos roubaram
meus sonhos;

abaixo,
os vermes se fartavam
de meu rachado
pau.

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CADA VEZ MAIS SÓ


Nunca
conheci, mas deve haver
algum lugar
onde são felizes,
onde os sonhos ocorrem,
onde as esperanças se concretizam;
afinal,
menestréis e borboletas
vivem a cantar
e a poetisar
vôos azuis,
mares cristalinos
e amores vespertinos.

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ATOS DISSIMULADOS!


às vezes,
quando se amam
regozijando dádivas
e intentos,

esquecem-se,
nos fulgurosos enlaces
do momento,

de que,
nas estranhas esquinas
do vento,

há outros
sapientes e famintos lobos
carnicentos,

a aguardarem,
travestidos de pássaros
em arroubamentos,

de suas incautas vítimas
algum decaimento.

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TU

...
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SENTIR


... sinto
a essência e o perfume

___ de todas as flores,
___ de todas as asas e pernas,
___ de todas as bocetas,

___ de todas as luzes,
___ de todos os desejos
___ e de todas as cativas sombras:

sinto ainda
o cheiro das manhãs cristalinas
e o forte odor

___ do carvão queimado, às noites,
nas fogueiras,
___dos voos incautos,
___ das tempestades avassaladores
___ e dos profundos desfiladeiros:

nesta hora,
sou nada a sentir o peso do mundo
inteiro!

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NÃO CONSEGUI TE ACHAR AQUELE DIA


... conheceste
asas que voaram por muitos
___ ares,

nobres pássaros
que povoaram tuas oníricas
___ noites lunares,

marinheiros
que navegaram e se afogaram
___ em mares

e pés que
andaram por muitas noites
___ e desertos áridos;

neste momento,
não sei o que mais pode te ajudar,
___ um anjo ou um cão,

mas ouve
o mestre, em tuas fotos,
estás quase chorando e, se á distancia,
___ vejo isso,

que têm feito
por ti teus amigos, teu marido
___ e teus amantes?

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Comentários (7)

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fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!