PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

n. 1970 -- --

Escritor, poeta e pensador niilista, sempre em busca da análise do ser jogado em meio de suas reinauradas coisas!

n. 1970-03-07, Bom Despacho

Perfil
501 140 Visualizações

FLOR DO DESERTO, VÊS COMO ME ENCONTRO?

Flor do Deserto,
vês como já há tanto tempo
me encontro?

Sabes quanto
me custa ser franco
quanto a meus sentimentos por alguém
que já passou a um leito negro
de onde jamais
retornará?

Alguns anjos me julgam
dizendo que é derespeito amar
uma defunta,

outros
vão além e dizem que com ela
ainda me masturbo,

e há os que
não me perdoam por quererem a carne
deste corpo, que nada vale perante
o sentimento que se assentou
em minha alma;

e eu fico aqui
pensando: "O que posso fazer
por alguém, uma flor tão boa para comigo,
de modo que a agrade, sem que minta
ou a engane sobre meus sentimentos
mais profundos?
Ler poema completo

Poemas

2763

APENAS ENTREGUE, MAIS NADA


... de repente, tive uma horrível sensação, como se tivesse sido eletrocultado com uma infiltração
de fios à mente. Fiquei todo imobilizado ao voltante do carro que, por ação divina, acabava de ser parado para deixar minha filha ao cursinho pré-universitário.

Fiquei imobilizado e sem fala, exceto pelos movimentos e convulsões descontrolados. O joelho se chocou tantas vezes e tão rapidamente contra o volante que quase o arrancou e se abriu na pele um buraco.

Suei muito aos gritos de milha filha, que estava aos choros e totalmente traumatizada, já com o carro descendo, sem que sequer conseguisse pisar ao freio.

Ela então o parou puxando o freio de mão. A camisa estava ensopada. Não mais conseguia falar uma frase. Dizia algo e outros absurdos inconscientes é que saíam de sua boca sem que entendessem nada.

E, assim, ficou isolado por uma semana sem conseguir se expresser sequer por uma frase, com o lado esquerdo do corpo já aleijado pela pancada. Pés, pernas e mãos já não mexiam ao meu comando, quando lgum controle me retornara.

Alertaram-se. Fui a uma consulta em Belo Horizonte e, com uma psiquiatra, fui ser avaliado. Ela perguntava, eu outras coisas respondia. Ela pensou que estava sendo feita de palhaça, perdeu a paciência e gritou: "Eu estou te perguntando, responde o que pergunto!"

Todas as forças neste momento. Durante uma semana não conseguia falar uma frase exata. Concentração. Abaixei a cabeça e um grito também saiu em desespero: "O paciente sou eu"!

Ela imediatamente disse "É, está difícil" e pediu uma tomografia computadorizada. Horas de espera naquela sensação de morte e de invalidez retardada, sem ter como falar nem com minha propria esposa, poise ela não entendia nada.

Horas depois, eu no corridor, a médica psiquiatra grita sorrindo:

"Péricles?"

Olhei para trás. E ela, ainda sorrindo, disse "Metade da sua mente está frita, outra doutora vai te atender".

Imediatamente fui internado. Biópisias. UTI. Quimioterapias. Dois meses direto. Depois um ano direto em que muito mais fiquei no hospital do que em casa.

Foda-se o resto, o que quero dizer é que, enquanto eu sofria, ela amava; e que quando Deus me abençoou e eu retornei, de cão do inferno, ela ainda me chamava.

Hoje, ando vomitando, à espera de meu Deus o definitivo chamado!
396

NOSSA CABANA AINDA ESTÁ LÁ!

Cerra teus olhos
profundamente, enquanto
te contemplo,
sente o vento
de minha respiração tocar teu ombro,
teu rosto e teus lábios,
sente minhas mãos bobas
te enudecendo e te apalpando
para todo lado,
sente nossas latitudes
se tocando a ponto de quase desencadearem
carnais terremotos,
esquece nossas obscuridades
um pouco e vem comigo deitar
na mesma estrela que colei no céu
daquele rigoroso inverno
sobre nossa cabana
de amor.
Não podemos mais nos ver:
sei que não, mas sente meu pulsar
ao te amar e contigo gozar na eternidade
que ainda me há!
123

COMUNICADO

Preciso deixar claro
que sou um cavalheiro
quando abraço-se ao ritmo da valsa
e sutilmente beijo-te
a boca,

sim, sou um cavalheiro
quando sussurro aos teus ouvidos
palavras de amor,

e quando desnudo-te o segredo
guardado entre as coxas, com a clara intenção
de te levar ao êxtase
e ao gozo.

Não obstante,
quando chegam as chuvas,
eu me declaro culpado de esquecer-me
do singelo amor, das noites de fulgor
e dos sonhos à nuvem;

e de carregar-te comigo,
como um enegrecido anjo da morte,
à beira de abismo profundos
e vazios.
104

NÃO FUI EU QUE ME FIZ HUMANO!

Não fui eu
que me fiz humano,
fui jogado
no mundo assim;
então,
como meus irmãos que se dizem
mais puritanos,
quando
me lanço com minhas
asas inválidade,
só vario o lugar
e o modo, mantendo todas
as possibilidades
no sonho,
na fantasia,
no amor,
na dor,
no desejo
e no consequente naufrágio!
89

A VERDADE SEMPRE DESMORONA COM O OLHAR SAPIENS!

Já li de tudo
das geniais mentes humanas,

do complexo narcisístico,
das leis da física einteniana
e quântica,

das geometrias
imperfeitas, das singularidades
imprevisíveis,

do amor,
do desejo, do estilo, dos sonhos,
e dos êxtases,

do complexo de édipo
e da vaidade exercida com seu poder
de escolhas;

Ah, enfim,
já li e vi de tudo sobre o ser,
e nada do que vi, no entanto,
me fez sair do abismo e da escuridão
de onde pressinto que
surgi!
92

INESQUECÍVEL DEVANEIO!

Já nem me lembro
do que seja um fluxo de sublime
amor à nuvem:

exatamente,
é preciso reconhecer,
agora que estamos realmente
a caminho do fim,

que tentamos cultivar asas,
sem jamais conseguirmos deixar
de sobrevoar abismos
e precipícios,

e que, realmente,
não creio que nossas ausências
nos sejam mais dolorosas
que nossas ácidas
chuvas;

mesmo assim,
amo-te de um estranho e louco amor,
sem que, incautamente,
jamais te tenhas percebido
do essencial:

era-nos necessário não só o amor,
mas também o respeito, a dignidade
e uma duradoura paz
ao onírico leito

para nos anestesiarmos,
de mãos dadas,
das angústias e das dores
do mundo.
95

MANEQUIM

Foram de líquido
as sublimes palavras de tua boca,
por isso desaguaram nos rasos
precipícios dos mares;

foram de pluma
os cândidos sonhos de tuas insensatezes,
por isso sumiram às rajadas
vazantes dos ventos;

foram de reticências
as pálidas tessituras de tua mente,
por isso se desenharam em insanas
concupiscências às telas
mambembes;

foram de chumbo
as imanentes vesanias de teu cerne,
por isso nos conduziram
a torrenciais chuvas
de fogo,

e à odiosa
e inexorável morte - em mim -
de tuas faustas e infames
asas.
128

AMOR E PAIXÃO

Por detrás do fino feltro
que separa esses dois sentimentos
pode-se perceber sua principal
diferença;

por exemplo,
há beijos, abraços e embaraços
que provocam delírios
de amor e paixão:

esta sempre a exigir,
do corpo, ilustre presença;
aquele a vigorar candidamente,
mesmo em longa
ausência.
121

INESQUECÍVEL

... vives
aqui dentro

com gosto de amor
antigo,

com gosto de desejo
antigo,

com gosto de dor
antiga,

e com a eterna
esperança de não nos haver
nova partida.
83

QUANDO A INSENCIÊNCIA RETORNAR

Cinzenta manhã
do primeriro dia do ano,

tu aguças
meu olfato e atiças meu desejos
pelas eternas sombras
da paz;

todos as temem
de detrás de seus humanos vitrais,
porque não a compreendem em sua essência
não-sapiens,

mas eu anseio
um não-ser, que só pode me pertender
depois que definitivamente
me deitar em seus braços!
164

Comentários (7)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!