FORA DE CONTROLE
... a morte se aproxima
e eu não lamento nada do que
humano me fora,
fora de controle,
minha mente vaga pelas
sombras taciturnas,
fora de meu corpo
meu desejo e minha libidinosa
é igual ao de todos,
fora de meu coração
não há algum lugar de boa
comunhão,
escrevo a esmo,
jarros de flores ou vazos
de merdas podres:
de minha alma
não falo, que dela cuide
meu Deus!
NOSSA CABANA AINDA ESTÁ LÁ!
Cerra teus olhos
profundamente, enquanto
te contemplo,
sente o vento
de minha respiração tocar teu ombro,
teu rosto e teus lábios,
sente minhas mãos bobas
te enudecendo e te apalpando
para todo lado,
sente nossas latitudes
se tocando a ponto de quase desencadearem
carnais terremotos,
esquece nossas obscuridades
um pouco e vem comigo deitar
na mesma estrela que colei no céu
daquele rigoroso inverno
sobre nossa cabana
de amor.
Não podemos mais nos ver:
sei que não, mas sente meu pulsar
ao te amar e contigo gozar na eternidade
que ainda me há!
COMUNICADO
Preciso deixar claro que sou um cavalheiro quando abraço-se ao ritmo da valsa e sutilmente beijo-te a boca, sim, sou um cavalheiro quando sussurro aos teus ouvidos palavras de amor, e quando desnudo-te o segredo guardado entre as coxas, com a clara intenção de te levar ao êxtase e ao gozo. Não obstante, quando chegam as chuvas, eu me declaro culpado de esquecer-me do singelo amor, das noites de fulgor e dos sonhos à nuvem; e de carregar-te comigo, como um enegrecido anjo da morte, à beira de abismo profundos e vazios.
NÃO FUI EU QUE ME FIZ HUMANO!
Não fui eu
que me fiz humano,
fui jogado
no mundo assim;
então,
como meus irmãos que se dizem
mais puritanos,
quando
me lanço com minhas
asas inválidade,
só vario o lugar
e o modo, mantendo todas
as possibilidades
no sonho,
na fantasia,
no amor,
na dor,
no desejo
e no consequente naufrágio!
A VERDADE SEMPRE DESMORONA COM O OLHAR SAPIENS!
Já li de tudo das geniais mentes humanas, do complexo narcisístico, das leis da física einteniana e quântica, das geometrias imperfeitas, das singularidades imprevisíveis, do amor, do desejo, do estilo, dos sonhos, e dos êxtases, do complexo de édipo e da vaidade exercida com seu poder de escolhas; Ah, enfim, já li e vi de tudo sobre o ser, e nada do que vi, no entanto, me fez sair do abismo e da escuridão de onde pressinto que surgi!
INESQUECÍVEL DEVANEIO!
Já nem me lembro do que seja um fluxo de sublime amor à nuvem: exatamente, é preciso reconhecer, agora que estamos realmente a caminho do fim, que tentamos cultivar asas, sem jamais conseguirmos deixar de sobrevoar abismos e precipícios, e que, realmente, não creio que nossas ausências nos sejam mais dolorosas que nossas ácidas chuvas; mesmo assim, amo-te de um estranho e louco amor, sem que, incautamente, jamais te tenhas percebido do essencial: era-nos necessário não só o amor, mas também o respeito, a dignidade e uma duradoura paz ao onírico leito para nos anestesiarmos, de mãos dadas, das angústias e das dores do mundo.
MANEQUIM
Foram de líquido as sublimes palavras de tua boca, por isso desaguaram nos rasos precipícios dos mares; foram de pluma os cândidos sonhos de tuas insensatezes, por isso sumiram às rajadas vazantes dos ventos; foram de reticências as pálidas tessituras de tua mente, por isso se desenharam em insanas concupiscências às telas mambembes; foram de chumbo as imanentes vesanias de teu cerne, por isso nos conduziram a torrenciais chuvas de fogo, e à odiosa e inexorável morte - em mim - de tuas faustas e infames asas.
AMOR E PAIXÃO
Por detrás do fino feltro que separa esses dois sentimentos pode-se perceber sua principal diferença; por exemplo, há beijos, abraços e embaraços que provocam delírios de amor e paixão: esta sempre a exigir, do corpo, ilustre presença; aquele a vigorar candidamente, mesmo em longa ausência.
INESQUECÍVEL
... vives aqui dentro com gosto de amor antigo, com gosto de desejo antigo, com gosto de dor antiga, e com a eterna esperança de não nos haver nova partida.
PÁSSAROS AZUIS
Voam soberbamente a colorirem os céus com suas penugens travestidas, com seus cantos hipnotizadores como que se saíssem de alguma boca cristalina, com seus rodopior misturando-se ao azul do céu e ao branco das nuvens como numa dança rítmica e perfeita de cores, fazem a quem os vê sorrir, sonhar, amar e, muitas vezes, na ardência do momento, gozar; sempre incautos, porém, de que, abaixo, bem abaixo, ao chão seco e ao pó nele contigo, estão os menos afortunados cães e vermes a chorarem!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*