Lista de Poemas

NÃO HÁ ABRIGOS PARA A HORA MORTA!

... como achar
algum encantamento neste
mundo imenso,
cheio de imagens
e de fantasias com ilusões,
com abraços, com beijos e com extasiantes
fodas,
se, em nosso quintal,
ao pé daquela solitártia e hiemal
cabaninha,
mesmo sob
chuvas, neves e pedras, nosso quintal
ultrapassava todos os limites
de qualquer cerca?
187

UM CÃO NIILISTA E UM ANJO MASOQUISTA

- Que merda, desta vez estou falando a verdade, Thor.
- Eu sei. Não tens como não falar a tua verdade.
- Como assim? Não estou entendendo.
- Deixa pra lá.
- Vontade de ir para a praia.
- Vá de coletivo.
- Como?
- De coletivo.
- Como é isso, Thor?
- Deixa pra lá.
- O que você está fazendo?
- Gozando no papel.
- Quê? Você é louco.
- Costumam dizer isso, quando leem meus orgasmos.
- Você crê no amor pelo menos, Thor?
- Querida, o erro corre sempre com o vento.
- Como? Não te entendo.
- Ah, deixa pra lá!
151

AUSÊNCIA

... depois que ela
se foi,
deixou
um rastro de luz sobre o barro
podre em que andávamos;
possuído
pela solidão, pela dor, pela saudade
e pelo desejo de a ter
novamente,
comecei
a seguir os vestígios deixados
ansiando também pela morte tão bela
e sensualizada!
168

COMO DIZEM

149

EU QUERIA PODER PRORROGAR O INFINITO DA HORA!

Eu queria poder suspender a hora,
descolorir os horizontes, desfazer as imagens
já carpidas no incendeio exangue
de um novo crepúsculo;

eu queria não ser mais nau,
embora pudesse me perder sobre a pálida
luz da lua para, quem sabe,
tentar achar tua alma
[nua] em fuga.

Sim, eu queria ter um par
de asas válidas, para flanar em ritmos
e danças, em uma puríssima
comunhão celeste,

que nos levasse a uma eternidade
que não mais hiberne, e sem que as nuvens
se evaporassem novamente às vazias
escuridões da verve!
108

AUTOSSENCIÊNCIA

Pássaros renascentistas
que louvam as próprias asas laças,
de que vos distinguis mesmo
dos cães e dos vermes,

além do fato
de que estes [sublimemente]
não vindicam a condição de filhos,
à imagem e semelhança
de um inconspurco
Deus,

enquanto voam assoberbados
por entre jardins floridos, céus angulados
e mares azulados, cravados às próprias
miragens e insanidades?
144

DA VARANDA DE MINHA CASA

165

FOGO MORTO

122

NEVASCA

170

FULGAS INTERNAS

Para mim,
os mais sísmicos abalares
entre as tênues estruturas das luzes
e as firmes extremidades
das sombras,

as mais crepitantes chuvas
entre as exíguas ilusões e os tonitruosos
ululos que saem pelas mandíbulas
transitórias dos homens

[em febres de desejos,
em trâmites de quimeras, em bordas de úlceras,
em caminhos perdidos,
enfim]

não impedem
que eles [os sapiens] se convirjam em asas,
corpos e camas, como que a tentarem
criar alguma esperança

em algo qualquer
que não mais lhes incorra em dores
e angústias, nem nos inexoráveis
silêncios das pedras.
124

Comentários (7)

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fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!