Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
- Que merda, desta vez estou falando a verdade, Thor. - Eu sei. Não tens como não falar a tua verdade. - Como assim? Não estou entendendo. - Deixa pra lá. - Vontade de ir para a praia. - Vá de coletivo. - Como? - De coletivo. - Como é isso, Thor? - Deixa pra lá. - O que você está fazendo? - Gozando no papel. - Quê? Você é louco. - Costumam dizer isso, quando leem meus orgasmos. - Você crê no amor pelo menos, Thor? - Querida, o erro corre sempre com o vento. - Como? Não te entendo. - Ah, deixa pra lá!
163
AUSÊNCIA
... depois que ela
se foi,
deixou
um rastro de luz sobre o barro
podre em que andávamos;
possuído
pela solidão, pela dor, pela saudade
e pelo desejo de a ter
novamente,
comecei
a seguir os vestígios deixados
ansiando também pela morte tão bela
e sensualizada!
179
QUEDAS, ILUSÕES, ESPERANÇAS E DELÍRIOS!
... vejam só, todos falam de ilusões, esperanças e delírios;
todos fodem com as mentes ou com os corpos em desejos estremecidos,
todos falam, como se fossem certos, do futebol, da religião e da política,
todos imaginam, com suas senciências, como seria o paraíso e o décimo primeiro mundo,
todos fazem sapos de borracha, príncipes e princesas puristas,
todos caem, embora neguem ao mundo, em profundos abismos:
o ser, como um todo, não poderá ser jamais ser definido,
211
COMO ESTÁ FRIO SEM TI!
... está orvalhadamente sombria a memória deste poeta,
meu corpo se encontra surrado e cansado pelas intempéries da vida,
meus sonhos, minhas ilusões e minhas esperanças fugira pelo caído telhado de minha cas,
fantasmas do passado, e a lembrança de ela andar ao meu lado neste reino de imagens fantásticas
me acompanham à última dança rumo a esse duro. frio e infértil chão!
118
AS PORTAS DO MUNDO!
O objetivo desse mal traçado poema é unicamente para lembrar-te que, embora nunca conseguiste me amar com as portas do mundo abertas
- como se fosse possível mantê-las fechadas, ou nos havermos como hóspedes invisíveis aos caminhos e desalinhos das estradas -,
e sem chaves ou trancas existentes para se evitarem o trânsito dos tentilhões, das andorinhas e da metaforia que se possa dizer dos soberbos sapiens;
após nossa morte por afogamento sob incontidas chuvas de fogo e ódio, sempre te devas - vez em quando - contemplar nos céus
a eterna prova do que tivemos juntos, embora jamais me tenhas acreditado: um grande e inesquecível amor às nuvens.
144
EU QUERIA PODER PRORROGAR O INFINITO DA HORA!
Eu queria poder suspender a hora, descolorir os horizontes, desfazer as imagens já carpidas no incendeio exangue de um novo crepúsculo;
eu queria não ser mais nau, embora pudesse me perder sobre a pálida luz da lua para, quem sabe, tentar achar tua alma [nua] em fuga.
Sim, eu queria ter um par de asas válidas, para flanar em ritmos e danças, em uma puríssima comunhão celeste,
que nos levasse a uma eternidade que não mais hiberne, e sem que as nuvens se evaporassem novamente às vazias escuridões da verve!
119
O ÚLTIMO TREM DE ANA
200
O VÍCIO DA VAIDADE!
Ela era uma excelente fingidora, faladora e sonhadora,
até morrer afogada na própria luz que com o verbo fabricava,
com seu dissimulado jeitinho de anjo sedutor!
180
SEM ELA
Silenciem-se os anjos do céu e os porcos do inferno,
parem os sádicos ventos e tempestades que querer correr em nossos corpos;
agora, neste último instante, sem ela, sobrevivo apenas ao preâmbulo das cinzas,
porque minha alma, sombria e destruída, já me consome antes mesmo da morte!
207
VOCÁLICOS
... tomais cuidado com os verbos voláteis, acidentais, insensatos;
expostos em ilusões perenes ou em extrusões terrenas,
porque vos digo que, na verdade, toda boca de onde se originam é suicida.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*