Berdinercio Cledimeno Chimuco Vuna (O Poeta Louco), é um escritor e poeta angolano, filho de Pierre Mangaka Vuna e Laurinda Emília Belvida Chimuco.Nasceu a 08 Janeiro 1992 (Huíla, Angola).
Um pouco do mesmo, esse retrato já foi feito, só que com personagem diferente. E se a ideia é contar uma nova história, que pintem a preto e branco, sem legenda e/ou identidade. É muita lágrima para essa aquarela em quadros tristes feito com o sofrimento da minha gente. Onde o artista retrata a sua própria história, desenhando dor, ódio e fome.
São gritos que a mão desse poeta pinta a pobreza extrema, clamando por ajuda. E pode-se ouvir em qualquer canto desse “país grande e belo”, daqueles que lhe comeram “a carne e roeram até osso”, tidos como desgraçados. Enquanto que no teatro principal, tudo é tratado por relatividade, por isso é difícil distinguir os palhaços. A galeria vai abrir de novo para os próximos cinco anos, a “força motriz” não quer saber das urnas, sem noção de que será a mais prejudicada.
Talvez o mundo seja mesmo relativo ao mundo E, relativamente a isso, Angola faz parte desse mundo Um mundo que está exatamente no fim do mundo Não é atoa que é considerado um país do terceiro mundo.
Aqui as lágrimas podem ser relativamente de felicidade ou tristeza Não há um mínimo de empatia entre aquele que vota e o que governa Por isso é relativo dizer que os LEXUS, aqui não matam à fome Antes pelo contrário, aqui à FOME é que mata.
Ainda assim “Não Amarga Nada”, “A FOME AQUI É RELATIVA” Porque essa nossa GERAÇÃO ESTUDA POUCO E POUCO TRABALHA E como consequência TEM POUCO PODER DE COMPRA Em um país onde JÁ TEM MUITA PRODUÇÃO DE BENS ALIMENTARES.“ É relativo…
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Sonho
A vida é como um sonho para cada um de nós
Um sonho que teremos de acordar em algum momento
Sem qualquer lembrança ou sentimento.
Sem noção da existência de um antes ou ilusão de um depois
É um sonho tão real tanto quanto único
Tão eu, tão você, tão MUNDO
Que não há espaço de cogitar ser ilusório
Mas que um dia havemos de despertar
E o fim dará então início a um novo começo
Uma nova história em algum lugar no tempo e no espaço
Um futuro sem um presente nem tão pouco um passado
Como se estivéssemos a começar tudo zero.
Sem antecedentes ou procedentes
Sem julgamentos ou condenações
Sem fé ou religiões.
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Saudade
Hoje, sem querer querendo, me lembrei de nós, amigo já faz algum tempo que não quero e evito a todo custo, abrir de novo essa ferida, que com certeza nunca sarou, apenas aprendi a controlar essa dor que com tempo, se perpetua em Minh ‘alma.
Honestamente, quando estou sozinho, isolado do mundo, quando estou no meu mundo, aquele em que me desligo de tudo, até de mim mesmo, é em mim que te procuro. Aproveito cada segundo, cada minuto, pareço até congelar o tempo, de tantas que são as saudades, abraço as lembranças e procuro reviver cada momento.
Eu sei que o adeus não foi para sempre, anseio poder voltar a ver-te, poder ter o prazer de compartilhar contigo, outros bons momentos, e comemorar seja lá o que for, até mesmo uma pós-vida. Sinto falta de quem já fui, sinto falta de nós, Sinto até hoje raiva da vida por ter-te roubado de mim, de nós, e de tudo que ainda estava por vir.
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A culpa é da FOME
Ousadia seria dizer que o meu(nosso) povo é gatuno E não vou aqui tapar o sol com a peneira Até porque as imagens falam por si só Pelo que podemos enxergar, a fome tem força
Não é justificável a ação tomada pelos cidadãos Tanto quanto não é fácil justificar em casa a falta de pão Um paradoxo que precisa urgentemente de solução Se não, vamos às urnas votar a favor da alimentação
Entre as várias maneiras de manifestação, essa é uma delas Diz-se por aí que a “ocasião faz o ladrão”, viu-se pelas telas O que não se ouviu em tom alto, fez-se pelo jeito mais baixo O meu(nosso) povo está esfomeado, como uma galinha só que sem o papo.
Com certeza não haverá “o banquete” para esses marimbondos A menos que contemos de grau em grau para atingirmos os milhões E mesmo assim haverá diferença entre peculato e ladrões Porque uns roubam para comer e outros para comprar mansões.
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Mesma moeda
Não há muita diferença entre nós meu irmão angolano Eu sou o jovem formado que até agora está desempregado Tu és o polícia que saiu de casa para cumprir o que foi mandado Nós somos dois cidadãos dessa pátria que sempre estarão lado a lado
Eu sou o filho da zungueira que ontem na rua foi espancado Tu és o polícia que agrediu violentamente a mulher na calçada Nós somos filho e marido dessa mãe e mulher que zunga para pôr o pão à mesa A mesma mulher que não escolheu estar desempregada
Eu sou o revu que reivindica os seus direitos Tu és o policial que obedece os decretos Nós somos as marionetes desse sistema formado por corruptos O mesmo sistema que só facilita os políticos e a nós continua injusto
Somos sim iguais
Dois lados da mesma moeda
Eu sou o jovem frustrado filho de um polícia O mesmo polícia estelionatário que ganha o salário na rua Aquela mesma rua onde escorre o sangue da minha mãe zungueira Eu e você, somos filhos de uma pátria em decadência Por causa de um sistema áspero de MERDA.
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Não Há
Ouço gritos de várias direções Ouço tiros no meio das multidões Vejo pessoas a correr sem direção Parecia até o apocalipse, afinal era apenas manifestação
Havia rostos pintados com lágrimas Outros tinham os corpos cheios de hematomas Há quem estava armado e usava botas E estávamos todos juntos numa rua que nem estava asfaltada
O seu povo apenas clama por mudanças Diziam aqueles que já estão cansados de promessas Dirigindo-se aos homens que usavam fardas Que ironicamente vivem os mesmos dilemas
Não há “um só povo” sem união Nem haverá “uma só nação “ sem compaixão E se “havemos de voltar”!? Só se for para o início onde até dividíamos o pão Mas antes porém, devemos abrir a mente e purificar o coração.
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Aqui
Só há união quando a força é medida pelo interesse Não a união e nem força para quem realmente merece O pacato cidadão é morto pelo mesmo individuo que lhe protege E ainda a quem me diz que tudo aconteceu por acidente
A hipocrisia é tão descarada e ousada que até usa farda Porque quem garante a segurança é o mesmo que outrora te assalta E só há amor ao próximo, quando o dinheiro é que fala Aqui até as crianças são intimidadas, “menino não fala política”,
Nessa terra somos coniventes do nosso próprio sofrimento O povo burro vota naquele que lhe vende a qualquer preço E de valor não vale ao esforço Porque quem governa nos falta muito respeito.
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Liberdade
Na minha terra liberdade é um luxo e custa caro Sonhar aqui tem um preço e é muito alto Por isso para alguns o único tesouro é o amor e o respeito Enquanto que para outros basta ter um fato preto e tom de pele claro O sistema da educação aqui é tão precário e debilitado Onde até a assembleia gasta o erário público com ginásio Não restam dúvidas de que o futuro está completamente ameaçado E por falar em futuro Onde a geração da utopia esvazia o cérebro para encher o rabo Talvez tenhamos um futuro sem boas recordações do passado Mas se formos livres agora transformaremos os rabos em bons quadros Liberdade é sobre vender sonhos a quem tem irmandade Gritar no Dó mais alto, no Ré(educado), no Mi da igualdade e no Fá da facilidade Só Lá veremos o ritmo da oportunidade Mas vê, liberdade aqui pode te custar muito caro Desde que não sejas uma alma que até o cérebro foi manipulado.
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Onrevog
A vida é bela para quem tem um sorriso
No meu mundo o sorriso tem seu preço
No meu mundo o amor está no avesso
No meu mundo fingir já não é segredo
Este é o mundo do mudo e surdo
O mesmo mundo do político sujo
O mesmo mundo do povo burro
O mesmo mundo do qual eu pertenço
A liberdade aqui é só, mas uma palavra
Aqui a justiça é só, para quem manda
Aqui a saúde é só, a saúde aqui não é nada Aqui é bom, se manter de boca fechada.