Nunca te aconteceu no silêncio sedutor da noite, Olhares para o fio de prumo de luz que te namora o rosto, Sem paternidade de madrugada ou de dia, E descreres de mim com um despegar lento mas feito de um transparente doloroso?...
Pergunto-te a pergunta muda e irrepetivel porque me sobra o Fumo de mais este cigarro, A subir apressado em serpente venenosa de despreocupação, A espera de nada, Mas desejando muitos tudos,
Não há riso nem portes de envio de solidão , nem sequer um adeus sacrificado quando o sol dá os sinais primeiros e últimos de ditadura dos dias sem cor,...
Só há um foste sem voltar á primeira casa do monopólio em que me tens preso para a eternidade .
Disseste que me davas o céu rasgado, desfeito até só sobrarem estrelas filhas da explosão primordial,...
A manhã rompia com uma gélida sensação de falhanço, Ao longe pequenos pontos de conformismo caminhavam irregularmente para qualquer coisa igual a ontem, E sem fim descrito em parte nenhuma,...
Conversámos até o planeta parar, Ouvia a criação presa ao invisível á espera que tudo fosse normal em sangue novamente,...
Só que das flores veio o poema, Só se me desses o luar poderia haver vida desenhada num novo entardecer, Até lá criámos o desnorte controlado pelo som dos oceanos
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No breu
podes não ser o fim, nem o meio do som construído no silêncio transparente, podes nem ser o palácio onde a compreensão reside frágil, pronta para o fim,...
mas és o quanto no meio do quando, a verdade disponível para desenhos irregulares no céu, para que alegadas visões do bem, desfaçam a primeira ideia de inferno que a noite traz, no breu....
426
Diabolização
pensar, liberto de sonhos, por cima de todos, que, sem respirar, esperam sós por limites fechados de subserviência, ao desdém dos redondos dias que se engolem, parados,...
ao sol, por momentos felizes, pensamos alto, digerimos feroz trauma de menino forte, inspiramos, suspiro de circunstância,...
rebentando,...
fazer assim de catarse do mundo, pesa no ódio, que despertado à míngua de de fases extraídas da lua ingrata, nos faz pedir, e por fim resistir, ao toque de midas do acordar tranquilo....
391
...se o tempo recomeçasse
pedrinhas soltas no fundo de uma sombra em concha de praia,
dois equívocos à conversa,
e risos,
risos de mais, com o entardecer a brisa,...
cheira a novelos de lã, com gatos escritos no desejo de
ver o tempo romanceado,
menos difícil de digerir,
e com remendos de luz a sobra da criação
dá sono às marés,...
afasta o mar até ao limite do mundo,
deixando o pé marcado no que
passou desta repetição de nós
todos em cadeia....
190
Microns de solidão
Não serei vazio de ideias em dia de gritos,
nem ponto interrogativo numa falsa discussão
de propósitos para o tempo,
tu sim,
com a culpa desta noite que não nasce
no esplendor que me mostraste,...
sou o que sempre fui no meio desta repetição
infinda de segundos,
quem observa,
quem trata de que os lamentos fiquem fechados
entre paredes de fortaleza medieval,...
por tudo o que o tempo dói a passar,
deve escrever-se para resolver microns de solidão
que fiquem espalhados pelo chão....
404
...esperar por qualquer coisa
....de todas as coisas o frio,
vestido com as pedras soltas de um
inverno despido de estórias de morte,
é o menos parecido com o que um país
sonha em cada raiar caldo de dia,...
..não fará sentido falar de metáforas desta
forma dorida,
bolorenta até,
mas se o homem evoluiu em círculos concêntricos,
o futuro será de humanidades cosidas em novelos
de expetativas congeladas,
e despidas de sentidos expectáveis e desesperantes....
173
Nuvens
....dos cães só se via o desespero, Lambiam o socorro das paredes de vielas seguidas, como se a vida escorresse num dia que eram dias de calor embrulhado em sufoco,..
do alto o sol cosia o céu a tons de carne viva,...
199
Odeio poemas
Este é o poema dos poemas Que menos poema pode ser, Só porque ser um poema, no Fundo nada tem de poema,...
Apenas porque os poemas lamentam O que de dececionante têm os poemas,..
No fundo ser um poema é talvez mesmo Um poema pela manhã,...
Já que à noite os poemas dormem, E os poetas recusam-se a fazer poemas assim.....
410
Auto-confiança em loop
Cresces dos bolsos do pessimismo, Como engulho na rotina suspiras pelo fim de mais um dia, Desejando que das árvores nasçam esconderijos subtis, Máscaras que façam desaparecer a falácia de seres um equívoco por admitir,...
Na noite, Em cada noite tudo é renovável com o som que brota das paredes fechadas, Sobre si mesmas e por cima do ser que te decalca a pele em chagas indolores,..
Podias ser diferente, Saberias ser outro assim o outro tivesse olhos transparentes de conivência,...
Não havendo isso há mais um sol, E mais outro, E outro, Até que a manhã do eterno te vista outra pele alva, e irrepetivel...
207
Catavento
desnorte de cima do norte, de dedos a música com vento de sul, e o oeste da calma, com força fraca a Leste de um sono solto de açúcar, findos fortes, mal geográfico escrito à sombra, com catavento solto,...