Nunca te aconteceu no silêncio sedutor da noite, Olhares para o fio de prumo de luz que te namora o rosto, Sem paternidade de madrugada ou de dia, E descreres de mim com um despegar lento mas feito de um transparente doloroso?...
Pergunto-te a pergunta muda e irrepetivel porque me sobra o Fumo de mais este cigarro, A subir apressado em serpente venenosa de despreocupação, A espera de nada, Mas desejando muitos tudos,
Não há riso nem portes de envio de solidão , nem sequer um adeus sacrificado quando o sol dá os sinais primeiros e últimos de ditadura dos dias sem cor,...
Só há um foste sem voltar á primeira casa do monopólio em que me tens preso para a eternidade .
Nunca te aconteceu no silêncio sedutor da noite, Olhares para o fio de prumo de luz que te namora o rosto, Sem paternidade de madrugada ou de dia, E descreres de mim com um despegar lento mas feito de um transparente doloroso?...
Pergunto-te a pergunta muda e irrepetivel porque me sobra o Fumo de mais este cigarro, A subir apressado em serpente venenosa de despreocupação, A espera de nada, Mas desejando muitos tudos,
Não há riso nem portes de envio de solidão , nem sequer um adeus sacrificado quando o sol dá os sinais primeiros e últimos de ditadura dos dias sem cor,...
Só há um foste sem voltar á primeira casa do monopólio em que me tens preso para a eternidade .
424
No breu
podes não ser o fim, nem o meio do som construído no silêncio transparente, podes nem ser o palácio onde a compreensão reside frágil, pronta para o fim,...
mas és o quanto no meio do quando, a verdade disponível para desenhos irregulares no céu, para que alegadas visões do bem, desfaçam a primeira ideia de inferno que a noite traz, no breu....
427
Diabolização
pensar, liberto de sonhos, por cima de todos, que, sem respirar, esperam sós por limites fechados de subserviência, ao desdém dos redondos dias que se engolem, parados,...
ao sol, por momentos felizes, pensamos alto, digerimos feroz trauma de menino forte, inspiramos, suspiro de circunstância,...
rebentando,...
fazer assim de catarse do mundo, pesa no ódio, que despertado à míngua de de fases extraídas da lua ingrata, nos faz pedir, e por fim resistir, ao toque de midas do acordar tranquilo....
392
Microns de solidão
Não serei vazio de ideias em dia de gritos,
nem ponto interrogativo numa falsa discussão
de propósitos para o tempo,
tu sim,
com a culpa desta noite que não nasce
no esplendor que me mostraste,...
sou o que sempre fui no meio desta repetição
infinda de segundos,
quem observa,
quem trata de que os lamentos fiquem fechados
entre paredes de fortaleza medieval,...
por tudo o que o tempo dói a passar,
deve escrever-se para resolver microns de solidão
que fiquem espalhados pelo chão....
405
Odeio poemas
Este é o poema dos poemas Que menos poema pode ser, Só porque ser um poema, no Fundo nada tem de poema,...
Apenas porque os poemas lamentam O que de dececionante têm os poemas,..
No fundo ser um poema é talvez mesmo Um poema pela manhã,...
Já que à noite os poemas dormem, E os poetas recusam-se a fazer poemas assim.....
411
Catavento
desnorte de cima do norte, de dedos a música com vento de sul, e o oeste da calma, com força fraca a Leste de um sono solto de açúcar, findos fortes, mal geográfico escrito à sombra, com catavento solto,...
de vento, de vento...
437
...quase um poema português
Era não o poema que quis, Mas o poema recortado nas pontas para caber no papel que quiseste para ele, Com as luas sujas e de luz refratária de que sempre falaste,...
E o povo sujo de imundície perfumada observando as com os olhos habituais de sonhos que nascem mortos,...
Ao fundo os sobreiros filhos bastardos e nus da terra mãe, Olhavam sem ser olhados o que não era mais que uma birra do tempo velho,..
E o amor desenhado no menino e na menina aleijados pela pobreza, Que desenhavam no céu de toalha estrelada posta uma mesa farta que só imaginavam,...
Terminado como começou, Dou-te este poema de beber, Se o quiseres multiplica-o pelo que o passar do tempo te trouxer ao acordar ..
446
Big Bang só
Dessas nuvens que não são céus mas são profissões de sumida lealdade, Desceram falos, A ideia justa do fim da humanidade, E tudo voltou ao começo,...
Com animais feitos pessoas animais, E pessoas animais desfeitas ao sol quente dos idos de um Natal arredondado,...
C hoviam nuvens de vapor cozido, Para vir a morte doce da tal explosão, Que fazia tudo voltar ao princípio, Doente, E desfasado do que acabamos de conversar em choros de bebê velho..
426
Cidade pequena
Foi o pior dia de vidas que estavam unidas, naquele corrupio de eternos anoiteceres ocorrido quando as costas se viraram. Da calma de uma praça de cidade pequena, de repente, surgiu a tempestade do saber-se que nunca mais olhares apaixonados se cruzariam. Lágrimas rolavam até se partirem, como cristais, na calçada portuguesa endurecida por décadas. Só restou a enviesada sensação de que às vezes é assim que se desfiam os pormenores da tristeza como costela imprescindível da condição humana...
407
Escrito sim, vivido não
vi gente a escrever com polegares, algarviadas, assobiadas, pela celeuma de dias pesados,...
a serem frutos carunchosos, foram polpa de sangue, porque vi desnorte, senti composições fúteis e de sentido inexpugnavelmente triste,....
li até os olhos me doerem mais que maviosos ses colaterais,....
foram tertúlias que me mergulharam para não me afogar,...
e no fim sol referente, dias que laqueavam as singelas tentativas de mudar o mundo,....
pus-me de menos por tentar cingir-me em posição de feto desiludido,...
nasceu o sol, log-off, obra fechada, e consciência morta,....
menos uma noite para despedir o mim feio e corrupto....