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n. 1976 PT PT

Jornalista, e escritor nas horas vagas. Na juventude já deu a volta ao mundo à conta da imaginação. Agora, limita-se a escrever.

n. 1976-07-27

Perfil
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Indubitável

Nunca te aconteceu no silêncio sedutor da noite,
Olhares para o fio de prumo de luz que te namora o rosto,
Sem paternidade de madrugada ou de dia,
E descreres de mim com um despegar lento mas feito de um transparente doloroso?...

Pergunto-te a pergunta muda e irrepetivel porque me sobra o
Fumo de mais este cigarro,
A subir apressado em serpente venenosa de despreocupação,
A espera de nada,
Mas desejando muitos tudos,

Não há riso nem portes de envio de solidão , nem sequer um adeus sacrificado quando o sol dá os sinais primeiros e últimos de ditadura dos dias sem cor,...

Só há um foste sem voltar á primeira casa do monopólio em que me tens preso para a eternidade .
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Poemas

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Indubitável

Nunca te aconteceu no silêncio sedutor da noite,
Olhares para o fio de prumo de luz que te namora o rosto,
Sem paternidade de madrugada ou de dia,
E descreres de mim com um despegar lento mas feito de um transparente doloroso?...

Pergunto-te a pergunta muda e irrepetivel porque me sobra o
Fumo de mais este cigarro,
A subir apressado em serpente venenosa de despreocupação,
A espera de nada,
Mas desejando muitos tudos,

Não há riso nem portes de envio de solidão , nem sequer um adeus sacrificado quando o sol dá os sinais primeiros e últimos de ditadura dos dias sem cor,...

Só há um foste sem voltar á primeira casa do monopólio em que me tens preso para a eternidade .
424

No breu

podes não ser o fim,
nem o meio do som construído no silêncio
transparente,
podes nem ser o palácio onde a compreensão
reside frágil, pronta para o fim,...


mas és o quanto no meio do quando,
a verdade disponível para desenhos irregulares
no céu,
para que alegadas visões do bem,
desfaçam a primeira ideia de inferno
que a noite traz,
no breu....
427

Diabolização

pensar,
liberto
de sonhos,
por cima
de todos,
que,
sem respirar,
esperam sós
por limites
fechados
de subserviência,
ao desdém
dos redondos
dias que
se engolem,
parados,...

ao sol,
por momentos
felizes,
pensamos alto,
digerimos feroz
trauma de menino
forte,
inspiramos,
suspiro de
circunstância,...

rebentando,...

fazer assim
de catarse do
mundo,
pesa no
ódio,
que despertado
à míngua de
de fases
extraídas
da lua
ingrata,
nos faz pedir,
e por fim
resistir,
ao toque
de midas
do acordar
tranquilo....
392

Microns de solidão

Não serei vazio de ideias em dia de gritos,

nem ponto interrogativo numa falsa discussão

de propósitos para o tempo,

tu sim,

com a culpa desta noite que não nasce

no esplendor que me mostraste,...



sou o que sempre fui no meio desta repetição

infinda de segundos,

quem observa,

quem trata de que os lamentos fiquem fechados

entre paredes de fortaleza medieval,...



por tudo o que o tempo dói a passar,

deve escrever-se para resolver microns de solidão

que fiquem espalhados pelo chão....
405

Odeio poemas

Este é o poema dos poemas
Que menos poema pode ser,
Só porque ser um poema, no
Fundo nada tem de poema,...

Apenas porque os poemas lamentam
O que de dececionante têm os poemas,..

No fundo ser um poema é talvez mesmo
Um poema pela manhã,...

Já que à noite os poemas dormem,
E os poetas recusam-se a fazer poemas assim.....
411

Catavento

desnorte de cima do norte,
de dedos a música com vento de sul,
e o oeste da calma,
com força fraca a Leste de um sono solto de açúcar,
findos fortes,
mal geográfico escrito à sombra,
com catavento solto,...

de vento,
de vento...
437

...quase um poema português

Era não o poema que quis,
Mas o poema recortado nas pontas para caber no papel que quiseste para ele,
Com as luas sujas e de luz refratária de que sempre falaste,...

E o povo sujo de imundície perfumada observando as com os olhos habituais de sonhos que nascem mortos,...

Ao fundo os sobreiros filhos bastardos e nus da terra mãe,
Olhavam sem ser olhados o que não era mais que uma birra do tempo velho,..

E o amor desenhado no menino e na menina aleijados pela pobreza,
Que desenhavam no céu de toalha estrelada posta uma mesa farta que só imaginavam,...

Terminado como começou,
Dou-te este poema de beber,
Se o quiseres multiplica-o pelo que o passar do tempo te trouxer ao acordar ..
446

Big Bang só

Dessas nuvens que não são céus mas são profissões de sumida lealdade,
Desceram falos,
A ideia justa do fim da humanidade,
E tudo voltou ao começo,...

Com animais feitos pessoas animais,
E pessoas animais desfeitas ao sol quente dos idos de um Natal arredondado,...

C hoviam nuvens de vapor cozido,
Para vir a morte doce da tal explosão,
Que fazia tudo voltar ao princípio,
Doente,
E desfasado do que acabamos de conversar em choros de bebê velho..
426

Cidade pequena

Foi o pior dia de vidas que estavam unidas, naquele corrupio de eternos anoiteceres ocorrido quando as costas se viraram. Da calma de uma praça de cidade pequena, de repente, surgiu a tempestade do saber-se que nunca mais olhares apaixonados se cruzariam. Lágrimas rolavam até se partirem, como cristais, na calçada portuguesa endurecida por décadas. Só restou a enviesada sensação de que às vezes é assim que se desfiam os pormenores da tristeza como costela imprescindível da condição humana...
407

Escrito sim, vivido não

vi gente a escrever
com polegares,
algarviadas,
assobiadas,
pela celeuma de dias pesados,...

a serem frutos carunchosos,
foram polpa de sangue,
porque vi desnorte,
senti composições fúteis
e de sentido inexpugnavelmente
triste,....

li até os olhos
me doerem mais
que maviosos ses colaterais,....

foram tertúlias que me
mergulharam para não me afogar,...

e no fim sol referente,
dias que laqueavam as
singelas tentativas de
mudar o mundo,....

pus-me de menos
por tentar cingir-me
em posição de feto
desiludido,...

nasceu o sol,
log-off, obra fechada,
e consciência morta,....

menos uma noite para
despedir o mim
feio e corrupto....

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