Nunca te aconteceu no silêncio sedutor da noite, Olhares para o fio de prumo de luz que te namora o rosto, Sem paternidade de madrugada ou de dia, E descreres de mim com um despegar lento mas feito de um transparente doloroso?...
Pergunto-te a pergunta muda e irrepetivel porque me sobra o Fumo de mais este cigarro, A subir apressado em serpente venenosa de despreocupação, A espera de nada, Mas desejando muitos tudos,
Não há riso nem portes de envio de solidão , nem sequer um adeus sacrificado quando o sol dá os sinais primeiros e últimos de ditadura dos dias sem cor,...
Só há um foste sem voltar á primeira casa do monopólio em que me tens preso para a eternidade .
vi gente a escrever com polegares, algarviadas, assobiadas, pela celeuma de dias pesados,...
a serem frutos carunchosos, foram polpa de sangue, porque vi desnorte, senti composições fúteis e de sentido inexpugnavelmente triste,....
li até os olhos me doerem mais que maviosos ses colaterais,....
foram tertúlias que me mergulharam para não me afogar,...
e no fim sol referente, dias que laqueavam as singelas tentativas de mudar o mundo,....
pus-me de menos por tentar cingir-me em posição de feto desiludido,...
nasceu o sol, log-off, obra fechada, e consciência morta,....
menos uma noite para despedir o mim feio e corrupto....
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Falésia de desinspiração
Desfazes-te do mar com um aceno, Acordaste ontem com a força de mil retornos no universo debaixo da tua convicção, E foi assim que permitiste a permissão de te desautorizares perante a morte,...
Com a chuva ácida de mil terminares do mundo, A resolução está tomada, A vida acaba com um mergulho de ave pela vida, E o regresso em mil formas de azul transparente
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Auto-confiança em loop
Cresces dos bolsos do pessimismo, Como engulho na rotina suspiras pelo fim de mais um dia, Desejando que das árvores nasçam esconderijos subtis, Máscaras que façam desaparecer a falácia de seres um equívoco por admitir,...
Na noite, Em cada noite tudo é renovável com o som que brota das paredes fechadas, Sobre si mesmas e por cima do ser que te decalca a pele em chagas indolores,..
Podias ser diferente, Saberias ser outro assim o outro tivesse olhos transparentes de conivência,...
Não havendo isso há mais um sol, E mais outro, E outro, Até que a manhã do eterno te vista outra pele alva, e irrepetivel...
211
Nuvens
....dos cães só se via o desespero, Lambiam o socorro das paredes de vielas seguidas, como se a vida escorresse num dia que eram dias de calor embrulhado em sufoco,..
do alto o sol cosia o céu a tons de carne viva,...
201
Primordial mente
Disseste que me davas o céu rasgado, desfeito até só sobrarem estrelas filhas da explosão primordial,...
A manhã rompia com uma gélida sensação de falhanço, Ao longe pequenos pontos de conformismo caminhavam irregularmente para qualquer coisa igual a ontem, E sem fim descrito em parte nenhuma,...
Conversámos até o planeta parar, Ouvia a criação presa ao invisível á espera que tudo fosse normal em sangue novamente,...
Só que das flores veio o poema, Só se me desses o luar poderia haver vida desenhada num novo entardecer, Até lá criámos o desnorte controlado pelo som dos oceanos
190
...esperar por qualquer coisa
....de todas as coisas o frio,
vestido com as pedras soltas de um
inverno despido de estórias de morte,
é o menos parecido com o que um país
sonha em cada raiar caldo de dia,...
..não fará sentido falar de metáforas desta
forma dorida,
bolorenta até,
mas se o homem evoluiu em círculos concêntricos,
o futuro será de humanidades cosidas em novelos
de expetativas congeladas,
e despidas de sentidos expectáveis e desesperantes....
177
...se o tempo recomeçasse
pedrinhas soltas no fundo de uma sombra em concha de praia,
dois equívocos à conversa,
e risos,
risos de mais, com o entardecer a brisa,...
cheira a novelos de lã, com gatos escritos no desejo de
ver o tempo romanceado,
menos difícil de digerir,
e com remendos de luz a sobra da criação
dá sono às marés,...
afasta o mar até ao limite do mundo,
deixando o pé marcado no que
passou desta repetição de nós
todos em cadeia....
194
...de azuis silêncios
fazes-me quer o sim, quer o não, talvez o possível de entre qualquer coisa para ser muito pouco de assim-assim,...
e ao anoitecer de dias infindos, perto longe das partes metades do todo que coça a noite nos rebordos do teu sorriso de dia,....
e para o fim rochas agudas em notas mudas de discos opacos de qualquer coisa para afinar portentos,......
de azuis silêncios...
209
Writing
Quero escrever, Dizer o que penso sem falar , Resumir o que inseguramente me mata o riso, Lavar a alma, Fazer o lindo abstrair se do feio,...
Quero escrever porque a vida me deve o que de belo eu sou, E o que de feio não quero nunca mais ser,
Se escrevo bem ou mal isso que digam os que vierem depois, E os que estão agora, E os que do passado me disseram a mim e outros que sim, Que continuar é desafiar tudo isto fazendo o suficiente para dormir, E regressar para mais, sempre mais,...
Passar por aqui é dizer a quem vem depois que somos o avesso do que nunca quisemos ser ...
200
Dececiona-nos
Dececiona-nos, Incentiva-os pelo medo, A soma dos percalços desta confiança é a terra a transpirar gritos indecifráveis ao amor dos mortos que respiraram o fim juntos,...
Tudo isto escrito dá os escritores amordaçados que ninguém conhece, E o respirar dos dias iguais aos minutos seguidos de segundos esganados de solidão ..