rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Poemas

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O último Carnaval 🔵

Numa cama de hospital, em 2009, eu balbuciei à enfermeira: “ano que vem, no centenário do Corinthians, vou sair pela Gaviões da Fiel, no Anhembi”. O hospital estava ficando vazio e silencioso. Era sexta-feira de Carnaval, a enfermeira, acostumada com aquele nível de delírio, achou que eu era mais um paciente com mania de grandeza, entupido de remédios. Deu um leve sorriso, fez que concordou com aquele absurdo e saiu do quarto.

***

No ano seguinte (2010), 100 anos do Clube do Povo, estávamos minha irmã, meu cunhado (de novo!) e eu, num ônibus velho, rumo ao Anhembi. O samba-enredo iria contar a história do centenário. A fantasia era um tanto ridícula, desfilar é ridículo, o Carnaval é ridículo, a Quarta-feira de Cinzas é ridícula. Durante essa festa, é permitido ser ridículo sem explicar o porquê. Pois bem, a fantasia, que parecia uma roupa de presidiário, era composta por um inexplicável chapéu e uma placa com a inscrição: “Abaixo a Ditadura”. Essa é a minha descrição; uma  descrição mais detalhada, somente com algum carnavalesco.

As alas, repletas de turistas deslumbrados, estavam apinhadas (“pois assim se ganha mais dinheiro”). Fiquei mais tranquilo: entre alegorias e adereços, eu esconderia minha falta de samba no pé. A plateia e os implacáveis jurados não testemunhariam minha súbita falta de coordenação. Eu tinha certeza, aquele ano, se a Gaviões fosse rebaixada, a culpa seria minha; se fosse campeã também, era evidente, eu seria o responsável, pois nem a comissão de frente, nem a velha guarda, nem o mestre de bateria e nem o mestre-sala davam mais o sangue pela Escola do que eu. Quase que deixei o meu sangue, literalmente, tentando compensar a cintura travada, com esforço e dedicação.

Fui escondido entre a minha irmã e meu cunhado - eu estava em convalescença -, para garantir a travessia da Passarela do Samba sem prejudicar o desfile, que foi ensaiado (pelos outros) durante um ano. Diluído na multidão de passistas, eu pude disfarçar meu molejo de japonês, “sambando”, com as palmas das mãos, ora arriscando os dedos indicadores em riste. Havia vencido aquela avenida como um detento no Corredor da Morte, mas tudo saiu bem. Ainda suspeito que a Leci Brandão pesquisou minha árvore genealógica à procura de algum afrodescendente. Vivi um dia de estrangeiro em São Paulo.

Após a manifestação artística do imaginário popular e do folclore brasileiro, experienciando e vivenciando a alegria do baluarte que é o folião... Abandonando esses lugares-comuns de intelectual da USP teorizando o Carnaval, eu só queria sair dali e tomar umas cervejas geladas até começar a Quaresma. E foi isso que fizemos num barzinho da Zona Norte, relembrando o que acontecera há minutos. 



Blog:”Gazeta Explosiva”
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Crônica de gelo e fogo 🔵

Esta crônica fala de homens disputando algo que não é palpável nesse mundo materialista. A contemporaneidade e suas facilidades não eliminaram o propósito atávico do Homem. O que fizeram vikings, visigodos, saxões, suevos e demais povos bárbaros, hoje é replicado por um bando de moleques irresponsáveis, num sábado à noite, indo pra balada. Em vez de cavalos, carros; em vez de espadas, um modesto estilete; e em vez de vencer longas distâncias para caçar, pilhar e conquistar terras, apenas sair de “rolê”.

Estávamos em três, descendo a principal avenida de Guarulhos. Tempos bicudos, quando a duras penas, uma geladíssima cerveja era parida a fórceps, com um rateio de moedas. Dinheiro curto e pavio também. É o 8 ou 80 da pouca idade, onde amigo não é aquele que separa a briga, mas sim o que aparece, do nada, dando uma voadora.

Pois bem, andando na avenida, passa um carro e alguém, lá de dentro, grita alguma coisa. Eu não sei o que gritaram, mas não deve ter sido algo muito legal. Deve ter sido um insulto, porque eu não deixei o autor sem resposta. Eu não precisava de álcool para xingar ninguém, mas, junto à criatividade e à coragem, eu já contava com o aditivo etílico. Portanto, foi fácil escolher um impropério do meu vasto vocabulário.

Quando começaram a parar um... dois... três... quatro carros, eu saquei a inconsequência do impulsivo ato. Nesse momento, na minha mente, a minha vida passou como um filme. Enquanto eu, atônito, via tudo se acabar, pra piorar, presenciava o meu exército dividindo-se. A metade covarde enfiou a cabeça entre os ombros e sumiu por anos, talvez pelo vexame de carregar, eternamente, a pedra da vergonha. A metade valente e camarada de verdade voltou, com seu velho estilete entre os dedos. Pronto, agora seríamos dois a levar uma surra histórica. Quem presenciava o que estava para acontecer já poderia telefonar para o SAMU ou o Resgate, trazendo a pá. 

O dia virou noite, a noite virou dia e ficou claro que era chegada a hora onde se revelariam os inimigos verdadeiros e os falsos amigos. Hombridade e retidão de caráter separariam homens de meninos.

Meu amigo estava se alistando num exército inferior (numericamente e materialmente), numa batalha perdida e se fosse um jogo, de derrota sabidamente iminente. Em tempos em que se prefere filmar com o celular, em vez de enfrentar a situação, esse episódio contém um punhado de valores abstratos e raros: honra, coragem, amizade... Vou parar, senão vai parecer que eu “maratonei” Game of Thrones e corri para escrever isto.

Para nossa surpresa e alívio, os primeiros a descerem do carro vieram cumprimentando, como se nos conhecessem. Fizemos o mesmo, sem saber o porquê daquilo. Aquela atitude inesperada talvez tenha ocorrido por um código de ética pela coragem demonstrada, em detrimento da covardia, do falso amigo, que se revelou.

No fim, tudo ficou na paz. Saímos ilesos, diferentemente do medroso que, para não perder o costume, sumiu de vergonha e medo.

Coragem só se mede em ambiente hostil. Cheios de confiança, fomos esvaziar umas garrafas.



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Quitutes 🔵

Talvez fosse a menor confraria/sociedade secreta do mundo. Como era tradição, meu cunhado (sempre ele) e eu fomos beber umas cervejas num inofensivo boteco pé-sujo afastado da cidade. Às vezes, vamos parar em um empório. Na minha observação de turista, esse tipo de estabelecimento é até mais a cara do interior, autêntico. O empório é muito pitoresco porque vende de defensivo agrícola a alimentos.

Foi quando ela surgiu. Como o som de um LP riscando, uma irritante microfonia ou um espelho quebrando, a... moça, interrompendo a conversa, ofereceu seus atributos femininos, como se a oferta fosse algo irrecusável. Não estávamos embriagados o suficiente, de modo que nosso senso estético obrigou-nos a declinar da generosa, gentil e explícita oferta. Traduzindo, para não tão bom entendedor: estava cedo demais para aquela coisa fofa virar uma princesa.

Não era possível permanecer no recinto. O horário e a frequência naturalmente espantavam os mais religiosos ou os que somente mantinham hábitos mais familiares. Sentimos o ambiente, outrora acolhedor, inóspito. Partimos.

Devido aos acontecimentos, a saideira tornou-se algo muito perigoso. O jeito seria trocar de boteco, abrir umas garrafas em casa (local salubre) assistindo a algum programa esportivo ou adiantar o Engov ou a aspirina e chá de boldo.

A caçadora avistou potenciais presas, talvez mais suscetíveis aos seus imaginários encantos. Pobres almas que, desavisadas, seriam vítimas fáceis da teia da “Viúva Negra” caçadora. O enganoso canto da sereia, subterfúgio da “Bruxa do Mar” encontraria terreno fértil para suas incursões erráticas. De mesa em mesa, alguém não resistiria a seus atributos e ela haveria de traçar seu destino. 

No fundo, tudo é muito patético, triste. A moça estava apaixonada pela cerveja, oferecendo o que parecia possuir de maior valor em troca de um mísero copo da bebida e, talvez também,  um punhado de salgadinho barato.  Para ela, uma vida miserável, quase sem escapatória; para nós era apenas uma situação embaraçosa, da qual a saída era a avenida mais próxima.



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“Gazeta Explosiva”
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Qualquer semelhança com a realidade é mera piada ♦️

Choveu memes sobre a ida de Bolsonaro à Rússia. Entretanto, a imprensa caiu na piada por inércia ou  querendo distorcer os fatos, atribuindo a pecha de disseminadores de “fake news” a seus autores. Nessa tentativa, alguns jornalistas conseguiram superar o chiste. A piada foi: Bolsonaro evitou a 3ª guerra mundial. 

Os memes foram promovidos a maquiavélicas montagens, enganos e indução ao erro. O que se viu foi o mau humor da guerra de narrativas e o incômodo com o rolo compressor do bom humor. O bom humor ganhou em técnica e velocidade; proporcionalmente inverso, alguns jornalistas não têm a capacidade cognitiva de distinguir o que é notícia do que é piada.

As autointituladas “agências de checagem” não perderam tempo. Sedentas por não ficar de fora da guerra cultural, fazendo questão de passar mais esta vergonha ou simplesmente revelando sua real intenção, essas tais agências trataram a brincadeira como “fake news”. Sim, com a sanha em refutar tudo que contradiga a narrativa ou atrapalhe os planos de poder da esquerda, o arsenal inimigo sempre é tratado como notícia falsa. É bem arrogante a postura de se eleger apto e necessário para julgar o que é falso ou verdadeiro; é ostensivamente arrogante meter o carimbo, peremptoriamente, estigmatizando algo, que nem sequer é uma notícia, como “fake news”.

Como vimos, alguns jornalistas não podem localizar uma vergonha, como uma pilha de roupa recém lavada, fazem questão de passá-la. E pensar que antes da internet éramos induzidos a acreditar nesse tipo de “curadoria da verdade”.

Aliás, o TSE (entre outros) ameaça regular (censurar) as redes sociais, como se a imprensa já não embrulhasse e entregasse a mentira edulcorada. As propagandas eleitorais trataram de mentir como se não houvesse amanhã: segundo a campanha da Dilma, se a Marina Silva vencesse iria faltar comida no prato da população!

Com toda essa “esperteza” na apuração dos fatos, Ari Toledo terá que ficar atento para não ganhar a seguinte manchete: Ari Toledo é o maior propagador de “fake news” e papagaiofobia, diz especialista.



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Náufragos em SP

Domingão, dia perfeito para dirigir em São Paulo. Algo que eu gostava bastante, além de fazer   me sentir mais importante que o GPS. Porém, estranhamente, eu não queria ir. Diante da insistência eu aquiesci.

Todos a bordo do veículo. A palavra bordo foi levada ao pé da letra, isso ainda vai ficar claro. O destino era o “Cirque du Soleil”, do lado oposto da cidade. Eu não entrei no circo, o Parque Villa-Lodos era suficiente.

O “Cirque du Soleil” é assim, digamos, diferente. Esse empreendimento não lembra o cirquinho de bairro nem na lona, ainda menos os artistas. A lona é impecável, esticadinha e sem nenhum furo. Os palhaços são chamados de “clowns” e, perspicazes, nunca fazem papel de bobo. Os artistas vêm de várias partes do mundo.

Eu sempre fui em circos tradicionais. Por isso, para mim, no picadeiro tem que ter macaco vestido e andando de bicicleta, elefante que chuta bola, um cachorrinho serelepe enfrentando obstáculos, domador colocando a cabeça na boca do leão, palhaço triste, mágico muito manjado e Globo da Morte. Tudo perdeu a graça depois que proibiram circo com animais. Mas foi por um motivo nobre: evitar maus-tratos. Não pode haver algo mais cruel do que retirar um leão da savana africana e obrigá-lo a morar em Diadema.

Muita coisa sempre sai diferente do ensaiado, dá errado. Desde que não seja nada sério, é o que sai mais engraçado. O elenco, que mais parece o maltrapilho Exército de Brancaleone, vive em trailers e vem de lugares como Paraguai, Bolívia e Venezuela. No máximo tem um russo, que dá credibilidade ao “Internacional” que vem junto ao nome do circo (que também é russo).

Além de tudo, o Cirque du Soleil tem que ser compreendido e interpretado, isso é muito para mim. Eu prefiro algo mais óbvio, mais Sessão da Tarde. Acho esse outro conceito de circo também muito sofisticado para mim.

“Freak Show”, Circo de Aberrações ou Circo dos Horrores, a atração era muito mais “roots”. Popular de 1840 a 1970, o “show” de gosto duvidoso (mau-gosto), crueldade e vilipêndio foi muito retratado em filmes. O Playcenter (histórico parque de diversões de São Paulo) emulou o clima dessas apresentações bizarras com a Monga - A mulher gorila. Sim, a Monga era uma moça que virava um gorila. Atraente, para os padrões da época e o baixo orçamento, a “atriz” ficava em uma tenda, atrás de grades. No início, todos ficavam só manjando a moçoila; de repente, num truque barato de espelhos, ela se transformava num horrível, nervoso e peludo símio. O, agora, furioso gorila arrebentava a grade e corria atrás dos espectadores. Eu, arrependido por não ter ido à Montanha Encantada, estava lá no meio, fugindo do macacão.

Deixando as elucubrações circenses, o retorno reservaria as emoções que qualquer circo jamais proporcionou. Ao contrário do nome “Cirque du Solei” (Circo do Sol), estava chovendo muito e era noite. Porém, como era domingo, isso não me preocupou. 

Tudo ia bem até que, início da Rodovia Fernão Dias, eu não fiz jus ao velho bandeirante e fiquei num, ainda incipiente, alagamento. Éramos seis e assim pretendíamos permanecer, de modo que o melhor a fazer foi abandonar o navio (digo, o carro).  Eu como comandante da embarcação (motorista do automóvel), não dei uma de Schettino (vada a bordo, cazzo!) e esperei todos desembarcarem (do veículo).

Parecíamos uma família de desabrigados, ensopados e debaixo da chuva, num morrinho à beira da pista e ao lado de uma favela (ou comunidade). Fiz a contagem, todos vivos. Ainda voltei para o barco (carro) umas três vezes para pegar os documentos antes que fossem parar no Rio Tietê. Já estava aguardando a visita agourenta do helicóptero do Datena, entretanto era domingo.

Voltei pro morrinho, com água na cintura, ensaiando aquele antigo discursinho: é só um bem material, você trabalha e compra outro. O importante é que todos estão vivos. Para minha surpresa, todos estavam rindo, como se estivessem curtindo aquela “aventura”. Eu até esbocei um sorrisinho, mas, definitivamente, aquela não era uma situação engraçada.

Depois disso tudo, fomos resgatados, bem como o automóvel (certo!). Chegamos, sobreviventes, em casa. O ingresso e um carro, foi esse o preço para assistir o  “Cirque du Soleil”. Foi muito caro, mas não faltaram emoções.
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Autoritarismo não é autoridade ♦️

Por mais abusiva que seja, inclusive ilegal, decisões são cumpridas, principalmente com a caneta do Judiciário. No entanto, quando as determinações dependem da colaboração internacional, o arbítrio se torna evidente.

A perseguição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, foi efetiva enquanto agiu capturando cidadãos brasileiros, aqui dentro. Durante a calmaria, o ministro prendeu, proibiu e convocou quem quis. Quando Alexandre ousou esticar seus tentáculos arbitrários, falhou.

Sua sanha arbitrária parou quando tentou deter, num aeroporto brasileiro, o norte-americano Jason Miller; as autoridades norte-americanas também ignoraram o pedido de extradição do jornalista Allan dos Santos.  Ambos os casos foram ignorados por falta de sentido, caracterizando mera perseguição política.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Pandemia), eternizada como “CPI do circo”, foi eficaz enquanto gerou manchetes e reportagens. No entanto, falhou na tentativa de render boa imagem à oposição e, provavelmente, falhará nas próximas eleições. A Comissão perseguiu, intimidou, estigmatizou e desrespeitou os depoentes que não diziam o que queriam ouvir. Resultado do “circo”: quando chegou ao Tribunal Penal Internacional de Haia, Holanda, o relatório feito por Renan Calheiros foi ignorado. A esperança da oposição é de o calhamaço ser levado a sério aqui no País.

Outro ministro do STF, Luís Roberto Barroso, resolveu travar uma guerra com o “Telegram” (rede social). Pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele enviou uma carta a fim de “regular” a rede social, para o controle (se é que você me entende) das eleições para não extrapolarem a sua jurisdição. Entretanto, os responsáveis pelo Telegram, provavelmente interpretando o caso como censura, ignoraram a missiva.

Com a tentativa de internacionalização dos desmandos nacionais, talvez percebam que algo muito errado não está certo aqui dentro. 

Certamente, somente em textos de História percebi que os interesses de grupelhos exerceram tanta prioridade em detrimento de interesses nacionais. A mentira tem perna curta.
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A cultura do cancelamento ♦️

A cultura do Cancelamento é muito antiga. Parece, mas isso não é novidade, só é mais fácil disseminar e obter maior alcance. Se não é, aqui no Brasil, o caso mais famoso, é um dos mais: Wilson Simonal. O cantor Lobão criou, ou apenas usa, o termo “simonalizar”. Lobão sofreu uma tentativa de cancelamento ou, como ele disse simonalização. Mas, também como ele diz, ele é “insimonalizável”. Cancelamento é sinônimo do neologismo “simonalização.

Wilson Simonal foi cancelado, quando esse conceito nem sequer existia. A história dele foi muito bem contada em excelentes livro e documentário. Dono de um talento sem fronteiras, Simonal foi relegado à condição de pária entre os artistas ou apenas não-pessoa. Um artista badalado, foi transformado numa alma penada.

Resumindo sua história, ele deu uma “prensa” num contador que o teria “passado pra trás”. Para isso,  contou com os “serviços” de policiais amigos e nada cordiais. Esse foi o estopim para Simonal ser tachado de informante (colaborador) da polícia. Tudo isso em pleno governo militar. Conclusão, ele foi proscrito no auge da popularidade. Um talento raro foi apagado para sempre.

Esse caso, que prova que a “cultura do cancelamento” não é uma novidade digital, embora traga muitas semelhanças (no método) com o que ocorre hoje. Para quem achava que a polarização política já tinha ido longe demais — com vírus de esquerda e remédio de direita —, isso ainda vai longe, esse é apenas mais um instrumento.

Retratado no livro 1984 (George Orwell), o “cancelamento” era um método de Estado. Consistia em apagar qualquer vestígio da existência do indivíduo que interessasse às autoridades. Hoje, a cultura do cancelamento — que não é apenas uma modinha inofensiva da internet — isola determinada pessoa, mantendo-a afastada de contratos publicitários, lugares e pessoas. Eis, novamente, alguém transformado em pária ou não-pessoa.

Essa nova (antiga) cultura é a atualização da lista negra e do enforcamento. A agonia em praça pública é o destino de quem ousou avançar os limites impostos pela ditadura vigilante e alcagueta do politicamente correto. Se fizer ou falar algo que desagrade patotas organizadas, antes você era cancelado na vida, agora você pode ser bloqueado nas redes sociais.
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A Justiça de calça curta ♦️

O advogado criminalista Alberto Toron parece, mas não é. Ele poderia ser encarado como uma vítima das “lives”da quarentena. Entretanto, durante uma sessão do Superior Tribunal de Justiça, ele recusou-se a levantar da cadeira de rodinhas para locomover-se ao fundo da sala. A câmera do computador revelou muito mais que o escárnio do advogado, exibiu, abaixo do paletó e gravata, algo muito curto, mas já sabemos que não se tratava de uma calça social, que supostamente estaria vestindo.

O traje inadequado e a preguiça, denunciada com a pusilanimidade como perambulou pela sala, são a tradução do termo sinecura (emprego ou cargo onde se trabalha pouco, mas ganha-se muito).

As escusas não ajudaram a dissipar a péssima impressão, já que ele explicou que estava vestindo apenas uma bermuda. A explicação talvez só tenha sido urdida para corroborar o descaso com a Justiça. Além de tudo, nota-se que o advogado usava sandálias. Ou seja, no conjunto, o que destoava de um traje de banho, eram apenas o paletó, a camisa social e a gravata, fora o ambiente, que deveria parecer sóbrio.

Outro que quebrou a liturgia do cargo: Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay). O advogado (caro), de gente muito encrencada com a Justiça, deve valer o que cobra, afinal frequenta o Supremo Tribunal Federal de bermuda, servindo de inspiração (ou inveja) e mau exemplo para outros advogados, como o indolente advogado criminalista Alberto Toron.

Ao adentrar uma repartição pública, todos são obrigados a obedecer um aviso rigoroso, sob pena da lei, exigindo; os trajes autorizados. Não é permitido desobedecer às normas em hipótese alguma. Aproveitando-se da cegueira da Justiça, esses advogados fazem o que querem, e ninguém reclama. O traje adequado é encarado como mera formalidade, sendo aceito muito a contragosto (por alguns). A maneira como resolvem se vestir simboliza aquela máxima: Todos são iguais perante a lei, mas uns são mais iguais que os outros.
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Chevette rodado 🔵

Têm acontecimentos que assombram o imaginário familiar e, mesmo não ocorrendo o pior, nos aconselham a não vacilar e não arriscar, não deixando a negligência, a imperícia ou a imprudência assumir o comando.

Nessa época, GPS era tecnologia da NASA. No máximo, o que tínhamos era um surrado Guia Mapograf, sendo necessário um copiloto consultando o livro. Nesse caso, somente uma bússola poderia nos orientar.

No, quase fatídico, dia saímos num Chevette pelo interior de São Paulo. Quem quiser saber o que é um Chevette — o carro com nome de travesti — é só ir ao Museu do Automóvel. Pois bem, eu pensei que meu cunhado, quem pretendia guiar (ou domar) o veículo, fosse uma espécie de Ayrton Senna, devido a presunção de piloto, mas ele se revelou um Ukyo Katayama, literalmente, “Catagrama”.

Num episódio que aconteceu tudo e não aconteceu nada, fizemos as costumeiras orações que, como sempre, foram muito necessárias. “Fé em Deus e pé na tábua”. Derrubando a lenda de que as rodovias de São Paulo são boas, essa, como exceção, além de mão-dupla, era de pista única, toda esburacada, remendada,  cheia de curvas perigosas, mato nas beiradas e tráfego intenso de caminhões. Era quase uma estrada imperial, dessas que Dom Pedro I circulava com seu cavalo (ou burro?). A chuva não era nada, para quem se comparava a um piloto de F1.

Em determinado ponto da viagem, o trânsito estava carregado, mas o comandante queria ultrapassar, de qualquer jeito. Esquecendo-se de que estava conduzindo quatro vidas, lançou mão do estilo “nóis capota, mas num breca”. Explicitando uma, antes, insuspeita inaptidão ao volante, meu cunhado perdeu o comando (que nunca teve) do carro, rodando algumas vezes. Ali, eu percebi como as bailarinas veem o mundo. Nesse dia, eu descobri que a Terra não era plana, porque se fosse, nós despencaríamos no fim dela ou pararíamos na beira do infinito. O transporte foi contido por um amontoado de feno salvador e fofo (não no sentido meigo).  Essa desventura faz eu comparar o pretenso ás do volante com o folclórico piloto japonês da Toyota.

Todos sem nenhum arranhão ou concussão e minha sobrinha (quatro anos), no banco traseiro, mantinha um inocente sono, sem se dar conta que estava a bordo de um carrossel com curto-circuito. Nós, os passageiros, pensamos que o motorista esperaria a poeira baixar, mas ele saiu em disparada. Eu já não sabia se estávamos indo ou voltando.

Naquela noite, o, suposto, piloto caiu na real e não dormiu. Eu posso imaginar ele, com os “zóião aberto” na escuridão do quarto, lembrando do risco de morte (ou de vida?) que nos expôs, pessoas de bem, cristãos e pagadores de impostos. Entretanto, ele deve ter ponderado: melhor não fechar os olhos, do que nunca mais abri-los.

Até hoje, como se houvesse uma cruz ou uma capela, ao passar pelo local, lembramos do ocorrido. E por que não recordar de onde, um dia, Deus assumiu a direção de um Chevette. O proprietário daquele carro pode dizer que levou ao pé-da-letra a frase de para-choque de caminhão: comprado por mim, guiado por Deus.
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The zoeira never ends ⚫️

Há muito tempo que todo corintiano carregava o peso e suportava chacotas por ser um time regional, ou seja, só ganhava o campeonato estadual. Essa maldição foi desfeita e o Corinthians ganhou 7 títulos do Campeonato Brasileiro. 

Estádio próprio: O Timão deixaria o Pacaembu (Saudosa Maloca), já que o estádio próprio estava sendo construído para a Copa do Mundo, então essa gozação não tinha mais efeito. 

Além disso, o time ganhou o Mundial de Clubes da FIFA, mas, segundo os adversários, não valeu, pois faltava a inédita Copa Libertadores. Portanto, aquela não seria uma simples viagem e aquele não era um simples jogo de futebol. Para quem carrega o pesado escudo do clube de coração, essa era a chance de encarar são-paulinos, palmeirenses, santistas e outros torcedores.

Com a narrativa perfeita, meu cunhado e eu partimos para o bar a fim de empurrar o time na conquista da Libertadores. Só que a decepção de iniciar com uma derrota começou a circular; a cerveja descendo quadrada, amarga, porém gelada (como o entusiasmo inicial) e os rivais começando a se manifestar, mantendo a escrita, numa perseguição que parecia não ter mais término. Porém, o golzinho achado no finzinho da partida manteve uma certa confiança na conquista e a garantia de algumas cervejas no próximo jogo.

O time foi melhorando, ganhando e convencendo. Jogando muito bem, chegou à final! Enfim, teríamos a oportunidade de cruzar torcedores de outras equipes sem sermos ridicularizados, pelo contrário, até alugando alguns. Essa era a grande chance de dominar essa “cadeia alimentar” que sempre foi cruel com nossos pais, avós e conosco,todos corintianos.

Para ver a final e comemorar, viajei. O dia da finalíssima (Corinthians x Boca Juniors - Arg.) estava ótimo. O chope no supermercado só confirmou o ambiente de Copa do Mundo.

Hoje, restam os palmeirenses a suportar as dores do mundo. Os grandes clubes de São Paulo têm estádio, títulos nacionais, internacionais e a Taça Libertadores da América, só falta o mundial do Palmeiras. Fica bem mais engraçado quando eles juram ter conquistado esse título em 1951.

Um dia eles ganham. Enquanto isso, a zoeira continua.
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