rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Poemas

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🔴 Funcionário do Mês




O comediante Paulo Vieira foi incumbido de alegrar a turma da Globo. Não precisava muito, quem estava no programa do Luciano Huck, teria que gargalhar. Isso fazia parte do trabalho. Não podemos esperar outra reação dos funcionários, onde os premiados como “Melhores do Ano” são apenas funcionários da casa. É, basicamente, uma festa de fim de ano da firma.




O piadista escolheu um repertório sob medida para agradar os chefes e, consequentemente, a trupe global, que, “acima da espinha dorsal ereta” (caráter), tem o instinto de sobrevivência de manter o emprego. É compreensível.




Paulo Vieira atendeu a claque — que, prudentemente, ria antes do início da piada. Porém, o humor televisivo está muito fraco. Os humoristas eram provocativos, sem freios e anárquicos. No entanto, hoje eles são panfletários, autocontrolados e procuram agradar ao patrão — agradar é muito diferente de fazer rir.




O humorista reuniu, como por encomenda, temas que, sem erro, agradariam: falar mal do Luciano Hang (Véio da Havan) e dos Patriotas, que acampam nas frentes dos quartéis por não aceitarem ser roubados. Na mosca! Embora previsíveis, ele arrancou risos cenográficos e aplausos entusiasmados de Luciano Huck, Fábio Porchat, Dira Paes, Marcos Palmeira, o jornalista William Bonner e grande elenco,




Tudo, é claro, não passou de uma piada. No entanto, o humorista soube selecionar os chistes que seriam aprovados pela direção e ganharam a reação esperada dos colegas. Escravo das amarras do politicamente correto e atento à política de “compliance ESG” (conformidade com o meio-ambiente, o social e o gerenciamento sustentável) da empresa, ele não ousou contar piadas ofensivas à “tchurma” e que pudessem lhe custar o emprego.

 

E assim foi mais um domingo na Globo: repleto de “Melhores do Ano” que se comportam como “Funcionários do Mês”.




Obs: engraçada ou não, é apenas uma piada. Entretanto, o humorista ganhou uma lupa ideológica. Depois da reação dos que não acharam graça na pilhéria (pelo contrário, sentiram-se ofendidos), Paulo Vieira “pegou pilha” e começou a ofender quem pensa diferente. Aí não.
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🔵 Cão

Saltitante, trotando como um puro sangue, vinha ele. Pelo negro brilhante e uma mancha branca espalhada pelo peito e as quatro perninhas compridas. Trazia uma característica respeitosa na mandíbula comprida. Merecia um nome nobre: Duque, talvez. Contudo, sua aparência inspirou, ironicamente, a abreviação do terrível pitbull. Como de costume, mas franqueando algum respeito, chamava-o de cão.




Empertigado, pelagem brilhante, mandíbula proeminente, ossatura firme, porte esbelto, um legítimo Fox Paulistinha. Seria assim que o Pit se descreveria se tivesse o dom da fala; eu também exageraria descrevendo os seus atributos se ele fosse inscrito num torneio do Kennel Club. No entanto, o meu cãozinho trazia um rato morto na boca e, pelo que eu saiba, capturar roedores não garante nenhum brinde no Kennel Club. 




Se passeasse com o pequeno cão, sei que não poderia fingir que éramos uma dupla muito perigosa (eu, lutador de jiu-jítsu e ele, um pitbull), por isso, só tinha coragem de levá-lo para tomar vacina contra a raiva, em agosto.




Pit caçava ratos e exibia-os como se alguém admirasse essa sua habilidade. Não bastasse a ausência de higiene, o animal fazia questão de mostrar o resultado de sua busca em qualquer ocasião, inclusive na hora do almoço. Sua única habilidade apreciada — embora repetida por qualquer vira-lata velho e zuado — era pegar bolinhas. Ele apenas cessava quando eu parava de chutar as esferas; pela sua incrível frequência cardíaca, tenho certeza que só desistiria quando caísse morto.




Ele não seria útil perante um cão perdigueiro ou um cão pastor. Ele não vinha de uma raça famosa como um dálmata, a Lassie, o Snoopy, o Benji, o Scooby-Doo, o Marley etc. Ele não era um bicho feroz e temido como um dobermann, um fila, um rottweiler ou um, novamente, pitbull.




Não foi nenhum animal premiado, não possuía habilidades especiais, não fazia truques e não era um bom guarda. Entretanto, era um ótimo companheiro. A maior habilidade dele era mostrar qualidades humanas. O grande truque dele viria no ato final: saudades...




O coraçãozinho do Pit parou. Não foi apanhando ratos, nem bolas.
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🔵 Ver para crer




Malas, barracas e cinco pessoas. Tínhamos o necessário e principalmente um resquício “hippie”, com algumas décadas de atraso; algum espírito aventureiro, para encarar o acampamento silvestre; e o suficiente de comida e água para enfrentar a estrada para Minas Gerais. 




Partimos, esperando encontrar uma São Thomé das Letras bucólica, cercada por montanhas, habitada por adoradores de Raul Seixas e Aleister Crowley; no entanto, o primeiro contato com a cidadezinha mística foi decepcionante: uma picape tocando algo entre sertanejo e pagode. O som alto poderia indicar que estávamos na Anhanguera, a caminho da Festa do Peão de Barretos, mas o cheiro de maconha não deixava dúvida, estávamos na trilha correta.




Chegando à cidade dos discos voadores, saquei a única “droga” que eu tinha: um CD de música boliviana, comprado de um grupo de ameríndios na Praça Ramos. As canções folclóricas automaticamente nos identificava como os mais alternativos e habilitava a frequentar as melhores cachoeiras.




A essência, o espírito de São Thomé continuava. Neo-hippies tocando Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Zé Geraldo e Zé Ramalho no violão estavam lá; o Cruzeiro ainda animava as noites, no alto da cidade; as atrações indicadas (pizza na pedra); cachoeiras; trilhas; e o camping. Havia tudo isso.




Contudo, a mesma propaganda boca a boca que despertou a minha curiosidade, transformou a cidade mineira, outrora escondida, em rota turística, digna de estrelinhas no ‘Guia Quatro Rodas’. Eu, que saí de São Paulo me achando um bandeirante moderno, um Fernão Dias do século XXI desbravando as ”Minas Geraes, decepcionei-me ao testemunhar hordas de  “playboys” a fim de “fumar um”, “encher a cara” e “pegar umas mina”.




Eu ainda esperava encontrar uma grande concentração de gênios incompreendidos por metro quadrado, vários doidos e, dizem, alguns extraterrestres. Porém, o máximo que pude achar, a olho nu, foram uns malucos que viajaram de ácido e um pouquinho de ocultismo e não voltaram.




No entanto, o Cruzeiro parecendo um trem indiano, as cachoeiras lembrando a piscina do ‘Sesc Itaquera’, o camping emulando o Parque do Ibirapuera e as filas para tudo apagaram a magia de São Thomé das Letras.




Voltamos sem experiência esotérica, sem nenhum contato alienígena, muitos turistas (iguais a nós), mas também alguns remanescentes duma São Thomé movida a ‘ayahuasca’. 




Quando a Vila Madalena parece mais mística que as montanhas de Minas Gerais, alguma coisa deve estar muito errada.
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🔵Liquidação do Mappin




Com a “roupa de sair” eu ía para a “cidade”. Cidade era como meus pais e avó (todos interioranos) se referiam a qualquer centro de cidade. Na zona rural (sítio) era assim. Com minha mãe, na São Paulo dos anos 80, eu embarcava num ônibus lento e barulhento.




O metrô sinalizava a modernidade da cidade grande e a velocidade necessária para ver um cenário que me lembrava que era Natal. Eu já tinha decorado todo o trajeto: do ônibus, do Metrô e da estação São Bento. A escada rolante, símbolo do sedentarismo, aos poucos revelava o frenético trânsito humano da Rua São Bento.




No caminho, a pé, eu seguia minha mãe, que segurava minha mão: isso me permitia olhar pra frente, pra trás, pros lados, pra baixo e, principalmente, pra cima. No Centro da capital paulista, eu via muitos edifícios que já havia visto na televisão. 




Os enfeites, as marquises das lojas, o clima (em alguns pontos) e as luzes de Natal (antes da Lei Cidade Limpa) eram o mais próximo do que via em filmes e do que deve ser Nova York. 




Entretanto, a seriedade estampando o rosto das pessoas e o mau-humor de alguns denunciavam o clima tenso que aquela urbe carregava. Os incêndios nos edifícios Andraus e Joelma e o endereço escolhido, por muitos, para encerrar a vida — devido a fatalidade do Metrô, intensidade dos veículos e altura dos arranha-céus e viadutos — pesavam o ambiente. O barulho das buzinas e sirenes, os ônibus ameaçadores e a pressa só ajudavam a tornar o ambiente mais tenso.




Como a parte ruim ainda não estava na minha incipiente e seletiva realidade, concentrei-me no ‘Mappin’ que despontava na outra extremidade do Viaduto do Chá. Anteriormente à bem-vinda invasão dós “shopping centers”, o ‘Mappin’ era um cartão-postal no Centro Novo, dominava o comércio de rua e era a referência de que havia chegado o Natal. A loja de departamentos poderia lembrar, guardadas as proporções, as grandes lojas de Nova York, exemplo: Macy’s. 




Liberado da supervisão atenta e preocupada da minha mãe, eu tinha trânsito livre no andar Infantil da loja americana. Curioso, finalmente me sentia na ‘Duncan’s Toy Chest’, loja de brinquedos dos filmes ‘Esqueceram de mim’ e ‘Quero ser grande’.




Com a curiosidade satisfeita e algumas sacolas cheias de promoções da ‘Liquidação do Mappin’, eu descia o elevador ouvindo a ascensorista, com voz anasalada e burocrática, anunciando os departamentos: Cama, mesa e banho; Esportes; Calçados; Vestuário masculino; Eletrodomésticos etc. A ansiedade para pular do cubículo lotado, só acabaria quando a entediada ascensorista falasse: Lanchonete.
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🔵 Bicicletas voadoras







Aquela gangue de moleques (com uma média de 13 anos de idade) vinha tomando a Rua 13 de Maio. Como uma nuvem de gafanhotos a turminha corria e empinava as bicicletas “cross”, típicas dos anos 80. 




O filme E.T. — O Extraterrestre, visto no cinema, não saía da cabeça e fazia tudo parecer possível. Como levantar voo com as “bikes” parecia impossível — coisa da mente do Steven Spielberg —, o máximo que fazíamos era dividirmos umas três garrafas de “Baré Cola”, que era o refrigerante que as esparsas moedas conseguiam servir aos ciclistas mirins, portanto, a tubaína que éramos obrigados a gostar. Impossibilitados de obter a água negra do imperialismo estadunidense, exigíamos, com desassombrada assertividade, a pobre bebida carbonatada tupiniquim. Abastecidos de alguns copos do refresco, desempilhávamos as “bikes” e partíamos “aterrorizando” o bairro guarulhense.




Comportando-se como uma gangue de motociclistas malvados, os garotos seguiam “ameaçando” quem estivesse na frente e “apavorando” o bairro da Vila Galvão. Saltando lombadas, guias e rampas, empinando, “fritando” o pneu e, às vezes, quase atropelando pedestres distraídos, seguiam ziguezagueando as pistas e deixando vestígios de borracha, lama, graxa, peças, pele, osso, dente, sangue ou alguém no solo. Isto são marcas de infância.




De vez em quando ficava um pouco de sangue, um dente ou algum fragmento de pele pelo caminho, ou seja, conquistávamos uma marca de combate, geralmente ficava uma cicatriz. Especialistas, tipo um dentista ou um cirurgião, podiam apagar as marcas dos anos 80. Mercurocromo, mertiolate (que ardia mais que a ferida) poderiam curar rapidamente as sequelas dos acidentes do asfalto, entretanto mal disfarçavam os machucados, quando não expunha-os mais.




O que parecia uma pequena gangue de desajustados se comportando como uma horda de bárbaros que imaginavam-se aterrorizando o bairro, eram, na verdade, um bando de garotos que tinham que “entrar pra tomar banho” e “vestir um casaco pra não tomar friagem”. Além disso, às vezes, tinham “lição de casa” ou que “estudar pra prova”.




Naquela época, eu pedalava imaginando a trilha sonora do John Willians. Quem disse que bicicleta não voa?
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🔵 Lula lá, eu aqui




Naquele dia, acordei mais cedo e tomei o café da manhã. Antes de sair, peguei uma pilha de “santinhos”. No panfleto, havia um sujeito barbudo e alguns escritos, dentre eles, um em destaque: “Lula lá”. Àquela época, ainda era romântico votar no PT e achar que o Lula significava o povo no poder.




Quem não foi socialista na juventude, não tinha coração; quem permanece socialista depois de adulto, não tem cérebro. Esta anedota talvez entregue que eu sempre fui frio e calculista. Não precisei receber boletos, nem DARF’s para descobrir que o Estado seria meu maior inimigo e as estatais são “elefantes brancos” que favorecem a corrupção e expõem a ineficiência do governo. Logicamente, eu ainda não havia estabelecido estes conceitos, de modo que fui convencer alguns eleitores, que assinalando na cédula o nome daquele cara, que eu mal conhecia, teríamos um País melhor.




Eu não sabia, mas aquela experiência tinha o potencial de alterar o rumo da minha vida. O terreno era espinhoso, de modo que gás lacrimogênio, jato d’água, cassetete, bala de borracha, algemas e camburão abririam um portal sem volta, deixariam uma ferida impossível de cicatrizar e alterariam minha incipiente personalidade para o resto da vida. Eu seria cooptado como um adepto de uma seita cujo fim é o suicídio coletivo. 




Nem a escola, nos anos 80, foi capaz de me tornar ávido por justiça social. As aulas de História e Geografia não me convenceram de que éramos todos opressores e oprimidos. A propaganda, feita por um professor, da fundação do Partido Verde não me comoveu, continuei achando o feto humano mais importante do que o ovo de tartaruga.




A contestação, causada pelo choque de gerações, aos meus pais era facilmente dissuadida com um pacote de ‘Biscoitos São Luiz’ sabor chocolate e a revolta com a Igreja Católica era aplacada com a ameaça de um deus vigilante e vingativo.




Essa opção, numa encruzilhada da vida, me impediu de virar um Che Guevara de butique, vestindo sandálias de couro e calça de algodão cru, passar as tardes na Vila Madalena me entupindo de cachaça com linguiça e achando Guilherme Boulos e Marcelo Freixo caras legais.




***




Consegui abstrair aquela situação e vi que não ornava. A estética era péssima: eu distribuindo panfletos do PT, sorrindo e sendo retribuído com indiferença. Constatando que aquilo não era pra mim, devolvi a pilha de panfletos e segui me decepcionando com a política, mas, a partir dali, somente com a direita.




A minha alternativa foi o Collor, o caçador de marajás. 




Fim.
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🔵 Carreta Furacão




A Carreta Furacão, quando surge, parece inofensiva. Apenas parece. Trata-se de um trenzinho turístico feito para alegrar toda a família, independente da idade. Tem o aspecto inofensivo porque apresenta tudo muito colorido, uma seleção formidável de personagens (super-heróis, bichos e personagens infantis sortidos) e uma seleção incrível de canções animadas. Essa fauna de animadores alegra, mas também barbariza e “toca o terror”, por onde passa.




Ao dobrar a esquina, surge o veículo encantado, espalhando alegria e “terror” nos transeuntes distraídos. Ora, quem está nos pontos de ônibus, portas de lojas ou simplesmente caminhando lentamente e cabisbaixo não espera que surgirá um Fofão, Capitão América, Homem-aranha, Goku, entre outros, completamente anárquicos.




Os animadores, devidamente fantasiados, geram um humor involuntário porque são ensandecidos. Fazem rir, porque não é todo dia que vemos uma briga de mascotes. Pois é essa cena, dentre o cardápio de travessuras, que os bonecos anárquicos proporcionam quando são soltos.




O grau de barbarização em via pública corrobora a ideia de que não é obrigatório embarcar na ‘Carreta Furacão’ para se divertir, com direito à trilha sonora infantil. Aliás, quando eu era criança, havia um trenzinho que animava o meu bairro. O mais divertido era seguir esse tipo de “trio elétrico infantil” sem pagar. A rabeira do veículo da alegria garantia uma maior interação com o Fofão, o Snoopy e grande elenco, apesar de ser um atestado de miséria.




A equipe de transição do, vá lá, governo Lula é comparada com a atração infantil. Chamada de ‘Carreta Furacão’, a tal equipe é igualmente numerosa e aleatória. Com quase 1000 integrantes, a equipe junta uma galera quase tão estranha quanto Fofão e Goku, heróis do trem, juntos.




Metendo o pé na porta, a turma do petista tem quatro vezes mais integrantes que a equipe de Bolsonaro. Portanto, tem o potencial para ser inversamente proporcional em competência e honestidade. O estrago começou antes da posse.




Uma coisa a equipe de transição do Lula e a ‘Carreta Furacão’ provaram ter em comum: são utopias que geram um riso involuntário e nervoso.
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🔵 O último jogo de futebol




Já não passaria mal. Antes, quase vomitei, depois das corridas entre defesa e ataque. Esse era meu retorno, após um período de algum grau de sedentarismo, ao futebol de meio de semana. Todo o vigor físico conquistado era confiscado na churrasqueira e no balcão do bar.




Com a mudança de trabalho, o futebol, o churrasco e a cerveja no meio da semana tiveram que ser sacrificados. Por um lado isso era bom: não precisaria mais chegar em casa às quatro da madrugada nem acordar quebrado. Aquela vida de “atleta de um único dia” havia ficado para trás. 




Domingo, novamente entregue ao sedentarismo, os amigos me chamaram para assistir à final do campeonato. Relutei, dando explicações que não pareceram convincentes. Não conseguindo aplicar uma desculpa plausível, desisti e aquiesci ao insistente convite. 




Chegando na quadra, aproximei do narrador para ver o placar da partida. Não queria acreditar no que vi: o meu nome estava escrito na escalação que o narrador consultava. Tive um misto de orgulho e frustração típica de quem caiu numa pegadinha televisiva. A solução era eu me esconder entre os espectadores. Mas não teve jeito, fui descoberto e “convidado” (mais um convite) para vestir o uniforme e entrar na quadra.




O sedentarismo causou uma incompatibilidade entre a vontade de vencer e o corpo. O cérebro estava na quadra “society”, correndo da defesa ao ataque (e vice-versa); o corpo ainda tentava se esconder entre a torcida, “assistir” a churrasqueira ou debruçar no balcão.




A minha gana de vencer sempre contrastou com outros que, ao contrário, pareciam com vontade de perder. O placar adverso refletia o ânimo da equipe, pois, já estava estabelecida a derrota. Portanto, pouco adiantou o reforço, mesmo que eu estivesse em melhor forma física.




Apesar de eu jogar apenas para dividir a frustração por perder o campeonato, cheguei à conclusão de que os tempos de “atleta” haviam se esgotado. E, para não sofrer nenhum gol, fiquei na defesa, já que eu também estava esgotado. Apenas sobrava disposição para o churrasco e a cerveja.
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🔵 Mistérios da meia-noite




Todos concordaram com aquele desafio. Talvez alguém não concordasse com a prova besta, contudo não ousou se manifestar. Aquilo era quase um clichê: entrar no cemitério à meia-noite. No entanto, mais do que ter, era preciso demonstrar coragem.




Este plano não estava incluído no rol de atividades  relacionadas a uma banda de rock. Contudo, a presença em frente à necrópole, àquele horário, instigou a triste ideia. Como ninguém arredaria o pé, perante uma plateia sedenta por localizar a covardia, todos concordaram em invadir o dormitório eterno.




O arame farpado sobre o portão denunciava a frequência do local: penas de frango enroscadas. Vencendo o portão secundário, seria muito humilhante desistir do infeliz rito de passagem. 




Andando lentamente e em silêncio, o objetivo óbvio era alcançar o meio do cemitério e aguardar para... não acontecer nada. A lógica indicava que o cemitério à noite era menos frequentado e mais silencioso. Qualquer som ou movimento que alterasse o esperado seria motivo para esquecer a coragem e correr. A interpretação imediata seria de um acontecimento sobrenatural.




As árvores secas, os monumentos funerários, algumas sepulturas precárias e as lápides lembravam que estávamos num ambiente sombrio. Os retratos e os epitáfios emprestavam uma perturbadora pessoalidade ao fúnebre “passeio”. O fogo-fátuo, embora seja um fenômeno facilmente explicável pela ciência, seria o suficiente para povoar de contornos fantasmagóricos a nebulosa excursão. O horror da expectativa era o suficiente para gelar a espinha.




Como não acontecia nada (ainda bem), a tranquilidade aparente favoreceu arriscarmos algumas estórias de terror. Fora os roedores e insetos rasteiros, nem os contos manjados causavam pânico. A atitude mais sóbria era nos evadir do local, tomando cuidado para não rasgar a pele no arame farpado.




Seria mais embaraçoso acusar o terror de ratos e baratas, saindo e entrando nas tumbas, realizando o asqueroso, embora necessário trabalho de decompor os cadáveres. Fantasmas, em comparação com os animais nojentos, seriam encarados com mais altivez e relatados com um indisfarçável orgulho.
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🔴 O MST volta a amolar




Não foi por falta de aviso. Aviso deles mesmos. O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) tem um método para realizar ataques terroristas sem ser enquadrado no crime. No entanto, Lula foi eleito, digo, “coroado” chefe do Brasil, apesar das ameaças terroristas do grupo.




É muito curioso como o MST chega nos assentamentos: picapes e outros carros. João Pedro Stédile, líder do MST, já acenava com retomada de invasões, em caso vitória de Lula. Chegou a hora.




Durante o governo Bolsonaro, o movimento resolveu suspender suas perfunctórias atividades, entrando, assim, numa hibernação compulsória e bastante oportuna. Com a tolerância zero tendo dissuadido o bando de tentar invadir propriedades, e a distribuição de terras ter feito o grupo terrorista perder a motivação, o MST não conseguiu conduzir uma turba enfurecida com sangue nos olhos e a faca entre os dentes.




Mas com a invasão-mor do PT (Partido dos Trabalhadores) servindo de exemplo, o MST está amolando os fações e foices. O amor venceu e o estímulo financeiro para colocar a justiça social em prática está chegando. Se o Lula subir a rampa, o agronegócio desce a ladeira.




Pedro Stédile e sua massa de manobra só esperou o Lula ganhar o Brasil de presente para voltar a tocar o terror. Fingindo perseguir a reforma agrária, o MST mutila animais, arrasa pesquisas e destrói plantações. A tática dos manifestantes invalida o argumento de que o grupo só invade terras improdutivas.




Jair Bolsonaro, contrariando as expectativas, realizou uma farta distribuição de propriedades rurais; essa ação desmobiliza o exército do MST. Além de impossibilitar o meio de vida de parasitas, como o Stédile, isso desmascara quem finge que luta pela reforma agrária. Resumindo: é ruim para os negócios. Se Lula não fosse conduzido à Presidência, Stédile teria que, argh, trabalhar.




Facões, foices e pedaços de madeira não são ferramentas de trabalho, são instrumentos de intimidação ou, na hora que o “bicho pega”, armas.




“Fé cega, faca amolada”.
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