O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.
Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola. Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).
No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.
A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”.
Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.
Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
Em São Paulo, eu estava atrasado e acostumado à rotina do que era o meu primeiro emprego. O ônibus velho se “esgoelava” e se arrastava até embalar. Pra minha “sorte”, o motorista era gente boa, pois dava preferência pra todos e conversava, justamente quando o aviso, recomendando o contrário, era conveniente.
Atrasado, na iminência de assinar o ponto alguns minutos mais tarde, fiscalizava cada metro vencido, comemorava (internamente) os semáforos evitados e os veículos ultrapassados. No entanto, aquele exato farol sempre fechava, retendo o ônibus por intermináveis segundos.
O semáforo finalmente abriu, mas o trânsito estava enroscado. Mesmo em São Paulo, isso não era normal naquele horário e ali. Fiz o que os outros passageiros, curiosos, já estavam fazendo: pendurei-me na janelinha e olhei. Procurei, mas não encontrei nem vestígios do acidente. O que interrompia o andamento rotineiro daquele, outrora, previsível dia, era algo que eu nunca imaginaria travando o tráfego.
Saído diretamente do ‘Show de Calouros’, programa do Silvio Santos, o jurado Pedro de Lara. Diferentemente do personagem mal humorado e ranzinza, o cabeludo parou o trânsito distribuindo alegria e espalhando carisma.
Ali é o bairro da Vila Guilherme, antiga sede do SBT, era, portanto, um acontecimento corriqueiro alguns “palhaços” escaparem do controle do “patrão” (Silvio Santos).
A minha paranoia para chegar a tempo já não tinha efeito e vendo que o espetáculo a céu aberto não acabaria tão cedo, desisti de querer ganhar tempo.
Pedro de Lara não imaginava, mas suas “micagens” já me roubavam alguns minutos e subtrairiam preciosos números na minha folha de pagamento. Suas traquinagens estavam custando caro, sendo que eu jamais pagaria ingresso para assistir ao jurado odiado. Nem sequer sintonizava a televisão no programa do Silvio Santos para ter a infeliz experiência e vê-lo de graça.
Entretanto, olhando ao redor, constatei que eu era o único que não estava extasiado por testemunhar a subcelebridade na rua. Conformando-me com a situação, resignei-me e esperei o término daquele triste showzinho.
Finalmente, o ônibus seguiu viagem. Eu desisti de supervisionar a velocidade do coletivo e relaxei até o ponto final com uma justificativa, paradoxalmente absurda, mas plausível.
Depois do entretenimento “gratuito” e depois de sua morte, o ator ficou “cult”. Nunca mais lamentei parte do ordenado que iria perder e até me orgulho da inesperada apresentação.
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🔴 Veja bem...
Desastrosa foi a visita dos ministros da Fazenda e Meio ambiente, Fernando Haddad e Marina Silva, respectivamente, a Davos, Suíça. Acredito que o cacoete de eternos oposicionistas prevaleceu. Então, o que vimos foi gente que tinha a obrigação de “vender” o Brasil, pelo contrário, falando mal do País. Isso mantém os investidores muito longe.
Haddad, “traduzindo” sua infeliz fala, recomendou evitar nosso país. Confessou que ele mesmo evita a alguns produtos brasileiros. Para um ministro da Fazenda, isso é espantoso! Duvida? É verdade. Vergonha internacional. É nisso que dá se preparar para falar apenas o que querem ouvir.
Marina Silva mentiu sem noção de proporção. O aspecto sempre carregado daquela estética terceiro-mundista sul-americana que tanto encanta a Europa, intelectuais e quem quer pertencer a um grupinho quer se acha o “farol da Humanidade”. A ministra mentiu quando “chutou” que o Brasil tem 120 milhões de pessoas passando fome. Bem... se ela disse isso antes do almoço, a afirmação é factível, e eu facilmente poderia ser contabilizado. A aparência dela ajuda muito a emprestar credibilidade aos absurdos números. A verdade é que os “dados” não resistem a um simples “Google”.
Quaisquer políticos distribuem números falsos, quando a própria pesquisa não é fraudada. Lula, em célebre “momento sincerão”, confessa como ía, pelo mundo, distribuindo estatísticas aleatórias sobre nossa miserabilidade. Marina, que chamava Lula e o PT (Partido dos Trabalhadores) de corruptos, aprendeu e se tornou igual aos que criticava.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destreinada e desacostumada, travou na hora de sua coletiva de impressa. Ela nunca saberá, mas pode contar com minha solidariedade. Guardadas as devidas proporções, eu já passei por isso muitas vezes. Na escola, às vezes eu tinha que apresentar um seminário sobre algo que não tinha sequer ouvido falar: mitocôndria, fagocitose, eucariontes ou platelminto. Diferentemente da ministra, eu sempre disfarçava e segurava a cartolina.
O PT sempre sobreviveu de aparências. Entretanto, com a memória do YouTube, podemos lembrar que as aparências enganam.
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🔴 Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim
A discussão quanto a vândalos infiltrados, no quebra-quebra dos Três Poderes é inócua; assim como é infrutífero o debate. É clara a conclusão de que até um destacamento dos Escoteiros Mirins estaria de prontidão no dia oito de janeiro. Assim como a invasão ao Capitólio, nos EUA, aquilo convinha acontecer para o ministro da Justiça desmobilizar o acampamento e o governo começar a “caça às bruxas”.
Cesare Battisti, ex-ativista e eternamente terrorista do Proletários Armados, conseguiu tomar algumas cervejas e caminhar na praia até sua prisão, em 2019. Demorou, mas o terrorista admitiu o mal que fez no passado e foi “devolvido” para cumprir pena na Itália. Em tempo: Cesare estava foragido no Brasil, por participar do assassinato de quatro pessoas na Itália.
A mesma sorte não teve uma idosa de 74 anos. A vovó inaugurou a Gulag (campo de concentração soviético) particular do Lula (Lulag). Esta senhorinha foi enquadrada como, acreditem, terrorista. É um currículo turbinado para quem imaginava chegar a essa idade, no máximo, tricotando um casaquinho para seu netinho. A anciã não parece reunir forças para arremessar um objeto, no máximo derrubar algo como um copo. A partir de agora, vou levar a sério quando disserem: terrorista é a vovozinha!
O acontecimento, que parece saído da mente de Gabriel García Márquez, lembra uma cena hilária doe um filme. De humor escrachado, a obra mostra alguns passageiros, sendo liberados para embarcar evidentemente armados e, portanto, carregados de péssimas intenções; enquanto isso, uma velhinha é brutalmente dominada, como se representasse risco iminente ao voo. É lógico, tratando-se de uma comédia escrachada, a cena é inusitada, absurda e exagerada. Entretanto, de acordo com os ocorridos em Brasília, o filme clássico poderia inserir o aviso: Baseado em fatos reais.
Concordo que os responsáveis pela destruição em Brasília têm que ser identificados e punidos; mas somente os vândalos. Não podem recolher idosos e crianças como numa pesca de arrasto. Usando a tática “Black Bloc”, esquerdistas escondidos em capuzes, destroem, incineram, ferem e matam, no entanto, são tratados com o eufemismo: minoria infiltrada.
Para quem pergunta: E o piloto? Eu respondo: Sumiu.
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🔴 Jesus e o demiurgo — O santo do pau oco
Luiz Inácio Lula da Silva contracenou com uma imagem de Jesus Cristo. Na produção cinematográfica, Lula troca uma ideia com a imagem. Sabendo que, para ele, não teria resposta, ele prometeu uma força-tarefa para mudar o Brasil. Sei... Quando o petista mente mais, fingindo fé ou desejando o bem do País? Como a intenção era só enganar, pouco importa as blasfêmias, o que realmente importa é que tudo foi registrado e divulgado. Essa representação tem um grande potencial de render votos. No fim, basta causar o mesmo efeito da picanha.
O vídeo foi tão espontâneo, que foi postado nas redes sociais para todos verem como ele é religioso. A religiosidade de Lula é tão autêntica quanto uma cédula de três reais. Deveria ter sido comovente, mas foi “fake”.
O ex-presidiário já se comparou ao próprio Jesus Cristo (várias vezes), Tiradentes, Nelson Mandela e Mahatma Gandhi. Quem é que falta? Se Lula rebaixou Deus a sua imagem e semelhança, em termos de megalomania, não consigo imaginar ninguém. Quando ele foi comparado a figuras como José Mujica, ex-presidente do Uruguai, beleza. Eu mesmo vejo semelhanças entre a dupla.
Curioso mesmo, foi Lula enxergar semelhanças com Jove da novela Pantanal. Sem uma lúcida e atenciosa curadoria feminina, aí já é demais. Seus poderes transcendentais são nulos, entretanto seu “déficit” estético é patente. Alguém que realize uma solitária sinapse vê que não tem nada a ver. Até a Janja diria: Não dá, você passou de todos os limites.
Voltando à recepção da estátua sagrada no Palácio do Planalto, Lula, cuidando para que imagem e som fossem captados, mirando a representação, disse: “Juntos, vamos mudar este país”. Se ele não estiver se referindo à Venezuela, à Argentina, à Bolívia ou a Cuba, já é uma evolução. Mas, calculando o narcisismo do demiurgo, eu acredito que ele propôs a difícil tarefa relegando a Jesus um papel secundário.
Contudo, se depender da fé comprovada pelos reais patriotas, a salvação do Brasil já foi pedida diretamente para Ele. E, pelo que sei, Lula terá que ser mantido afastado dessa salvação.
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🔵 Críticos de cinema
“Influencers” especializados em comentar filmes fazem excelentes análises. Enxergam o que o diretor quis dizer com determinada cor, mensagens subliminares embutidas em falas, nuances psicológicas, referências históricas, literárias ou da arte popular.
Depois desses vídeos, recolho-me à minha insignificância cinematográfica. Eu, que mal recordo os nomes dos principais personagens, admiro destrinchamentos tão detalhistas. Entretanto, após décadas de entendimento da malandragem humana, sei que é raro alguém que, do próprio raciocínio, faça uma análise tão profunda e detalhada, por mais “nerd” que seja. Então, algumas características recorrentes, facilmente, levam a crer que um copia o outro.
Fiquei curioso em descobrir qual é a fonte primária, ou seja: quem é o proprietário da mente brilhante que produz descrições tão profundas, detalhadas e cheias de referências? Apesar de jovens, os influenciadores são capazes de descrever visões que só podem ter existido na cabeça do diretor ou em uma mente doentia. Eu continuo tentando entender o básico.
A única coisa que me interessa nesses vídeos é o “spoiler” (revelação de fato a respeito do filme). Todos evitam o “spoiler”, porém, é justamente a palavra maldita que aumenta minhas esperanças de entender algo. Conclusão: o que afugenta os outros, pois é um verdadeiro estraga prazeres, para mim pode ser a solitária esperança de entender uma história. Se eu tropeçar num “plot twist” (virada no enredo), no entanto, tudo volta a enroscar.
Para mim, um filme que exija do espectador um QI equivalente ao utilizado para ler um livro, merece ser desprezado. Comédia, terror e ação são os gêneros mais previsíveis, por isso são, não por coincidência, meus preferidos.
Assisto a explicações embasadas em aspectos da psiquê que, imaginava, somente um especialista consiga enxergar. Contudo, eu me considero apto a interpretar um filme do Rocky Balboa ou do John Rambo, quando um soco significa um soco e bombas, tiros e facadas produzem cadáveres ou, no mínimo, ferimentos graves, respectivamente.
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🔵 Perdeu, mané
Trabalhando em deslocamento por todas as regiões de São Paulo, era normal eu ir parar num bairro “proibido”. Um território inóspito, o fundão de um ônibus biarticulado, uma camiseta polo com a logomarca da empresa que eu trabalhava e um relógio ostensivo (como os do Faustão), a curiosa e perigosa configuração deve ter me destacado no campo de visão do ladavaz que embarcou no transporte coletivo. Analisando bem, deveria ser o fim de expediente do “senhor ladrão”, mas a ocasião lhe parecia bastante favorável. Não poderia haver cenário mais convidativo para eu exercer o único papel que, antes nunca do que alguma vez, me cabia: vítima.
Antes, o malfeitor resolveu espalhar o terror nos outros infelizes passageiros. Finalmente, a dupla (havia um ajudante) quis socializar o meu relógio. Dando uma de malandro (igual o Luís Roberto Barroso em Nova York), “negociei”. Esgotadas as possibilidades de o meliante seguir um caminho correto, começar a frequentar uma escola ou visitar a biblioteca, não fui bem compreendido, nem bem “atendido” pelo indivíduo, portanto, entreguei o relógio que comprei num camelô.
Se quem quis levar a vantagem era o ladrão, logo eu só poderia estar fazendo o papel de mané. Sim, mané sempre foi sinônimo de otário. É a vida, ao menos eu continuava sendo honesto, e isto é um valor que não se costuma encontrar no fundo de um ônibus.
Entretanto, uma dúvida poderia inverter os papéis: eu paguei barato no relógio vagabundo sabendo que o produto estava sendo adquirido em uma banca de camelô, portanto era falso; enquanto, o ladrãozinho roubou o relógio achando que estava tomando algo valioso e obteria um bom lucro ou algumas pedras de crack.
Sei que relógio que atrasa não adianta, mas aquele acertava pelo menos duas vezes ao dia. E a sensação de ser assaltado nunca será boa. Embora, esta triste experiência seja comum numa metrópole como a paulistana, este foi meu único e barato episódio.
A súbita hora extra e aumento da jornada de trabalho foi improdutiva e pessimamente remunerada. Aquele crime não compensou.
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🔴 Simão Bacamarte
Saiu um novo pedido de prisão de Alexandre de Moraes. O aviso consta na página do Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP). Curiosamente, o Mandado de Prisão foi expedido pelo próprio ministro. O documento é falso, claro.
O texto ostenta uma pompa, falsa erudição e arrogância típica dos documentos jurídicos, portanto, poderia ser escrito pelo magistrado. Embora plausível, a “brincadeira” deve ter sido executada por um “hacker”.
Texto: “De todos os inquéritos de censura e perseguição política, em curso no Supremo Tribunal Federal para o CNJ, a fim de que me punam exemplarmente. Diante de todo o exposto, expeça-se o competente mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o L”, diz trecho do mandato de prisão falso.
Sem muita atenção, nota-se a inteligência e o humor do “hacker”. No entanto, depois de descoberto, o sujeito será preso. Tudo o que envolve cadeia, atualmente, é um mistério. Advogado (com acesso aos autos), Estado Democrático de Direito e Constituição, esqueça. O máximo de direito que um preso político consegue é uma tornozeleira eletrônica.
O destemido “hacker” deve ter um diferencial: é letrado. É fácil constatar isto: o trote jurídico pode ter inspiração no conto de Machado de Assis ‘O Alienista’. Nesse conto, Simão Bacamarte, o alienista, é um médico de loucos que, em nome da Ciência, prende no manicômio todos que julga serem loucos. Arrogante, exercendo uma suposta ciência, acaba confinando a si mesmo como louco. Justo.
Qualquer semelhança com a coincidência é mera realidade. Todas as vezes que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) aparece, nos brinda com um discurso ameaçador. Somando a voz arrogantemente impostada, as ameaças e a gargalhada malígna, ele me lembra um vilão caricato de filme de super-herói, dos anos 70. Esses que planejam dominar o mundo do começo ao fim do filme. Este tipo de personagem sempre encontra um fim trágico.
Entretanto, embora não pareça, estamos vivendo o que chamam de realidade, e neste contexto o “hacker instruído” passará alguns dias numa cela fria, lotada e sem cigarros. Ah, sem direito de acesso aos autos.
43
🔵 Casa Maluca
Eu sou tímido o suficiente para odiar “participar” de um espetáculo de auditório — daquele tipo que seleciona um “voluntário” para pagar mico e concentrar os risos e gargalhadas armazenados. Minha constatação prévia: alguém da plateia será capturado para bancar o panaca, enquanto o “Zé Graça” sai como o “bonzão”.
Como perdido do bando, desgarrado e atraído, resolvi entrar naquele “brinquedo” misterioso e sem fila. No Hopi Hari, era raro encontrar uma atração que não combinasse altura, velocidade e longas filas. Pois bem, curioso, adentrei o recinto.
Olhando, a casa é totalmente torta e tudo parece na iminência de um acidente. O apresentador, treinado para ser um animador, animadamente me chamou para desafiar a gravidade na Casa Maluca. Sucesso. Sem sequelas.
O apresentador emendou outro truque da magnífica residência. Eu já estava menos assombrado com o público olhando fixamente para mim. A sensação de que todos esperavam o meu erro já havia passado, isso hipertrofiou a minha confiança.
Fui convidado à mesa de bilhar. Esquecendo-me que estava na ‘Casa Maluca’ e que algo incrível estava para acontecer, tentei fazer o que sabia: mirei a caçapa do canto direito, golpeei a bola branca, a bola branca pulou e empurrou a bola que sumiria na caçapa e...
As três bolas escorreram para a caçapa contrária e, como num sumidouro, foram embora, frustrando as expectativas de uma audiência atenta. Pronto, eu acabava de arruinar a brincadeira. Com a impossibilidade de me assassinar, o animador esboçou um sorriso e se esforçou para puxar uma salva de palmas para mim. Eu fui brindado com aplausos esparsos e sem empolgação. Nessas alturas, já havia desistido de reivindicar o meu prêmio.
Embora eu tenha desvendado as leis da física, bancando o Mister M, não me orgulhei daquele papelão. É claro que agora eu sei que fui selecionado para participar daquela farsa e interpretar a palhaçada toda. Era esse o papel esperado na ‘Casa Maluca’: causar a ilusão de que ali dentro a Lei da Gravidade fora revogada.
Eu já havia me livrado da “atração”. Entretanto, aquela aventura jamais foi esquecida, de modo que eu saí da’Casa Maluca’, porém a ‘Casa Maluca’ nunca abandonou a minha mente. Depois que atravessei aquela porta, nunca mais fui o mesmo: Será que a casa era maluca ou eu era o maluco?
51
🔴 Vai, ladrão
No livro ‘1984’, de George Orwell, a novilíngua representava esta técnica de dominação através da linguagem. Quando algum ministro petista inicia um discurso agradecendo a “todes”, mesmo sabendo que o vocábulo não existe, está dizendo “agora quem manda é a gente” e fingindo uma inclusão.
Em 2007, na sua segunda chance, Lula foi vaiado no Maracanã. Porém, como disse Nelson Rodrigues, ali vaiam até “Minuto de Silêncio”; em 2022, no Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, cantaram a musiquinha do “Lula na prisão”. Oportunamente e rapidamente, ele “explicou” que as arquibancadas da F1 eram formadas por gente rica. Apesar da gente rica fazer parte do povo, a explicação foi aceita; no velório do Pelé, terceiro dia da ocupação do petista, novamente, foi recebido com o veredicto popular. Até o momento não foi criada nenhuma justificativa.
O avião da FAB (Força Aérea Brasileira) decolou levando Lula. Levou também um sonoro “Vai, ladrão”, captado pelo microfone da torre de controle de tráfego aéreo. O ilustre passageiro não ouviu, mas tomara que, contrariando o seu histórico, o evento não contribua para aumentar o desemprego.
Estão abertos quatro longos anos de mentiras, bravatas e sinalização de virtude que enganaram e, infelizmente, seguirão enganando os incautos, distraídos e pilantras. Já teve quem, com sinceridade ou oportunamente, se arrependeram. Tarde demais. Missão dada, missão cumprida.
Algum alento é que o ex-presidiário será perseguido pelo mantra, “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”. Não adianta, esse mantra ecoará aonde o usurpador for e onde ele se esconder. Esconderijo eficaz como as urnas, que registraram 60 milhões de supostos eleitores que se mantêm calados. Aliás, eleitores do Lula: onde vivem, como se reproduzem, do que se alimentam? Essa abstração, que seria a maioria esmagadora que elegeu Lula não se contrapõe aos que não aceitam ser governados pelo ladravaz. Pessoas que jamais foram vistas em comícios ou quaisquer aparições públicas.
Só aparece gente que não fez o “L”.
67
🔴 Sai Pelé, entra Lula
Dia 29 de dezembro eu estava assistindo a um programa de política. É lógico, o assunto Pelé tomou de assalto qualquer pauta, como deve ter acontecido inclusive nos programas de culinária. Pois bem, eu estava vendo Pelé, de repente entra Lula no vídeo. Eis o anticlímax.
Como se de fato fosse um rei, o Rei exercia as funções de um chefe de Estado, “abrindo portas”, representando nossa excelência e ideais; como se fosse um chefe de governo legítimo, Lula chefia o Executivo e assina papéis priorizando o “establishment”.
Para quem já esteve no exterior, era um orgulho falar que vinha do país do Rei; enquanto a simples menção do nome do ex-presidiário virou motivo de vergonha. Quando quaisquer times perdiam para um adversário do qual Pelé fazia parte, era legítimo; agora, se você for derrotado pelo Lula, suspeite de métodos sub-reptícios e ouvir, repetidas vezes, “perdeu, mané”. Dependendo do personagem (Lula ou Pelé) as palavras “jogada e drible” tem sentidos diferentes. Pelé vencia por meritocracia, porque era o melhor; Lula vence com uma mãozinha, com um jeitinho, cheio de malandragem e subterfúgios. A palavra “Pelé” abre sorrisos; a palavra “Lula” provoca risadas. Sabemos alguns defeitos do Pelé, isso o torna humano; também sabemos alguns defeitos do Lula, isso o torna desumano.
Para quem não era nascido quando Pelé jogou (ganhou), é comum herdar o testemunho paterno. Os avôs também são testemunhas privilegiadas. Contudo, esta experiência tende a ficar mais rara.
Pelo menos, numa coisa Lula foi maior que Pelé: o Rei destruiu o meu Corinthians; Lula destruiu o Brasil. Pelé tem valor, Lula tem preço.
Pelé foi o brasileiro mais ilustre, Lula é — na minha insignificante opinião — o brasileiro mais desprezível de todos os tempos.
Sai Pelé, entra Lula: esta foi a nossa mais injusta e triste substituição.