rafaelgon

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n. 1998 BR BR

Rafael Fernandes Gonçalo. A existência é sublime, e ao mesmo tempo propositada.

n. 1998-10-26, Brasília

Perfil
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Primeiras Impressões

Por que minhas mãos estão trêmulas antes desse encontro? 
Qual o motivo de sua escolha, o que eu despertei para prestigiar essa companhia 
Sem jeito, não existindo mais adiante, enganei-me que nada constante
Caindo tarde, caindo noite 
Eu bobo, mas não da corte 
Paixão fortalecida por sua essência de cheiro tonteante 
Logo me acolhi, montei uma morada por ali
Estava pronto pra espetar ali a minha casa
O local era mais do que confortante 
E com meus dedos eu deslizava sobre sua pele suavizada de harmonia
Me sentia boiando em um mar de maravilhas 
Com paisagens, folhas, e sinergia 


- Rafael Gonçalo
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Poemas

16

Perguntaram a mim

O que é trabalhar no bar?
Digo que atrás do balcão o que se guarda é suor 
No exterior do salão, o vazio em forma de álcool submete as almas em prisões 
As ruas ausentes de luz indicam uma volta embaraçosa e um destino cansativo
No travesseiro me debrio com os olhos pesandos e logo penso:
Amanhã abrirei os cadeados de uma loja, não do meu lar, nem os que estão na alma
- Rafael Gonçalo
350

O ócio moderno

Minutos são inclusão carnívora
De algazarra para chalé
Elementos básicos formam uma tabela metódica
Dias corridos e monótonos
Retiro o cadeado azul,
Guardo o amarelado,
Calculo sobre leves pressões pedaços de papel,
Enumerados de suor e ganância 
Me sinto comandado por comandas,
Rudez em forma grisalha exigiu tudo

- Rafael Gonçalo
311

Os longínquos danos do pensamento humano

Tornar-se responsivo ou delongado?
Carregar um punhal ou credulidade?
Conheça a trindade, sui generis
Mantenha o singular ou a pluralidade?
Irá limitar-se em momentos cúbicos
E se resumirá com 6 faces e a 8 vértices?
Associal ou bem relacionado?
Açúcar na ferida salgada
Admita ou não
Vocês usam quantas camadas para alquimiar sua verdade nessa procura rasa de aplauso?
Eu não sou, com austeridade digo, não sou
"Visão de onde vim,
antes de ir para onde vou,
Mas para onde eu vou?"


                                                                                  - Rafael Gonçalo
459

Lado norte

Naquelas calçadas desordenadas,
Tinha água, peles misturadas
Com orquestras de risadas
No vazio, algum ar de esperança havia
Fugiriam das casas se pudessem, acredite
Algo que nunca foi conhecido era esperado
O que fazer com uma parcela de ganhos
Aquela parcela luta, sofre e se reduz
Sonha mais que qualquer criatura
Uma faca de dois gumes foi atravessada naquela rua
Quem morava ali, voltava com o pão quente de cabeça baixa
E o consumiu, logo ele seria tomado pela frieza do ambiente

                                                                                         
                                                                          - Rafael Gonçalo
461

Nós seremos números?

Amor como equações diferentes 
Ações e instintos derivados, maiores que continentes
Não cabem em lugar algum
Me pergunto mais sobre o tamanho dele do que de um céu azul qualquer
Simplicidade é efêmera como o barulho do talher de minha companhia na mesa
Estou acompanhado
Rostos grudados em temperatura agradável
Amor tão extenso e complexo como símbolos inexplicáveis
Somos x e y ,
Equações resolvidas, resultados divididos


- Rafael Gonçalo
510

Culto à máquina de fazer espanhóis

Vende padrão, repressão
Venda nos olhos, venda meus ideais 
nos reprimem como animais
Enjaulados dentro de casa,
Discordou, somos caça
Decompondo com o relógio
Quanto trauma Antonio
Quanto ódio 
Recompondo lembranças 
Lamentando cobranças 
Esquina vazia, nenhum direito em dia 
Nem santo, nem oxalá 
Sangue frio, corram de Salazar 
A ceia com um só lugar, um só assento 
Os que estão no podium? Possuem armamento 
Linguagem suburbana, humaniza 
Sociedade sub humana se desliza 
Fico aqui nesse cantinho, envelhecendo 
Aqui dentro, âmago remoendo

-Rafael Gonçalo
446

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