Lista de Poemas

Entrelinhas/Entre nas linhas

Avante a palavra cortante como a tua
Me deixaste na rua, o barco já nem flutua
Manda teu sumiço repentino refletir
Tu fostes, e sem exaurir
Nada de surpreendente, o fardo seria meu
Nada teria de terminar
Atravessado na tela clara do aparelho, com o omoplata dolorido
E com as palpitações banhadas de desespero
Sempre tive a sapiência que teria de engolir partida
Silva é derivado de floresta
Nos domingos me debruço de testa naquela aroeira 
Nada mais interessa
- Rafael Gonçalo
365

O ócio moderno

Minutos são inclusão carnívora
De algazarra para chalé
Elementos básicos formam uma tabela metódica
Dias corridos e monótonos
Retiro o cadeado azul,
Guardo o amarelado,
Calculo sobre leves pressões pedaços de papel,
Enumerados de suor e ganância 
Me sinto comandado por comandas,
Rudez em forma grisalha exigiu tudo

- Rafael Gonçalo
305

Lado norte

Naquelas calçadas desordenadas,
Tinha água, peles misturadas
Com orquestras de risadas
No vazio, algum ar de esperança havia
Fugiriam das casas se pudessem, acredite
Algo que nunca foi conhecido era esperado
O que fazer com uma parcela de ganhos
Aquela parcela luta, sofre e se reduz
Sonha mais que qualquer criatura
Uma faca de dois gumes foi atravessada naquela rua
Quem morava ali, voltava com o pão quente de cabeça baixa
E o consumiu, logo ele seria tomado pela frieza do ambiente

                                                                                         
                                                                          - Rafael Gonçalo
456

Os longínquos danos do pensamento humano

Tornar-se responsivo ou delongado?
Carregar um punhal ou credulidade?
Conheça a trindade, sui generis
Mantenha o singular ou a pluralidade?
Irá limitar-se em momentos cúbicos
E se resumirá com 6 faces e a 8 vértices?
Associal ou bem relacionado?
Açúcar na ferida salgada
Admita ou não
Vocês usam quantas camadas para alquimiar sua verdade nessa procura rasa de aplauso?
Eu não sou, com austeridade digo, não sou
"Visão de onde vim,
antes de ir para onde vou,
Mas para onde eu vou?"


                                                                                  - Rafael Gonçalo
454

Culto à máquina de fazer espanhóis

Vende padrão, repressão
Venda nos olhos, venda meus ideais 
nos reprimem como animais
Enjaulados dentro de casa,
Discordou, somos caça
Decompondo com o relógio
Quanto trauma Antonio
Quanto ódio 
Recompondo lembranças 
Lamentando cobranças 
Esquina vazia, nenhum direito em dia 
Nem santo, nem oxalá 
Sangue frio, corram de Salazar 
A ceia com um só lugar, um só assento 
Os que estão no podium? Possuem armamento 
Linguagem suburbana, humaniza 
Sociedade sub humana se desliza 
Fico aqui nesse cantinho, envelhecendo 
Aqui dentro, âmago remoendo

-Rafael Gonçalo
441

Nós seremos números?

Amor como equações diferentes 
Ações e instintos derivados, maiores que continentes
Não cabem em lugar algum
Me pergunto mais sobre o tamanho dele do que de um céu azul qualquer
Simplicidade é efêmera como o barulho do talher de minha companhia na mesa
Estou acompanhado
Rostos grudados em temperatura agradável
Amor tão extenso e complexo como símbolos inexplicáveis
Somos x e y ,
Equações resolvidas, resultados divididos


- Rafael Gonçalo
506

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments