Lista de Poemas

Primeiras Impressões

Por que minhas mãos estão trêmulas antes desse encontro? 
Qual o motivo de sua escolha, o que eu despertei para prestigiar essa companhia 
Sem jeito, não existindo mais adiante, enganei-me que nada constante
Caindo tarde, caindo noite 
Eu bobo, mas não da corte 
Paixão fortalecida por sua essência de cheiro tonteante 
Logo me acolhi, montei uma morada por ali
Estava pronto pra espetar ali a minha casa
O local era mais do que confortante 
E com meus dedos eu deslizava sobre sua pele suavizada de harmonia
Me sentia boiando em um mar de maravilhas 
Com paisagens, folhas, e sinergia 


- Rafael Gonçalo
516

Você

Passou-se um dia, 24 horas 
Meu corpo precisa de carícia 
Dependente desse beijo que ronda minha cabeça de madrugada
Corpos ligados, como azulejos grudados com concreto
Dependo disso 
Olhos alegres e animados moldaram essas 
48 horas
Um dia sem ver, abstinência 
Dois? loucura 
Até esqueço minha essência 
É visível meu reflexo na frente do espelho 
Sem abraço, fico na marquise
Você retorna, e em volta do meu pescoço,
Sinto o sufoco mais confortante do mundo
Nem apertado, nem afrouxado
Um sufoco adorável e atípico
Só ali, naquele momento o tenho
Desde então também dependo disso
Dependo disso, dependo daquilo, dependo demais 
Do que eu dependo? 
Eis a resposta no nome 

-Rafael Gonçalo
477

Campos teus

Decadência não é pra você 
Gracioso é o teu sorrir 
Privilégio é poder sentir 
Levanta teu escudo, 
Pois tu sempre absorvestes esses golpes da vida 
Aumente sua força, 
pois esta certamente nunca te deixará 
Alimente-se da iluminação em seu caminho,
pois esta foi feita sob medida pra você 
Tuas vibrações se tornarão vividas
Sua beleza cada vez mais ardente 
Teu coração e sua mente, ficarão em paz

- Rafael Gonçalo
88

A Vigésima Oitava Cruzada

Primeiro, eles foram solúveis, atravessaram sem contestação 
Segunda feriram por debaixo da pele, cessaram avanço
No meio da semana, servia-se pouco, estômagos enferrujados 
Na cadência latente de suas vias, clamaram pela primeira vez ao divino 
Sábado, todos de pé, esmagados pelo cronos
Silêncio... Instalações noturnas, assuntos brilhantes 
Pressão... Momentâneas e cortantes 
O fator presente não é de proteção nem de bonança 
A esperança encolhida traz espaço a ganância 
Eterna será a vitória daqueles que foram açoitados em silêncio,
Dentro da própria mente, e com o estralar das articulações 
Isso foi e têm sido dito a nós pensantes de carne e alcateias travestidas de inocência 
Foi necessário que parassem mais uma vez, 
o sofrimento agora seria por ossadas infantis, 
que antes eram risadas vibrantes acompanhadas de curtas corridas naquele chafariz 
A cruzada teve seu valor simbólico e incalculável 
O polo de necromancia casado com a fé 
A chegada está feita, a vontade se completa, as resposta foram dadas
Deus é nosso panteão, amuleto eterno, viva a trindade 
- Rafael Gonçalo 
163

Memória Masmorra

Elevado fui no prelúdio
Desta forma caí no campo rosado, 
nele experimentei cheiros e visões 
Não pude acreditar que finalmente fui o designado 
Em momentos de pressões, 
aguarrei-me incansavelmente a raíz que aparentava saudável 
Cortante e pudrida esta era 
Drenou fragmento e encurtou o tempo 
Agora, os pedaços tornaram-se minúsculos pontos nessa linha do tempo 
Ao menos são cintilantes e valorosos 
Outrara a renovação é evidente 
Pois eu sirvo! 
Já foi dito, 
Quem não vive para servir, não serve para viver.

- Rafael Gonçalo

96

O que um prosaico carrega?

O orgulho fere meu calcanhar 
A vergonha diminuí meus olhos 
A descência se mascara de inocência 
Atrelado estou aos números,
observando as ruas
Panfletos, boletos, ligações, fumaça
Deito a coluna na cama
E deparo-me com usurpadores sentimentos
Dotados de ilusão em um vendaval magnífico
Não valerá de nada um andar desajeitado 
A percepção de igualdade é apenas falácia?
Vejo em minha retina,
corpos em volta reparam o fenômeno,
dançam na simpatia desse mistério 
E finalmente amarram e suprimem minhas entranhas

                                                                                          - Rafael Gonçalo
194

Absorção da ânsia

Passam-se os meses transpassados em intervalos de tempo indefinido,
O amor nem desce mais na garganta, inibido 
Na rua mais movimentada chove água da retina,
Segundos torturosos insistem na doutrina,
Nada agradável de se assimilar,
A sombra da iniquidade corre para humilhar
E no fechar das portas dentro de tua casa,
Não olhe para a rua, 
Drenam, agarram, toda sua essência
Logo mais não será mais tua.


                                                                                       - Rafael Gonçalo
214

Simbologia dos seus traços passados

O que tu és? 
Mãos congelantes e abrigo estreito? 
Obtive a certeza de que é horta vívida e altar em topo
És rosa desabrochada e vendaval inofensivo
Fricção em teu quarto, cores em teu anseio
Filme antigo sob películas novas
Escorrer contagiante sobre o tocar de cordas
Cobertor quente com tocar de peles 
Braços atados como amarrar seus sapatos 
Alegoria em cima de contagismo
Fumaça cinza sob uma varanda 
Prenda-se em meus grilhões, 
Pois estes me assolam 
E somente seu suar quebra tudo em partículas minimamente obscuras
Seu único propósito não seria o de brilhar 
Quando o merecido para sua complexidade seria em tudo estar
Ainda hei de te esquecer
Assim que lhe ver
Preciso não te ter


                                                                                 - Rafael Gonçalo
235

Anny Havord

No pontilhado do espelho não se espalhe,
teu espírito animal não empalhe 
Amarre-se em teu espectro
Avante mesmo com sofrimento 
Energizado é o aposento que tu acorda,
você escolhe o que sente
Disseram que amargura sempre se pressente
Sucumbiu mais uma vez ao monótono presente
O rompimento do cadeado te espera 
Não se diminua, 
nem a gaiola
nem a esfera 

- Rafael Gonçalo
205

Perguntaram a mim

O que é trabalhar no bar?
Digo que atrás do balcão o que se guarda é suor 
No exterior do salão, o vazio em forma de álcool submete as almas em prisões 
As ruas ausentes de luz indicam uma volta embaraçosa e um destino cansativo
No travesseiro me debrio com os olhos pesandos e logo penso:
Amanhã abrirei os cadeados de uma loja, não do meu lar, nem os que estão na alma
- Rafael Gonçalo
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