Raimundo Candido

Raimundo Candido

n. 1957 BR BR

n. 1957-12-15, Crateús

Perfil
10 479 Visualizações

PORTEIRA

O aboio de meus ancestrais

é o que escuto ao longe

quando o olho se depara

no langor da velha porteira...

Ouço o som puxado

do canto de meu bisavô

tangendo uma boiada,

depois outro, entoando...

é meu avô gravando no ar

o seu ecoar de saudade.

E na cancela, ruína

empenada, corroída

pela angústia de seu fim,

algo cordial ainda pulsa

como álbum de fotografia

e me dá a impressão que

os mesmos paus corredios

se abrem... se fecham...

sozinhos! logo ao ouvir

um pungente mugido ou

o grito de aboio de meu avô.

Ler poema completo

Poemas

12

LENITIVO

Já viu... a sede no mar

e na fartura a fome?

Já viu... no claro dia um olhar

tateando sem luz?

Já viu... um sangue pulsar

fermentando saudade?

Já viu... uma alma gritar

implorando por ti?

Se não, olhe aqui:

– a minha fome...

– a minha sede...

– o meu vago dia

diluído em lágrimas

em desespero

suplicando lenitivo

a tua lembrança...

759

TEOREMA DA MEMÓRIA

Quando a cinza

polvilha o estremecer

dos neurônios,

nenhum sorriso

ou contentamento

pode retornar

como impressão

convergente de luz,

ou memoroso humor,

ou lembrança cristalina.

Nada de recordar,

sequer um desejo,

ou sentido constrito

da névoa do passado,

nenhuma contemplação

é ainda o aspecto real

da vertente desilusão

de um poço esgotado

pela fadiga do tempo.

800

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.