Raimundo de Moraes

Raimundo de Moraes

n. , Brasil

Perfil
1 435 Visualizações

ELEGÍACA

A palavra é a minha quarta dimensão.
Clarice Lispector







Segui os passos
da menina de Tchetchelnik.
Dez luas passaram flechadas por Sagitário
maçãs no claro ofertam-se de tanta maturação:
ensanguentadas, reluzem. Balançam lustres
em din-dlens de poeira suja.
Aqui
a Praça Maciel Pinheiro
circunda o Tempo.
O casarão 387
é agora insípido e laranja
(mas vi entre uma e outra janela
a menina sorrir para mundos distantes).
Longe
as esquinas de Nápoles Berna Torquay Washington.
(As esquinas do mundo são iguais
quando punge à solidão
a lembrança de tudo que fomos).
Corro pelos caminhos de mais um solstício
a cidade ergue-se em dóricas faiscantes
escaravelhos brotam da terra
e no rosto eslavo
pupilas pulsam quasars.
É por ti:
elevo-me à tua memória.
Candelabros iluminando a noite
o Kaddish arrebanhando os perdidos como nós
- percorro os caminhos da mulher Tchetchelnik.
O olhar oblíquo.
A boca rubra.
A safira no dedo.
A Estrela de Mil Pontas
rompendo gargantas. É Palavra.
Aponta Sagitário mais uma seta em riste.
Agora, sabeis: no coração selvagemente livre.


Salve 9 de dezembro.








Prêmio Nacional Canon de Poesia 2010
Prêmio Mostre seu Talento 2006 - Chesf/ Sindicato dos Bancários de Pernambuco


Ler poema completo

Poemas

2

ELEGÍACA

A palavra é a minha quarta dimensão.
Clarice Lispector







Segui os passos
da menina de Tchetchelnik.
Dez luas passaram flechadas por Sagitário
maçãs no claro ofertam-se de tanta maturação:
ensanguentadas, reluzem. Balançam lustres
em din-dlens de poeira suja.
Aqui
a Praça Maciel Pinheiro
circunda o Tempo.
O casarão 387
é agora insípido e laranja
(mas vi entre uma e outra janela
a menina sorrir para mundos distantes).
Longe
as esquinas de Nápoles Berna Torquay Washington.
(As esquinas do mundo são iguais
quando punge à solidão
a lembrança de tudo que fomos).
Corro pelos caminhos de mais um solstício
a cidade ergue-se em dóricas faiscantes
escaravelhos brotam da terra
e no rosto eslavo
pupilas pulsam quasars.
É por ti:
elevo-me à tua memória.
Candelabros iluminando a noite
o Kaddish arrebanhando os perdidos como nós
- percorro os caminhos da mulher Tchetchelnik.
O olhar oblíquo.
A boca rubra.
A safira no dedo.
A Estrela de Mil Pontas
rompendo gargantas. É Palavra.
Aponta Sagitário mais uma seta em riste.
Agora, sabeis: no coração selvagemente livre.


Salve 9 de dezembro.








Prêmio Nacional Canon de Poesia 2010
Prêmio Mostre seu Talento 2006 - Chesf/ Sindicato dos Bancários de Pernambuco


461

SEMENTE







As nêsperas na mesa
abrem-se fartas
de carne e suco
E o violento temporal
vai dedilhar os poros
revolver pedras
enxaguar
raízes e vermes
afogar

Teu fruto
(eu lembro) desfibrava fácil
e a carne vinha mole entre os dentes
As enxurradas vieram
como baladas rápidas de ávidos curumins
E os pássaros vieram sujos
de Bering ou Marrakesh
As águas chegaram. Outra vez, perenes
levando retratos, remexendo sulcos de discos esquecidos
evolando perfumes suaves de roupas e camas

Ah por que entre os verões o manancial da tua boca?
Por que esses perfis de narizes e lábios
entre o abandono de girassóis que já não buscam mais?
Por que a frase que tu queres e que não está em mim?

Pássaros e chuvas vão e vêm
e redesenharão fantásticos infinitos
enquanto for grande a imaginação da Esperança
Enquanto não pousarem no único fio retesado e melódico
E as fibras desse Verão venham entre os dentes
como reescrevessem c o n t r a p o n t o s
de melodias e réquiens







Prêmio Carlos Drummond de Andrade, SESC-DF. Seleção 2008.


501

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.