Raquel Mesquita

Raquel Mesquita

n. 1985 PT PT

n. 1985-03-21, Matosinhos

Perfil
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Destino

Descalça, sigo adiante, pela estrada da loucura que me atrai.
É este o inevitável destino de quem na vida sempre cai!


Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
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Poemas

14

Não Te Amo

Já não amo aquele que ama outra...
Ou que ama muitas ou qualquer uma.
Ou talvez que não ama ninguém.
Já não amo aquele que se ama a si e só a si...
Ou talvez aquele que não ama nem a si nem a mulher alguma,
Porque não sabe o que é amar.
Ou talvez tenha perdido a fé no amor.
Esse mesmo, já não o amo!

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
852

Ousadia de Amar

Vergo-me numa vénia sentida.
Prostro-me sem vergonha nem timidez.
Ergo os braços ao céu num gesto de profunda veneração.
A ele solto um alto grito de estima e agradecimento.
Felizes dos destemidos de amor e dos arrojadamente amantes,
Honrados os que ousam sentir!
Estendo-me aos pés dos que têm o coração a doer,
Porque o amor também dói,
Amar é, tantas vezes, um abraço forçado com a desilusão.
Amar é viver, é uma valente ousadia,
Louvados os emocionalmente audazes!


Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
861

Mais Triste que o Próprio Fado

Que importa se o fado é triste,
Se mais triste sou eu por não te ter!
Converteste o nosso amor num deserto,
Onde não há água, almas ou amor.
Não há nada!
Uns braços que se desprenderam,
Um coração interrompido,
Uma vida quebrada!
Triste fado, triste deserto, triste rumo.
Infindável e triste caminho sem dia,
Este caminho sem ti!

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
832

Migalhas de Amor

Apanhas os sentimentos sujos do chão,
Como quem apanha migalhas caídas de um pão.
Faminto de amor, de tudo e de mais qualquer coisa.
Na rua pedes esmola, e com medo que eu te oiça,
Escondes a mão, escondes-te de mim.
Foges de quem te oferece todo o amor e um genuíno e limpo coração.
Oh mendigo, porque teimas em procurar a felicidade no chão?

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
800

Destino

Descalça, sigo adiante, pela estrada da loucura que me atrai.
É este o inevitável destino de quem na vida sempre cai!


Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
915

Não Sei de Nós

Arrasto-me pelos dias numa busca que me vai agonizando.
Procuro-te nas ruas por onde desfilamos procissões de promessas.
Procuro-me nos cantos, agora desertos, onde te cravaste em mim.
Ânsias, desalento, terror... escuridão de emoções que me sutenta!
Encontro-nos em cada esquina fria e gasta.
Esquinas gastas pela surpresa de nunca te ver chegar.
Esquinas gastas pela certeza de eu sempre te esperar.
Tenho frio...
Não sei de ti, de mim, de nós e tão-pouco sei do que nos separa!

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
795

Tentar de Novo

Pede-me verdades infinitas.
Pede-me a lealdade eterna.
Pede-me promessas ditas.
Pede-me a minha mão terna.

Exige um apaixonante motim,
Disso terás um majestoso confim!

Rouba-me o inquietante medo.
Rouba-me a pesada solidão.
Rouba-me o escuro degredo.
Rouba-me a eterna negação.

Exijo um sentimento carmim,
Disso há em mim um sem fim!

Dou-te a minha alma aberta.
Dou-te um céu de desvelo.
Dou-te a sublime descoberta.
Dou-te o meu corpo estrelo.

Implora-me o espinhoso perdão,
Desejo em mim a tua absolvição,
Em espera arde o meu coração,
Numa já longa e letal aflição!

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
867

Asseguro-te que

Não há razões,
Nem ouses dar-mas!
Desconheço motivos.
Desconheço causas.
Não vás procurá-las!
Se estas achares,
Deves guardá-las!
Não sei das ligações...
Ignora-as também!
Não me dês uniões!
Que se mas deres,
Fica certo...
De que vou usá-las!

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
890

O Legítimo Pedido

Faço-te um pedido,
Faz-me o favor de o cumprires!
Peço-te...
Quando te lembrares de mim,
Esquece-me por mais uns anos!
A nossa beleza está em não nos falarmos...
E dar-mos ao silêncio o triunfo da sua sabedoria.
Ver,
Não dizer uma palavra,
Reter as lembranças...
E deixar a imaginação cuidar do futuro.
É só o que te peço!

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
853

Encantamento

Fim de tarde de pôr-do-sol pigmentado de alaranjado com timbres de púrpura.
O mar numa ondulação adormecida.
O "tschh tschh" penetrante das suas ondas leva-me os pensamentos.
Uma brisa insinuante ousa tocar-me com os seus dedos quentes.
Há música de tom teatral na paisagem.
As borboletas irrompem na sua interminável e exuberante dança de purpurinas.
Há suaves batimentos vindos do solo.
Ou talvez vindos de dentro de mim.
Não sei, não sou capaz de distinguir.
Ouço pássaros que avançam.
Escuto-os na ânsia desesperada de uma novidade acalentada.
Melodicamente gritam-me palavras de ordem reveladoras.
Sou invadida.
Surpreendentemente, pego em mim e levanto-me, sem esforço, daquele banco de pedra envolto em flores silvestres.
Obedeço apaixonada às melodias e aos mandamentos que me chegam do ar.
Saio.
E...vou amar.

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
790

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