Lista de Poemas
Destino
Descalça, sigo adiante, pela estrada da loucura que me atrai.
É este o inevitável destino de quem na vida sempre cai!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
É este o inevitável destino de quem na vida sempre cai!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
895
Tentar de Novo
Pede-me verdades infinitas.
Pede-me a lealdade eterna.
Pede-me promessas ditas.
Pede-me a minha mão terna.
Exige um apaixonante motim,
Disso terás um majestoso confim!
Rouba-me o inquietante medo.
Rouba-me a pesada solidão.
Rouba-me o escuro degredo.
Rouba-me a eterna negação.
Exijo um sentimento carmim,
Disso há em mim um sem fim!
Dou-te a minha alma aberta.
Dou-te um céu de desvelo.
Dou-te a sublime descoberta.
Dou-te o meu corpo estrelo.
Implora-me o espinhoso perdão,
Desejo em mim a tua absolvição,
Em espera arde o meu coração,
Numa já longa e letal aflição!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
Pede-me a lealdade eterna.
Pede-me promessas ditas.
Pede-me a minha mão terna.
Exige um apaixonante motim,
Disso terás um majestoso confim!
Rouba-me o inquietante medo.
Rouba-me a pesada solidão.
Rouba-me o escuro degredo.
Rouba-me a eterna negação.
Exijo um sentimento carmim,
Disso há em mim um sem fim!
Dou-te a minha alma aberta.
Dou-te um céu de desvelo.
Dou-te a sublime descoberta.
Dou-te o meu corpo estrelo.
Implora-me o espinhoso perdão,
Desejo em mim a tua absolvição,
Em espera arde o meu coração,
Numa já longa e letal aflição!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
847
Em Branco
Vão-se as musas, vão-se os deuses.
Toda a inspiração parte em corrida impetuosa.
Paixão ou tristeza.
Constituição única do seu alento.
Vão-se as palavras, vão-se páginas em branco.
Ou se ama ou se deprime.
E eu, nem uma nem outra.
No sentir insosso do silêncio.
Toda a inspiração parte em corrida impetuosa.
Paixão ou tristeza.
Constituição única do seu alento.
Vão-se as palavras, vão-se páginas em branco.
Ou se ama ou se deprime.
E eu, nem uma nem outra.
No sentir insosso do silêncio.
66
Carta aberta à baixeza de espírito
Oh baixeza, se é que me ouves, ouve com atenção!
Eu posso descer à lama, posso rastejar nela.
Mas nunca, ouve bem baixeza, nunca vou lamber botas!
Porque na vida há quem beije pés, e eu beijo tantos.
Mas lamber botas, nunca! Antes morta!
Perder-me em esquemas de importâncias vãs e sujas, nunca!
Sabes baixeza, na vida há quem se dê demasiada importância.
Importância que só existe nas suas cabeças.
Cabeças pequenas que alimentam o ego em compras e vendas de um poder que não têm, um poder poucochinho como o seu espírito minúsculo.
E a culpa é tua baixeza, a culpa é mesmo tua, sua parva!
Ouve baixeza, na memória ficam só os grandes, os que não se rebaixam ou se vergam com medo.
Na memória ficam os que lutam pela verdade, os que mesmo na lama mantêm a verticalidade.
Sabias baixeza?
Só que tu baixeza, reduzes as pessoas a uma espécie de plasticina tão maleável quanto os desejos pérfidos das mãos em que caem.
Pois, eu sei que não sabias…
E sabes baixeza, eu posso dançar na lama porque eu, mesmo na lama, tenho coluna vertebral, mantenho a palavra.
Minha cara baixeza, na vida há os que importam e os que se julgam importantes.
Porque, lembra-te baixeza, as pessoas mais vazias são as que vivem cheias de si.
E na vida, há quem arrote a si de tão cheio.
E tu baixeza, vives nestas pessoas.
Haja misericórdia às suas almas!
Oh baixeza, diz-me tu, estas pessoas têm sangue?!
Eu não sei… juro que não!
Mas, retém esta baixeza, quando não há laços, respeito, honra, dignidade e outras tantas qualidades que desconheces ou que matas…quando não as há, o sangue não basta!
Eu posso descer à lama, posso rastejar nela.
Mas nunca, ouve bem baixeza, nunca vou lamber botas!
Porque na vida há quem beije pés, e eu beijo tantos.
Mas lamber botas, nunca! Antes morta!
Perder-me em esquemas de importâncias vãs e sujas, nunca!
Sabes baixeza, na vida há quem se dê demasiada importância.
Importância que só existe nas suas cabeças.
Cabeças pequenas que alimentam o ego em compras e vendas de um poder que não têm, um poder poucochinho como o seu espírito minúsculo.
E a culpa é tua baixeza, a culpa é mesmo tua, sua parva!
Ouve baixeza, na memória ficam só os grandes, os que não se rebaixam ou se vergam com medo.
Na memória ficam os que lutam pela verdade, os que mesmo na lama mantêm a verticalidade.
Sabias baixeza?
Só que tu baixeza, reduzes as pessoas a uma espécie de plasticina tão maleável quanto os desejos pérfidos das mãos em que caem.
Pois, eu sei que não sabias…
E sabes baixeza, eu posso dançar na lama porque eu, mesmo na lama, tenho coluna vertebral, mantenho a palavra.
Minha cara baixeza, na vida há os que importam e os que se julgam importantes.
Porque, lembra-te baixeza, as pessoas mais vazias são as que vivem cheias de si.
E na vida, há quem arrote a si de tão cheio.
E tu baixeza, vives nestas pessoas.
Haja misericórdia às suas almas!
Oh baixeza, diz-me tu, estas pessoas têm sangue?!
Eu não sei… juro que não!
Mas, retém esta baixeza, quando não há laços, respeito, honra, dignidade e outras tantas qualidades que desconheces ou que matas…quando não as há, o sangue não basta!
77
Porquê?!
Porquê?
Perguntas-me tu,
Como quem finge que não sente.
Olhar de ornato nu,
De quem sabe que mente,
Teimando em ignorar o que deveras vê!
Porquê?!
Perguntas-me tu,
Como quem finge que não sente.
Olhar de ornato nu,
De quem sabe que mente,
Teimando em ignorar o que deveras vê!
Porquê?!
69
Dor
Eu queria escrever mas não consigo.
Porque é maior do que eu,
Esta dor profunda que trago comigo,
Este inferno que é só meu…
Paralisa-me as mãos e os sentidos.
Demência? Pois, talvez!
Mas que se calem os condoídos,
Os que me pedem para sonhar,
Pois toda a vez que oiço:
- Calma, tudo vai passar!
Com clemência,
É quando sinto já ter morrido!
Porque é maior do que eu,
Esta dor profunda que trago comigo,
Este inferno que é só meu…
Paralisa-me as mãos e os sentidos.
Demência? Pois, talvez!
Mas que se calem os condoídos,
Os que me pedem para sonhar,
Pois toda a vez que oiço:
- Calma, tudo vai passar!
Com clemência,
É quando sinto já ter morrido!
61
Sento-me Para Te Escrever
Sento-me para te escrever,
Perdida na chuva que corre.
O whisky bem ali, pronto a beber,
E na mão o cigarro que se acaba.
Sento-me para te escrever,
E não acontece nada.
Porque, como a chuva constante,
Que pelo vidro escorre,
Sento-me para te escrever,
Mas, como nós,
Uma a uma,
Toda a palavra morre.
Perdida na chuva que corre.
O whisky bem ali, pronto a beber,
E na mão o cigarro que se acaba.
Sento-me para te escrever,
E não acontece nada.
Porque, como a chuva constante,
Que pelo vidro escorre,
Sento-me para te escrever,
Mas, como nós,
Uma a uma,
Toda a palavra morre.
81
...
Há gavetas que não se devem abrir.
Melhor que se guarde o passado,
No armário do fundo, bem arrumado.
Porque é impossível ver o presente,
Continuar ou seguir em frente,
Teimando em viver a olhar para trás.
Melhor que se guarde o passado,
No armário do fundo, bem arrumado.
Porque é impossível ver o presente,
Continuar ou seguir em frente,
Teimando em viver a olhar para trás.
61
Cartas
Escrevo cartas de amor na real certeza do erro.
De dentro como o desejo manda.
Escuras, assim a verdade molda.
Escritas ontem.
Não me parecem sentidas hoje.
Paixão arrependida do arrebatar fácil.
Tarefa parva da alma sozinha.
Ouve o piano numa melodia sombria.
A tela, em nódoas, de cinza e árido pintada.
De dentro como o desejo manda.
Escuras, assim a verdade molda.
Escritas ontem.
Não me parecem sentidas hoje.
Paixão arrependida do arrebatar fácil.
Tarefa parva da alma sozinha.
Ouve o piano numa melodia sombria.
A tela, em nódoas, de cinza e árido pintada.
60
À Beira-Mar
Faltaste tu naquele dia.
E cresceu em mim aquela angústia lugente,
De quem guarda nas mãos,
Suave e fria,
Uma triste memória ainda quente,
De quem fomos noutro dia.
E todos os rostos que passaram por mim,
Ah...! Quem me dera não lembrar,
Cada traço definido que percorri,
Sim! Todos eles foram de encontro a mim,
Tenho a certeza,
Foram de encontro a mim para me recordar de ti.
Naquele dia em que faltaste,
Não houve sol e nenhum vento,
Só o grito asfixiado do lamento,
Perdido por entre a chuva e a gente.
E cresceu em mim aquela angústia lugente,
De quem guarda nas mãos,
Suave e fria,
Uma triste memória ainda quente,
De quem fomos noutro dia.
E todos os rostos que passaram por mim,
Ah...! Quem me dera não lembrar,
Cada traço definido que percorri,
Sim! Todos eles foram de encontro a mim,
Tenho a certeza,
Foram de encontro a mim para me recordar de ti.
Naquele dia em que faltaste,
Não houve sol e nenhum vento,
Só o grito asfixiado do lamento,
Perdido por entre a chuva e a gente.
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Ania
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