Raquel Mesquita

Raquel Mesquita

n. 1985 PT PT

n. 1985-03-21, Matosinhos

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Destino

Descalça, sigo adiante, pela estrada da loucura que me atrai.
É este o inevitável destino de quem na vida sempre cai!


Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
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Poemas

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Destino

Descalça, sigo adiante, pela estrada da loucura que me atrai.
É este o inevitável destino de quem na vida sempre cai!


Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
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Tentar de Novo

Pede-me verdades infinitas.
Pede-me a lealdade eterna.
Pede-me promessas ditas.
Pede-me a minha mão terna.

Exige um apaixonante motim,
Disso terás um majestoso confim!

Rouba-me o inquietante medo.
Rouba-me a pesada solidão.
Rouba-me o escuro degredo.
Rouba-me a eterna negação.

Exijo um sentimento carmim,
Disso há em mim um sem fim!

Dou-te a minha alma aberta.
Dou-te um céu de desvelo.
Dou-te a sublime descoberta.
Dou-te o meu corpo estrelo.

Implora-me o espinhoso perdão,
Desejo em mim a tua absolvição,
Em espera arde o meu coração,
Numa já longa e letal aflição!

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
867

Estupidez

Se me achares, perde-me outra vez!
Que de tanto te encontrar,
De sempre fugir e te evitar,
Sou eu quem se perde quando te vê!
E juro que é perda de tempo.
É insano, imoral até.
Paixão? Não, estupidez!
84

Sento-me Para Te Escrever

Sento-me para te escrever,
Perdida na chuva que corre.
O whisky bem ali, pronto a beber,
E na mão o cigarro que se acaba.
Sento-me para te escrever,
E não acontece nada.
Porque, como a chuva constante,
Que pelo vidro escorre,
Sento-me para te escrever,
Mas, como nós,
Uma a uma,
Toda a palavra morre.
88

O Perto fez-se Longe

Escrevo no teu corpo as convenções.
Vais falando, estás longe.
O sol queima a pele que já não sente.
Perdes os dedos em mim.
E desenhas-me a história nos contornos.
Traço firme na luz imperfeita.
Escorro a garrafa, vou escrevendo.
Na debandada das emoções.
Vais lendo lá de longe, no tom da manhã.
Sabe a frio o meu corpo de ti tão perto.
Perco a tua voz no eco da moral chagada.
O arrojo vem longe, no rascunho desconexo.
Não está certo.
Pertence a ti a obra de acabar.
Morremos assim num acordar duvidoso.
A fantasia está longe.
Morremos assim sem o amor regressar.
Ao fundo, o fim ao longe.
Está tão perto.
68

Para a minha Irmã

É um amor maior.
É um amor que não controlo.
Como maior é o medo da perda.
E é sempre com angústia que te vejo partir.
Toda a ausência é dolorosa.
É um amor sempre ali.
É um amor adquirido.
É um amor mais do que necessário.
Um amor que poucos percebem.
Tão poucos alcançam o que nos une.
É um amor que dispensa palavras.
É um amor preocupado.
É um amor felino.
Daqueles que nos escudam.
Eu luto à tua frente em qualquer batalha.
E tu proteges-me sempre.
É um amor espelho.
Conheces em mim os recantos que ninguém sabe.
E eu sei todos os esconderijos da tua alma.
É um amor de sangue, de carne, de pele, de coração.
É um amor do início.
Como o ar da minha razão de ser.
Dói quando não estás.
Toda a distância me rasga.
E é por isso que peço que o meu fim seja o primeiro.
Porque sem ti não passo de nada.
Não há explicação…
Este amor é um abraço que transcende a vida, a morte e todo o espaço.
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Saudades Nenhumas

Saudades tuas?
Do tempo sem tempo,
Na melodia de notas soltas.
Saudades tuas?
Das promessas na mentira envoltas.
Meu amigo, eu bem tento,
Mas saudades tuas?
Sinceramente,
Não tenho nenhumas!
80

À Beira-Mar

Faltaste tu naquele dia.
E cresceu em mim aquela angústia lugente,
De quem guarda nas mãos,
Suave e fria,
Uma triste memória ainda quente,
De quem fomos noutro dia.
E todos os rostos que passaram por mim,
Ah...! Quem me dera não lembrar,
Cada traço definido que percorri,
Sim! Todos eles foram de encontro a mim,
Tenho a certeza,
Foram de encontro a mim para me recordar de ti.
Naquele dia em que faltaste,
Não houve sol e nenhum vento,
Só o grito asfixiado do lamento,
Perdido por entre a chuva e a gente.
69

Lembrar

Nada passa por mim,
Tudo fica,
O que vejo, o que toco.
Porque o que passa, não se abraça,
E se não fica, não teve graça.
Em mim, tudo fica...
Que o melhor da vida é não esquecer.
Assim, como se enganasse a morte,
Como se prolongasse um sentimento que escorre,
Como se a vida não tivesse fim.
64

De Alma Só

Eu quis morrer, é verdade!
Não de amor mas de saudade.
De alma só, árida, amargurada,
A pele sem cor, moribunda, toda eu gelada.
Canto a tristeza, a desgraça, a má sorte.
É na tua ausência que sempre, desejo a morte!
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