Lista de Poemas

Lembrar

Nada passa por mim,
Tudo fica,
O que vejo, o que toco.
Porque o que passa, não se abraça,
E se não fica, não teve graça.
Em mim, tudo fica...
Que o melhor da vida é não esquecer.
Assim, como se enganasse a morte,
Como se prolongasse um sentimento que escorre,
Como se a vida não tivesse fim.
56

É Só Poesia

Escuta homem, nós somos as palavras,
Somos o escândalo, o desejo, o precipício.
Mas eu não posso amar-te, homem,
Nem tu a mim.
Eu sou loucura, tu és artíficio.
Viciados numa poesia sem fim. 
Mas o que fazemos está condenado.
Porque o amor,
O amor, meu caro poeta apaixonado,
O amor não se faz assim.
77

Saudades Nenhumas

Saudades tuas?
Do tempo sem tempo,
Na melodia de notas soltas.
Saudades tuas?
Das promessas na mentira envoltas.
Meu amigo, eu bem tento,
Mas saudades tuas?
Sinceramente,
Não tenho nenhumas!
71

Estupidez

Se me achares, perde-me outra vez!
Que de tanto te encontrar,
De sempre fugir e te evitar,
Sou eu quem se perde quando te vê!
E juro que é perda de tempo.
É insano, imoral até.
Paixão? Não, estupidez!
75

O Abismo de Ti

De todas as viagens que fiz,
Em que fui, por entre todas,
A mulher mais triste e mais infeliz,
A tua amiga mais desgraçada.
De todas as viagens que fiz,
Tão perdida, meu amor,
Sempre tão abandonada.
É a minha boca que em versos diz,
Ah, foi essa a melhor!
De todas as viagens que fiz,
Oh meu amor! Apesar da dor,
Aquela que recordarei até à morte,
Quando de mim me esqueci,
E me deixei levar à sorte,
Pelo mistério do teu corpo,
O eterno abismo que subi.
61

Espera

Nesta sala fechada,
A luz é defunta, é negra, é pesada.
Olho pela janela e não encontro nada,
Lá fora toda a vida morreu.
E eu toda a vida inquieta,
Sou agora, como a rua deserta,
Leve rumor do que aconteceu.
Das noites o sabor,
De ti uma sede infinda.
Do passado, confesso,
Um delírio, triste saudade ainda.
E assim, à janela sozinha,
Espero a noite, o alvor, a tua chegada.
Por favor, 
Tem dó da alma atormentada,
Desta mulher apaixonada,
Pedindo só que a visites,
Quando chegar a madrugada!
81

De Alma Só

Eu quis morrer, é verdade!
Não de amor mas de saudade.
De alma só, árida, amargurada,
A pele sem cor, moribunda, toda eu gelada.
Canto a tristeza, a desgraça, a má sorte.
É na tua ausência que sempre, desejo a morte!
88

Desabafo

Hoje falei com o espelho.
Sabias Inês,
Hoje falei com o espelho,
E depois, sentei-me a escrever.
É isto que tenho feito,
Neste lugar ermo e sepulcral.
Todos os dias, sem parar.
Para não enlouquecer,
Mas, sobretudo, para não pensar.
Tu sabes Inês,
Para não pensar em morrer.
80

Não Digas Nada

Peço-te que não digas nada,
Uma só palavra será demais.
Eu não quero saber do que viste,
A quem te deste, onde dormiste.
Os teus olhos nada me dizem,
Sombras e verdades que se fingem.
Porque eu, confesso triste,
Não perdoo jogos e habilidades,
Esses fracassos e fragilidades,
Refúgio de quem não sabe amar.
Que só almas fracas falam assim,
Falam do que vêem sem alcançar.
Eu não quero saber por onde andaste,
Até onde, com egoísmo, te levaste.
Porque eu, não quero essas mãos,
E longe de mim esse olhar.
Porque eu,
Não quero braços,
Que me toquem sem me abraçar.
Eu quero olhos por onde viaje,
E uma boca que me fale sem falar.
Por isso, escuta o que te peço:
- Não digas nada, segue!
77

Essa Gente

Tanta gente me tem inveja e eu, louca, sem remédio,
Não percebo essa gente, por invejar todo este tédio.
Esta alma tão vazia.
Que o tempo me esgotou do melhor com que nascemos.
Oh Meu Deus,
Eles não sabem que a minha alma está perdida.
Não imaginam o inferno de viver a minha vida.
Toda a dor, toda a amargura.
Ah, como eu dava tudo para voltar a ser menina!
73

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Ania
Ania

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