Raquel Mesquita

Raquel Mesquita

n. 1985 PT PT

n. 1985-03-21, Matosinhos

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Destino

Descalça, sigo adiante, pela estrada da loucura que me atrai.
É este o inevitável destino de quem na vida sempre cai!


Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
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Poemas

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O Mundo Morre

A porta bate e as janelas escancaram-se num grito alto.
O vento entra num rompante de lamento aflito.
É frio e o ar pesado gela tudo.
A pele eriça-se num arrepio que vem do fundo.
O coração sangra e encolhe-se em defesa.
A folha cai em silêncio duro e seco.
A luz apaga-se num escuro solene e defunto.
E enfim, o mundo cai nessa espera em que sempre morre o mundo.
21

Saudades

Não sei o que fazer com as saudades que guardo.
Se as calo, trespassam-me a alma e vidram-me os olhos.
Se as largo, revoltam-se e impõem-se como muros que não avanço.
É inútil toda esta nostalgia.
Ter saudades, é uma bala a entrar no corpo.
Como inútil é a vontade te contar onde as escondo.
Devo enterrá-las na gaveta dos fundos.
É preferível esquecer o que é inútil.
Amar-te é inútil.
Amar-te não chega.
A vida é mais do que um toque ou um olhar profundo.
A vida é mais do que um abraço sem fim e um beijo que não acaba.
Tudo é pouco, é um nada para quem deseja mais.
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