Lista de Poemas
Ó noite!
Dormi à noite ao relento,
Numa espera suspensa de te encontrar.
Na minha boca nem um lamento,
Só uma tristeza vidrada no olhar.
Ó vida!
Ó lástima!
Ó vizinha desgraça!
A morte faz de mim cadáver,
Nesta sede de me acabar!
Numa espera suspensa de te encontrar.
Na minha boca nem um lamento,
Só uma tristeza vidrada no olhar.
Ó vida!
Ó lástima!
Ó vizinha desgraça!
A morte faz de mim cadáver,
Nesta sede de me acabar!
8
Saudades
Não sei o que fazer com as saudades que guardo.
Se as calo, trespassam-me a alma e vidram-me os olhos.
Se as largo, revoltam-se e impõem-se como muros que não avanço.
É inútil toda esta nostalgia.
Ter saudades, é uma bala a entrar no corpo.
Como inútil é a vontade te contar onde as escondo.
Devo enterrá-las na gaveta dos fundos.
É preferível esquecer o que é inútil.
Amar-te é inútil.
Amar-te não chega.
A vida é mais do que um toque ou um olhar profundo.
A vida é mais do que um abraço sem fim e um beijo que não acaba.
Tudo é pouco, é um nada para quem deseja mais.
Se as calo, trespassam-me a alma e vidram-me os olhos.
Se as largo, revoltam-se e impõem-se como muros que não avanço.
É inútil toda esta nostalgia.
Ter saudades, é uma bala a entrar no corpo.
Como inútil é a vontade te contar onde as escondo.
Devo enterrá-las na gaveta dos fundos.
É preferível esquecer o que é inútil.
Amar-te é inútil.
Amar-te não chega.
A vida é mais do que um toque ou um olhar profundo.
A vida é mais do que um abraço sem fim e um beijo que não acaba.
Tudo é pouco, é um nada para quem deseja mais.
21
...momento
Ah, se eu pudesse fazer o tempo parar!
Fazer o tempo ter tempo de apreciar este momento em que nos damos ao tempo para amar!
Fazer o tempo ter tempo de apreciar este momento em que nos damos ao tempo para amar!
7
Tu Não Sabias
Tu não sabias da minha procura.
Da ânsia desmedida que enfurece o jardim.
Não sabias que te procuro sempre.
Mesmo quando já luz nenhuma alumia o caminho.
Eu sei que não sabias.
Tu não sabias da minha busca interna.
Incessante como as ondas de um mar revolto.
Bem sei que não sabias.
Eu sabia que desconheces os meus segredos.
Nunca soubeste desvendar os mistérios dos meus lugares.
Ermos, fatídicos como todo o meu jeito de amar.
Tu não sabias dos meus tropeços e arranhões.
Que arranhada sempre esteve a minha alma.
Fraca, encoberta num céu de saudade.
Tu não sabias, tu não conheces.
Eu sei que não sabias.
Se soubesses jamais terias partido.
Agora é escuro e não sei de luz nenhuma.
Da ânsia desmedida que enfurece o jardim.
Não sabias que te procuro sempre.
Mesmo quando já luz nenhuma alumia o caminho.
Eu sei que não sabias.
Tu não sabias da minha busca interna.
Incessante como as ondas de um mar revolto.
Bem sei que não sabias.
Eu sabia que desconheces os meus segredos.
Nunca soubeste desvendar os mistérios dos meus lugares.
Ermos, fatídicos como todo o meu jeito de amar.
Tu não sabias dos meus tropeços e arranhões.
Que arranhada sempre esteve a minha alma.
Fraca, encoberta num céu de saudade.
Tu não sabias, tu não conheces.
Eu sei que não sabias.
Se soubesses jamais terias partido.
Agora é escuro e não sei de luz nenhuma.
9
Não Sei
"Oh triste, porque choras?"
Perguntas naquele tom de quem tem pena de mim,
Como se eu não tivesse o direito de sofrer assim.
E perguntaste-me que tristeza é esta,
E eu só sei, nas lágrimas mergulhada,
Que, em mim, a dor faz uma festa,
E eu nem sequer fui sua convidada.
Tomara eu ter uma palavra ou um qualquer sonho desfeito,
Para te responder,
E justificar o eterno calvário que tenho feito.
Mas eu não sei, oh céus!
Que se eu soubesse porque choro,
Todos os convidados seriam meus,
Na melhor festa deste corpo onde,
Já não vivo, apenas moro.
Perguntas naquele tom de quem tem pena de mim,
Como se eu não tivesse o direito de sofrer assim.
E perguntaste-me que tristeza é esta,
E eu só sei, nas lágrimas mergulhada,
Que, em mim, a dor faz uma festa,
E eu nem sequer fui sua convidada.
Tomara eu ter uma palavra ou um qualquer sonho desfeito,
Para te responder,
E justificar o eterno calvário que tenho feito.
Mas eu não sei, oh céus!
Que se eu soubesse porque choro,
Todos os convidados seriam meus,
Na melhor festa deste corpo onde,
Já não vivo, apenas moro.
8
O Mundo Morre
A porta bate e as janelas escancaram-se num grito alto.
O vento entra num rompante de lamento aflito.
É frio e o ar pesado gela tudo.
A pele eriça-se num arrepio que vem do fundo.
O coração sangra e encolhe-se em defesa.
A folha cai em silêncio duro e seco.
A luz apaga-se num escuro solene e defunto.
E enfim, o mundo cai nessa espera em que sempre morre o mundo.
O vento entra num rompante de lamento aflito.
É frio e o ar pesado gela tudo.
A pele eriça-se num arrepio que vem do fundo.
O coração sangra e encolhe-se em defesa.
A folha cai em silêncio duro e seco.
A luz apaga-se num escuro solene e defunto.
E enfim, o mundo cai nessa espera em que sempre morre o mundo.
8
A folha caiu e o gato miou
A folha caiu e o gato miou.
As palavras espalharam-se no chão.
Partidas, sujas, bastardas.
Inúteis quando não passam de encenação.
Como inútil é todo o castigo.
Basta a penitência de não teres perdão.
A folha caiu e o gato miou.
Ficaram as mentiras em cacos e tu em solidão.
As palavras espalharam-se no chão.
Partidas, sujas, bastardas.
Inúteis quando não passam de encenação.
Como inútil é todo o castigo.
Basta a penitência de não teres perdão.
A folha caiu e o gato miou.
Ficaram as mentiras em cacos e tu em solidão.
9
O Inútil
O útil é cansativo.
É por isso que o inútil me dá prazer.
Dá-me prazer procurar alguma realidade no vazio.
Porque o oco tem conteúdo, ainda que vão.
Há sempre qualquer coisa, mesmo no mais superficial.
É a lógica das laranjas quando se espremem.
Muito ou pouco, dão sumo.
É como as pessoas…
Gosto de explorar o que é plástico.
Porque é inútil, porque me é novo.
Porque tanto faz, porque não importa.
Porque nunca espero que acrescente.
Há paz em nada esperar.
Nunca espero nada do que não me tem utilidade,
Porquanto não me cansa, e isso é um prazer.
É por isso que o inútil me dá prazer.
Dá-me prazer procurar alguma realidade no vazio.
Porque o oco tem conteúdo, ainda que vão.
Há sempre qualquer coisa, mesmo no mais superficial.
É a lógica das laranjas quando se espremem.
Muito ou pouco, dão sumo.
É como as pessoas…
Gosto de explorar o que é plástico.
Porque é inútil, porque me é novo.
Porque tanto faz, porque não importa.
Porque nunca espero que acrescente.
Há paz em nada esperar.
Nunca espero nada do que não me tem utilidade,
Porquanto não me cansa, e isso é um prazer.
8
A vida inteira
Fome nas mãos.
Ternura na boca.
Um olhar de súplica.
Um beijo que demora.
Um amor acorda.
E uma vida inteira à porta.
Ternura na boca.
Um olhar de súplica.
Um beijo que demora.
Um amor acorda.
E uma vida inteira à porta.
8
O que não fui
Deram-me a possibilidade de ser o que não fui.
Tudo o que quis foi perder-me por entre tempestades.
Subir todos os montes e abraçar liberdades.
E assim, presa a quem sempre fui, não agarrei o que sonharam para mim.
Perseguindo os abismos da saudade do que nunca existiu.
Aqui e agora, onde me encontro a viver da única maneira que me sei ser.
E pouco a pouco, o que não fui vai ficando para trás.
Tudo o que quis foi perder-me por entre tempestades.
Subir todos os montes e abraçar liberdades.
E assim, presa a quem sempre fui, não agarrei o que sonharam para mim.
Perseguindo os abismos da saudade do que nunca existiu.
Aqui e agora, onde me encontro a viver da única maneira que me sei ser.
E pouco a pouco, o que não fui vai ficando para trás.
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Ania
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