Look Around
Look around.
We are all the same…
Imperfect souls in bodies seeking for perfection.
Look around.
We want everything and we run for nothing,
Depleting feelings and wasting our days.
Leaving so many lives behind.
Look around.
We walk in circles, lost in tricks.
Look around.
In fact, we just need one thing.
What's best dress, under the skin… Love.
The long and, definitely, the only way.
Diz-me Tu
O teu corpo destemido que se fez ao meu.
O sabor da tua pele tão perto da minha.
Um sorriso aberto, um beijo nos olhos.
Esse momento lento num tempo suspenso.
O mundo não abrandou.
Nem o mundo nem a vontade de chegar ao avesso.
A tua voz no meu pescoço e o abraço que se deu.
O meu perfume na tua língua.
Fez apetecer um assalto que não aconteceu.
O teu cheiro em mim.
Ah! O teu cheiro ainda…
Diz-me tu o que fazer com ele.
Pessoas Como Nós
Pessoas como nós olham nos olhos.
Pessoas como nós asfixiam a tristeza com abraços.
Pessoas como nós apertam os laços com nós cegos.
Pessoas como nós lambem lágrimas para estancar a dor nos outros.
Pessoas como nós amam almas e aceitam corpos.
E nunca o contrário!
Pessoas como nós só mantêm distâncias discretas.
Pessoas como nós sonham com a mesma velocidade com que as estrelas rasgam o céu.
Pessoas como nós destroem trilhos para fazerem o caminho.
Pessoas como nós guardam saudades.
Pessoas como nós nunca partem porque levam o coração cheio.
Voltam sempre!
Pessoas como nós vestem-se de emoções.
Pessoas como nós embebedam-se de ilusão.
Pessoas como nós rasgam o peito para arrancar mágoas.
Pessoas como nós dançam músicas que ninguém ouve.
Pessoas como nós não se envergonham de esfarrapar os joelhos.
Pedir perdão é tantas vezes a única forma de perdoar.
Pessoas como nós esperam, tantas vezes, para sempre.
Pessoas como nós sofrem por nadas, aparentemente, enormes.
Pessoas como nós dão o braço a torcer só à terceira.
Mas rasgam sorrisos logo à primeira!
Pessoas como nós amam, como só ama o amor!
Fome
Não, não tive fome de paz.
Sede de eternindade ou de luar.
Apenas uma vontade de ficar aqui e ali.
Perto do mar, o vento a beijar-me a pele.
Sentir o desejo nas veias como um veneno.
Paixão a pulsar.
E no fim de toda a espera,
Ver-te, ao longe, a chegar.
Nunca tive fome senão de ti.
De perder-me nas correntes, de mergulhar.
Troçando da solidão, saltar dos abismos.
Ser livre nos pensamentos e ser capaz de voar.
Não te adoro
Nunca me ouvirás dizer que te adoro porque adorar, adoro queijo, chocolate, whisky... das pessoas eu gosto, muito ou pouco.
Adorar é coisa de deuses, é coisa assim idolatrada como a minha adoração pela poesia.
Nunca me ouvirás dizer que te adoro, porque não adoro... amo-te!
Amo-te como, sempre, ama o amor!
Refém
É como se o meu corpo fosse um território em guerra.
É como se um fogo queimasse tudo.
Já não sei quem há segundos era.
A cada segundo me transformo e mudo.
Um calor que me consome e nada o detém.
Uma guerra em que não luto e sou apenas refém.
O Amor Não Cura Tudo
Hoje acordei com a sensação de que já tinha vivido este dia.
Louca, pensei.
Repetidas, uma a uma, todas as coisas que sentia.
Mas loucura, nenhuma.
Só um calor a escorreguer pelo rosto,
Para me lembrar,
Calmamente me lembrar,
Que a vida é, assim mesmo, crua.
E há dias em que acordar,
Não tenho dúvida,
É um novo passo atrás na luta,
Porque o amor,
Ah, o amor! O amor salva-nos mas não cura tudo!
Eu Peço
Eu peço que se apaguem as luzes.
Que se tinjam as lágrimas.
Eu peço às flores explicações.
Complicadas e nunca achadas.
Eu peço ao lume que se alague.
Ou se murche dentro do peito.
Baú que se torce e entorpece.
Eu peço ao vento que afaste o véu.
A débil raia que me turva a vista.
É azeda esta lonjura que me habita.
Eu peço ao mar que me queime a pele.
Que nada toca ou nela perdura.
É insano todo o meu pensar.
Que tudo pensa e nada o satisfaz.
São pedidos irreais e excessivos.
Como demasiada sou toda eu.
Eu peço para calar a voz da minha pressa.
A vida ama-se devagar.
Eu peço calma nesta hora de te abraçar.
Privilégio de te amar
Que privilégio é este de te amar.
Não há distinção maior do que me ver no teu olhar.
Ah, e aquele toque que me arrepia a alma.
É verdade que, para mim, o nosso amor é uma honra.
O que importa que não sejas perfeito se te amo?!
O amor não é magistral,o amor é tão só amor.
E é tanto… e é meu e teu, é nosso!
Tens a mágica de ver o mar no verde dos meus olhos.
E eu vejo o céu na tua boca e música nas tuas mãos.
Tens o dom de me amar.
E quem disse que amar-me é fácil?!
O amor possibilita o impossível, o impensável.
E eu desejei impossivelmente o impensável.
Desejei este fascínio de corpos favorecidos pelo encaixe das almas.
Ah, como te amo!
O amor é um perfeito e requintado caminho que me conduz a ti.
E àquele nós que poucos sabem.
Poucos saberão como se beija um coração.
Porque isso é mistério dos verdadeiramente amantes.
Amantes como nós.
Ah, como beijas o meu sentimento!
Que privilégio é este de sentir dois corações que batem em uníssono.
Juntos numa perfeita comunhão.
Juntos prometem ao mundo que cuidarão um do outro.
Não há maior privilégio do que poder cuidar de ti muito para lá da vida.
E saber que o fazes também na mesma sem-medida!
O amor basta as desavenças e o nosso é bastante!
O nosso amor é um regaço que nos acolhe, é um afágo valioso.
Ah, como somos ricos e abençoados.
A natureza concede privilégios somente a quem ousa amar.
E nós desafiamos a vida e desfiamos os sentimentos um a um.
Quero que todos saibam que o amor não são desfiles, é apenas um corajoso e emocionado grito.
Que todos oiçam que te amo.
Eu ouvirei sempre o teu grito porque me é puro.
Amamo-nos como ama o amor…
Ah…! E isso é um honrado e inexplicável privilégio!
O Caminho
A viagem continua…
Traço um plano e faço-me ao caminho.
As saudades pesam-me na bagagem.
Mas não me desfaço de nenhuma.
Cada uma tem o seu encanto e a sua dor.
O vento sussurra palavras que não entendo.
E folhas rodopiam numa dança de tons alaranjados.
Há calma.
Há uma serenidade que se veste de frio.
Encolho-me dentro de mim num murchar absoluto.
Assaltam-me considerações perversas e patéticas.
Cresce uma fome de desapego.
Tiro dos bolsos as memórias que trago.
Deixo-as ficar pelo caminho num rasto de luto.
Prossigo em busca de coisa nenhuma.
Nada, nunca encontro nada.
Chego ao fim, nova estrada, novo rumo,
E a viagem continua.