Raquel Mesquita

Raquel Mesquita

n. 1985 PT PT

n. 1985-03-21, Matosinhos

Perfil
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Destino

Descalça, sigo adiante, pela estrada da loucura que me atrai.
É este o inevitável destino de quem na vida sempre cai!


Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
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Poemas

92

Fingimento

É difícil encontrar quem nos ame,
Ah! Ninguém nos entende.
Oiço por aí que, como nós,
Quem muito escreve,
Só escreve porque mente.
E eu, 
Eu percebo verdadeiramente!
Pois como vocês, caros amigos,
Finjo que vivo o que não vivo.
Toda a dor, todo o amor,
É todo um mundo,
Aflitivo,
Que só existe no papel.
Mas quem, como nós, mente,
Também sofre, também ama, também sente.
E como é bela esta vida sonhada...
Mentimos quase tão perfeitamente que,
Na vida,
Aquilo que tanto escrevemos e mentimos,
Chega a ser verdade para tanta gente!
35

Diz-me Tu

O teu corpo destemido que se fez ao meu.
O sabor da tua pele tão perto da minha.
Um sorriso aberto, um beijo nos olhos.
Esse momento lento num tempo suspenso.
O mundo não abrandou.
Nem o mundo nem a vontade de chegar ao avesso.
A tua voz no meu pescoço e o abraço que se deu.
O meu perfume na tua língua.
Fez apetecer um assalto que não aconteceu.
O teu cheiro em mim.
Ah! O teu cheiro ainda…
Diz-me tu o que fazer com ele.
28

Não te adoro

Nunca me ouvirás dizer que te adoro porque adorar, adoro queijo, chocolate, whisky... das pessoas eu gosto, muito ou pouco.
Adorar é coisa de deuses, é coisa assim idolatrada como a minha adoração pela poesia.
Nunca me ouvirás dizer que te adoro, porque não adoro... amo-te!
Amo-te como, sempre, ama o amor!
25

Inspiração

Nas noites em que a espero e me sento,
De copo na mão, serena e calma.
Nessas noites, não há nada,
Ela nunca chega.
E com a folha já amarrotada,
Sem nenhum alento,
Embebedo o corpo e a alma.
Porque ela é assim, uma vontade indomada.
Que sem convite, sem ser esperada,
Vem gritar-me ao ouvido ainda com mais gana.
Nas noites em que quero dormir e esquecer,
Não me larga, não me dá descanso.
E pela madrugada, o cansaço é já tanto,
Que a deixo livre nas mãos,
Fecho os olhos descansada,
Para o que ela quiser escrever.
25

Look Around

Look around.
We are all the same…
Imperfect souls in bodies seeking for perfection.
Look around.
We want everything and we run for nothing,
Depleting feelings and wasting our days.
Leaving so many lives behind.
Look around.
We walk in circles, lost in tricks.
Look around.
In fact, we just need one thing.
What's best dress, under the skin… Love.
The long and, definitely, the only way.
32

Preto e Branco

Na caixa guardo as cores, para depois.
Na mão, seguro o preto.
Preto carregado, é preto sem dúvida.
Intransponível como tudo o que há para dizer.
A folha perde a palidez,
Tinjo palavras no papel.
Mas o branco, continua branco,
Em cada espaço, em cada silêncio.
É branco alvíssimo, sem dúvida branco.
Puro, como o toque de almas nos corpos.
Como todos os beijos e abraços que demos.
Se fecho os olhos parecem poucos,
E demos tantos.
Mas não há dúvidas,
O preto, 
Verdadeiramente preto, 
No branco,
Imaculadamente branco,
Diz saudade, diz que não volta, diz fim.
19

!

Afinal, sonhar é não viver!
22

Imprudência

Cometo sempre a imprudência de acreditar.
De me fazer ao caminho quando todos me dizem que não é por ali.
A inocência de pensar que quem dá a sua palavra tem honra.
E que vale mais a morte do que ser verme maleável.
Uma jura não devia ser uma treta.
A necessidade de acreditar que uma palavra não é só uma palavra.
Que dizer a verdade é tudo o que importa.
Incauta esta busca pela clareza.
Em que o preto no branco vale mais do que qualquer manobra ou habilidade.
Esqueço-me que o mundo é para os ardilosos, hábeis na encenação.
Esqueço-me que no fim ninguém quer saber do que disse.
Tropeço sempre no egoísmo parvo que se enfurece e me derruba.
As máscaras não deixam ler o que diz a pele.
E são bonitas e vestem personagens magníficas.
Discursos dignos de prémio, posturas que transpiram rectidão.
Mas que vão beber ali, ao mar da aparência, gotas de traição.
E o pano cai, o ego inflama-se e a fractura exposta deixa ver o sujo que há por dentro.
O lixo abunda… e dignidade? Nenhuma.
22

Beber O Mundo

Quero conhecer o mundo pelos teus olhos.
Pela tua boca, a cidade não é a cidade.
Pela tua boca, eu não sou eu.
Tu não falas do que vês, falas do que sentes.
Amas os pormenores, conheces a alma.
Vais ao avesso e desvendas os enigmas.
Não alcanço esses lugares, não lhes conheço o sabor.
Quero ir nas tuas viagens.
Sentir para lá do que vejo, ver para além dos corpos.
Respirar as cores, tocar com o olhar.
E no regresso, cerrar os olhos e ver tudo de novo.
Ser capaz de voar.
Ser maior em pensamento.
Ter a imaginação como limite.
E na base,
Ah… amar!
Beijar o vento, abraçar o mar.
Banhar-me nas emoções e vestir a vida com verdade.
Poder ser tudo em todo o lado.
Devorar os sonhos a rir, derrubar as paredes do quadrado.
Quero viver assim, como deve ser, intensamente.
Embriagar-me de vida, beber o mundo.
18

Ó noite!

Dormi à noite ao relento,
Numa espera suspensa de te encontrar.
Na minha boca nem um lamento,
Só uma tristeza vidrada no olhar.
Ó vida!
Ó lástima!
Ó vizinha desgraça!
A morte faz de mim cadáver,
Nesta sede de me acabar!
21

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