Lista de Poemas
Mais Triste que o Próprio Fado
Que importa se o fado é triste,
Se mais triste sou eu por não te ter!
Converteste o nosso amor num deserto,
Onde não há água, almas ou amor.
Não há nada!
Uns braços que se desprenderam,
Um coração interrompido,
Uma vida quebrada!
Triste fado, triste deserto, triste rumo.
Infindável e triste caminho sem dia,
Este caminho sem ti!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
Se mais triste sou eu por não te ter!
Converteste o nosso amor num deserto,
Onde não há água, almas ou amor.
Não há nada!
Uns braços que se desprenderam,
Um coração interrompido,
Uma vida quebrada!
Triste fado, triste deserto, triste rumo.
Infindável e triste caminho sem dia,
Este caminho sem ti!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
812
Velho Banco
Gosto daquele velho banco da praça.
Que foi ali ficando meio perdido, propositadamente esquecido e só.
Tão anonimamente conhecido.
Banco meio coxo de pedra gasta e macia.
É de um acinzentado nu e brilhantemente polido pelo tempo.
Valente sobrevivente, pobre de elegância e tão valioso de testemunhos.
Sem a imponência digna de um postal de recordação.
Porém, eternizado na memória de muitos.
Inspirou poetas e serviu artistas.
Histórico palco de entusiasmantes encontros.
Nele se cravam também longas despedidas.
Impregnado de momentos à roda dos quais pairam sentimentos genuínos.
Docemente acarinha os que, como ele, andam eternamente sós.
Sós na vida ou naquela praça sem idade.
Já foi casa despida em tantas noites de solidão.
E reconfortante pouso em tardes quentes de sol escaldante.
Silencioso confidente e servo ouvinte dos que lhe abrem a alma.
Companheiro dos pássaros, seus fiéis guardiães que lhe trazem uma exclusiva melodia.
Um firme abraço sem braços, sempre tão seguro.
Constantemente disputado e ocupado, sendo de igual forma irmão do abandono.
Ás vezes quente, às vezes frio.
Fiel ao turbilhão da sua praça movimentada e ao tropel que, de vez em quando, por ali passa.
Gente que o olha, mas não o vê.
Alguns nem o sabem ali, estando ele sempre lá.
Preso na sua imobilidade a um chão que não é seu.
Sem ser dono de si consegue ser dono de uma esplêndida vista do rio.
Nobre banco que não se cansa, não foge e não escolhe.
Tão meu e de toda a gente.
Gosto daquele meu velho e singelo banco sem fama...
O seu único nome é somente banco da praça.
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
Que foi ali ficando meio perdido, propositadamente esquecido e só.
Tão anonimamente conhecido.
Banco meio coxo de pedra gasta e macia.
É de um acinzentado nu e brilhantemente polido pelo tempo.
Valente sobrevivente, pobre de elegância e tão valioso de testemunhos.
Sem a imponência digna de um postal de recordação.
Porém, eternizado na memória de muitos.
Inspirou poetas e serviu artistas.
Histórico palco de entusiasmantes encontros.
Nele se cravam também longas despedidas.
Impregnado de momentos à roda dos quais pairam sentimentos genuínos.
Docemente acarinha os que, como ele, andam eternamente sós.
Sós na vida ou naquela praça sem idade.
Já foi casa despida em tantas noites de solidão.
E reconfortante pouso em tardes quentes de sol escaldante.
Silencioso confidente e servo ouvinte dos que lhe abrem a alma.
Companheiro dos pássaros, seus fiéis guardiães que lhe trazem uma exclusiva melodia.
Um firme abraço sem braços, sempre tão seguro.
Constantemente disputado e ocupado, sendo de igual forma irmão do abandono.
Ás vezes quente, às vezes frio.
Fiel ao turbilhão da sua praça movimentada e ao tropel que, de vez em quando, por ali passa.
Gente que o olha, mas não o vê.
Alguns nem o sabem ali, estando ele sempre lá.
Preso na sua imobilidade a um chão que não é seu.
Sem ser dono de si consegue ser dono de uma esplêndida vista do rio.
Nobre banco que não se cansa, não foge e não escolhe.
Tão meu e de toda a gente.
Gosto daquele meu velho e singelo banco sem fama...
O seu único nome é somente banco da praça.
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
828
Os Meus Olhos
Os meus olhos dizem o que a boca não ousa pronunciar...
Porque as palavras eu controlo, mas o coração não!
Porque tantas vezes me traio em conversas, mas no meu olhar não!
Porque os olhos são leais à alma , mas a boca não!
Porque os olhos falam sem falar, mas a boca não!
Porque os olhos brilham, mas a boca não!
Porque os olhos são paz e afecto...a boca é matéria, é razão!
Porque os meus olhos não gostam do escuro...
E eu também não!
Sim! Os meus olhos não têm faz de conta...
E eu tambén não!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
Porque as palavras eu controlo, mas o coração não!
Porque tantas vezes me traio em conversas, mas no meu olhar não!
Porque os olhos são leais à alma , mas a boca não!
Porque os olhos falam sem falar, mas a boca não!
Porque os olhos brilham, mas a boca não!
Porque os olhos são paz e afecto...a boca é matéria, é razão!
Porque os meus olhos não gostam do escuro...
E eu também não!
Sim! Os meus olhos não têm faz de conta...
E eu tambén não!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
838
...
Ser feliz é comer filetes com salada russa e saber-nos a magret de pato com puré de baunilha!
14
Pessoas Como Nós
Pessoas como nós olham nos olhos.
Pessoas como nós asfixiam a tristeza com abraços.
Pessoas como nós apertam os laços com nós cegos.
Pessoas como nós lambem lágrimas para estancar a dor nos outros.
Pessoas como nós amam almas e aceitam corpos.
E nunca o contrário!
Pessoas como nós só mantêm distâncias discretas.
Pessoas como nós sonham com a mesma velocidade com que as estrelas rasgam o céu.
Pessoas como nós destroem trilhos para fazerem o caminho.
Pessoas como nós guardam saudades.
Pessoas como nós nunca partem porque levam o coração cheio.
Voltam sempre!
Pessoas como nós vestem-se de emoções.
Pessoas como nós embebedam-se de ilusão.
Pessoas como nós rasgam o peito para arrancar mágoas.
Pessoas como nós dançam músicas que ninguém ouve.
Pessoas como nós não se envergonham de esfarrapar os joelhos.
Pedir perdão é tantas vezes a única forma de perdoar.
Pessoas como nós esperam, tantas vezes, para sempre.
Pessoas como nós sofrem por nadas, aparentemente, enormes.
Pessoas como nós dão o braço a torcer só à terceira.
Mas rasgam sorrisos logo à primeira!
Pessoas como nós amam, como só ama o amor!
Pessoas como nós asfixiam a tristeza com abraços.
Pessoas como nós apertam os laços com nós cegos.
Pessoas como nós lambem lágrimas para estancar a dor nos outros.
Pessoas como nós amam almas e aceitam corpos.
E nunca o contrário!
Pessoas como nós só mantêm distâncias discretas.
Pessoas como nós sonham com a mesma velocidade com que as estrelas rasgam o céu.
Pessoas como nós destroem trilhos para fazerem o caminho.
Pessoas como nós guardam saudades.
Pessoas como nós nunca partem porque levam o coração cheio.
Voltam sempre!
Pessoas como nós vestem-se de emoções.
Pessoas como nós embebedam-se de ilusão.
Pessoas como nós rasgam o peito para arrancar mágoas.
Pessoas como nós dançam músicas que ninguém ouve.
Pessoas como nós não se envergonham de esfarrapar os joelhos.
Pedir perdão é tantas vezes a única forma de perdoar.
Pessoas como nós esperam, tantas vezes, para sempre.
Pessoas como nós sofrem por nadas, aparentemente, enormes.
Pessoas como nós dão o braço a torcer só à terceira.
Mas rasgam sorrisos logo à primeira!
Pessoas como nós amam, como só ama o amor!
10
Palavras Desmaiadas
Isto não é uma carta de amor,
Não te iludas meu querido amigo.
Se bem vês,
As palavras estão desmaiadas.
E nesta folha de fraca tez,
O que, nas breves linhas, partilho contigo,
É, das horas bem passadas,
O calor e o remorso da ilusão,
Que, neste jeito imprudente, te fiz viver.
Oh céus, uma insensatez!
Porém, com muito carinho,
E sem te ofender,
Digo-te que não é amor,
Mas amizade poderá ser!
Não te iludas meu querido amigo.
Se bem vês,
As palavras estão desmaiadas.
E nesta folha de fraca tez,
O que, nas breves linhas, partilho contigo,
É, das horas bem passadas,
O calor e o remorso da ilusão,
Que, neste jeito imprudente, te fiz viver.
Oh céus, uma insensatez!
Porém, com muito carinho,
E sem te ofender,
Digo-te que não é amor,
Mas amizade poderá ser!
6
Imprudência
Cometo sempre a imprudência de acreditar.
De me fazer ao caminho quando todos me dizem que não é por ali.
A inocência de pensar que quem dá a sua palavra tem honra.
E que vale mais a morte do que ser verme maleável.
Uma jura não devia ser uma treta.
A necessidade de acreditar que uma palavra não é só uma palavra.
Que dizer a verdade é tudo o que importa.
Incauta esta busca pela clareza.
Em que o preto no branco vale mais do que qualquer manobra ou habilidade.
Esqueço-me que o mundo é para os ardilosos, hábeis na encenação.
Esqueço-me que no fim ninguém quer saber do que disse.
Tropeço sempre no egoísmo parvo que se enfurece e me derruba.
As máscaras não deixam ler o que diz a pele.
E são bonitas e vestem personagens magníficas.
Discursos dignos de prémio, posturas que transpiram rectidão.
Mas que vão beber ali, ao mar da aparência, gotas de traição.
E o pano cai, o ego inflama-se e a fractura exposta deixa ver o sujo que há por dentro.
O lixo abunda… e dignidade? Nenhuma.
De me fazer ao caminho quando todos me dizem que não é por ali.
A inocência de pensar que quem dá a sua palavra tem honra.
E que vale mais a morte do que ser verme maleável.
Uma jura não devia ser uma treta.
A necessidade de acreditar que uma palavra não é só uma palavra.
Que dizer a verdade é tudo o que importa.
Incauta esta busca pela clareza.
Em que o preto no branco vale mais do que qualquer manobra ou habilidade.
Esqueço-me que o mundo é para os ardilosos, hábeis na encenação.
Esqueço-me que no fim ninguém quer saber do que disse.
Tropeço sempre no egoísmo parvo que se enfurece e me derruba.
As máscaras não deixam ler o que diz a pele.
E são bonitas e vestem personagens magníficas.
Discursos dignos de prémio, posturas que transpiram rectidão.
Mas que vão beber ali, ao mar da aparência, gotas de traição.
E o pano cai, o ego inflama-se e a fractura exposta deixa ver o sujo que há por dentro.
O lixo abunda… e dignidade? Nenhuma.
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Ania
ania_lepp