Lista de Poemas
Assunto Banal
O homem que outrora amei,
É agora, na minha boca,
Um mero assunto banal.
De escárnio e de riso,
E, talvez, de algum desdém.
Como um artigo de jornal.
O homem que outrora amei,
É só isso,
Um mero assunto,
Que não interessa a ninguém.
É agora, na minha boca,
Um mero assunto banal.
De escárnio e de riso,
E, talvez, de algum desdém.
Como um artigo de jornal.
O homem que outrora amei,
É só isso,
Um mero assunto,
Que não interessa a ninguém.
76
As Minhas Mãos
Leva-me tudo!
Deixa-me apenas a sensibilidade...
É ela que me sussurra.
E pelas minhas mãos te fala.
Peço-te que me deixes as mãos.
São as minhas mãos que te escrevem...
E te tocam!
Escrever é um processo de regresso a ti...
Só assim te sinto!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
Deixa-me apenas a sensibilidade...
É ela que me sussurra.
E pelas minhas mãos te fala.
Peço-te que me deixes as mãos.
São as minhas mãos que te escrevem...
E te tocam!
Escrever é um processo de regresso a ti...
Só assim te sinto!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
925
Ah dá-me beijos
Dá-me beijos.
Dá-me beijos quando a lua nos abraçar.
Ou quando o sol nos sorrir.
Quando voarmos de asas esplendorosamente cálidas, nesse momento, dá-me beijos.
Dá-me beijos por entre as altas árvores da floresta mágica.
Beijos na areia cristalizada daquela praia quase secreta ou na montanha da paz.
Quando partir e voltar, quero que me beijes.
Quero a memória dos beijos que passam, quero vinho a transbordar, quero o mar no leito, quero tudo...
Ah, mas quero beijos, desses beijos, muitos.
Se resolver seguir a estrada fascinante do abismo, e se cair, espero que mesmo assim me beijes.
Dá-me a mão e os teus esperançados braços, naquele abraço profundo.
Naquela rua perdida, na janela companheira da noite, nos excessos e na calmaria, dá-me um beijo.
Cobre-me.
Quando sentires o cheiro da terra molhada e rolarmos sob as folhas de seda, num movimento exageradamente longo, de uma dança intimamente sublime e ofegante, dá-me beijos.
Intermináveis. Quentes. Robustos.
Se eu for, se tu não ficares, beijemo-nos para sempre naquela nossa realidade tão imaginária.
Ficará o nosso segredo, eternamente agrilhoado naquele preciso beijo, desse dia nublado.
Se vier a sede de definhar, essa falta, os gritos estridentes e o fim dilacerante... beijos, quero beijos.
Languidez.
Dou-te tudo.
Dá-me amor, corações felizes, natureza selvagem, dá-me tudo.
Ar e todos os elementos possíveis.
Dá-me mais além.
Espero-te no sábio tempo de um regresso orgulhosamente inevitável.
O triunfo.
Dá-me loucura de sensações e sentidos, demência de sentimentos.
Paladares e perfumes aromatizados de encantamento.
O desconhecido e o impossível.
Dá-me mais qualquer coisa.
Ah...
Mas, dá-me beijos.
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
Dá-me beijos quando a lua nos abraçar.
Ou quando o sol nos sorrir.
Quando voarmos de asas esplendorosamente cálidas, nesse momento, dá-me beijos.
Dá-me beijos por entre as altas árvores da floresta mágica.
Beijos na areia cristalizada daquela praia quase secreta ou na montanha da paz.
Quando partir e voltar, quero que me beijes.
Quero a memória dos beijos que passam, quero vinho a transbordar, quero o mar no leito, quero tudo...
Ah, mas quero beijos, desses beijos, muitos.
Se resolver seguir a estrada fascinante do abismo, e se cair, espero que mesmo assim me beijes.
Dá-me a mão e os teus esperançados braços, naquele abraço profundo.
Naquela rua perdida, na janela companheira da noite, nos excessos e na calmaria, dá-me um beijo.
Cobre-me.
Quando sentires o cheiro da terra molhada e rolarmos sob as folhas de seda, num movimento exageradamente longo, de uma dança intimamente sublime e ofegante, dá-me beijos.
Intermináveis. Quentes. Robustos.
Se eu for, se tu não ficares, beijemo-nos para sempre naquela nossa realidade tão imaginária.
Ficará o nosso segredo, eternamente agrilhoado naquele preciso beijo, desse dia nublado.
Se vier a sede de definhar, essa falta, os gritos estridentes e o fim dilacerante... beijos, quero beijos.
Languidez.
Dou-te tudo.
Dá-me amor, corações felizes, natureza selvagem, dá-me tudo.
Ar e todos os elementos possíveis.
Dá-me mais além.
Espero-te no sábio tempo de um regresso orgulhosamente inevitável.
O triunfo.
Dá-me loucura de sensações e sentidos, demência de sentimentos.
Paladares e perfumes aromatizados de encantamento.
O desconhecido e o impossível.
Dá-me mais qualquer coisa.
Ah...
Mas, dá-me beijos.
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
918
Ousadia de Amar
Vergo-me numa vénia sentida.
Prostro-me sem vergonha nem timidez.
Ergo os braços ao céu num gesto de profunda veneração.
A ele solto um alto grito de estima e agradecimento.
Felizes dos destemidos de amor e dos arrojadamente amantes,
Honrados os que ousam sentir!
Estendo-me aos pés dos que têm o coração a doer,
Porque o amor também dói,
Amar é, tantas vezes, um abraço forçado com a desilusão.
Amar é viver, é uma valente ousadia,
Louvados os emocionalmente audazes!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
Prostro-me sem vergonha nem timidez.
Ergo os braços ao céu num gesto de profunda veneração.
A ele solto um alto grito de estima e agradecimento.
Felizes dos destemidos de amor e dos arrojadamente amantes,
Honrados os que ousam sentir!
Estendo-me aos pés dos que têm o coração a doer,
Porque o amor também dói,
Amar é, tantas vezes, um abraço forçado com a desilusão.
Amar é viver, é uma valente ousadia,
Louvados os emocionalmente audazes!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
849
O Legítimo Pedido
Faço-te um pedido,
Faz-me o favor de o cumprires!
Peço-te...
Quando te lembrares de mim,
Esquece-me por mais uns anos!
A nossa beleza está em não nos falarmos...
E dar-mos ao silêncio o triunfo da sua sabedoria.
Ver,
Não dizer uma palavra,
Reter as lembranças...
E deixar a imaginação cuidar do futuro.
É só o que te peço!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
Faz-me o favor de o cumprires!
Peço-te...
Quando te lembrares de mim,
Esquece-me por mais uns anos!
A nossa beleza está em não nos falarmos...
E dar-mos ao silêncio o triunfo da sua sabedoria.
Ver,
Não dizer uma palavra,
Reter as lembranças...
E deixar a imaginação cuidar do futuro.
É só o que te peço!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
840
Migalhas de Amor
Apanhas os sentimentos sujos do chão,
Como quem apanha migalhas caídas de um pão.
Faminto de amor, de tudo e de mais qualquer coisa.
Na rua pedes esmola, e com medo que eu te oiça,
Escondes a mão, escondes-te de mim.
Foges de quem te oferece todo o amor e um genuíno e limpo coração.
Oh mendigo, porque teimas em procurar a felicidade no chão?
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
Como quem apanha migalhas caídas de um pão.
Faminto de amor, de tudo e de mais qualquer coisa.
Na rua pedes esmola, e com medo que eu te oiça,
Escondes a mão, escondes-te de mim.
Foges de quem te oferece todo o amor e um genuíno e limpo coração.
Oh mendigo, porque teimas em procurar a felicidade no chão?
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
777
Não Te Amo
Já não amo aquele que ama outra...
Ou que ama muitas ou qualquer uma.
Ou talvez que não ama ninguém.
Já não amo aquele que se ama a si e só a si...
Ou talvez aquele que não ama nem a si nem a mulher alguma,
Porque não sabe o que é amar.
Ou talvez tenha perdido a fé no amor.
Esse mesmo, já não o amo!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
Ou que ama muitas ou qualquer uma.
Ou talvez que não ama ninguém.
Já não amo aquele que se ama a si e só a si...
Ou talvez aquele que não ama nem a si nem a mulher alguma,
Porque não sabe o que é amar.
Ou talvez tenha perdido a fé no amor.
Esse mesmo, já não o amo!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
828
Asseguro-te que
Não há razões,
Nem ouses dar-mas!
Desconheço motivos.
Desconheço causas.
Não vás procurá-las!
Se estas achares,
Deves guardá-las!
Não sei das ligações...
Ignora-as também!
Não me dês uniões!
Que se mas deres,
Fica certo...
De que vou usá-las!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
Nem ouses dar-mas!
Desconheço motivos.
Desconheço causas.
Não vás procurá-las!
Se estas achares,
Deves guardá-las!
Não sei das ligações...
Ignora-as também!
Não me dês uniões!
Que se mas deres,
Fica certo...
De que vou usá-las!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
876
Encantamento
Fim de tarde de pôr-do-sol pigmentado de alaranjado com timbres de púrpura.
O mar numa ondulação adormecida.
O "tschh tschh" penetrante das suas ondas leva-me os pensamentos.
Uma brisa insinuante ousa tocar-me com os seus dedos quentes.
Há música de tom teatral na paisagem.
As borboletas irrompem na sua interminável e exuberante dança de purpurinas.
Há suaves batimentos vindos do solo.
Ou talvez vindos de dentro de mim.
Não sei, não sou capaz de distinguir.
Ouço pássaros que avançam.
Escuto-os na ânsia desesperada de uma novidade acalentada.
Melodicamente gritam-me palavras de ordem reveladoras.
Sou invadida.
Surpreendentemente, pego em mim e levanto-me, sem esforço, daquele banco de pedra envolto em flores silvestres.
Obedeço apaixonada às melodias e aos mandamentos que me chegam do ar.
Saio.
E...vou amar.
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
O mar numa ondulação adormecida.
O "tschh tschh" penetrante das suas ondas leva-me os pensamentos.
Uma brisa insinuante ousa tocar-me com os seus dedos quentes.
Há música de tom teatral na paisagem.
As borboletas irrompem na sua interminável e exuberante dança de purpurinas.
Há suaves batimentos vindos do solo.
Ou talvez vindos de dentro de mim.
Não sei, não sou capaz de distinguir.
Ouço pássaros que avançam.
Escuto-os na ânsia desesperada de uma novidade acalentada.
Melodicamente gritam-me palavras de ordem reveladoras.
Sou invadida.
Surpreendentemente, pego em mim e levanto-me, sem esforço, daquele banco de pedra envolto em flores silvestres.
Obedeço apaixonada às melodias e aos mandamentos que me chegam do ar.
Saio.
E...vou amar.
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
779
Não Sei de Nós
Arrasto-me pelos dias numa busca que me vai agonizando.
Procuro-te nas ruas por onde desfilamos procissões de promessas.
Procuro-me nos cantos, agora desertos, onde te cravaste em mim.
Ânsias, desalento, terror... escuridão de emoções que me sutenta!
Encontro-nos em cada esquina fria e gasta.
Esquinas gastas pela surpresa de nunca te ver chegar.
Esquinas gastas pela certeza de eu sempre te esperar.
Tenho frio...
Não sei de ti, de mim, de nós e tão-pouco sei do que nos separa!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
Procuro-te nas ruas por onde desfilamos procissões de promessas.
Procuro-me nos cantos, agora desertos, onde te cravaste em mim.
Ânsias, desalento, terror... escuridão de emoções que me sutenta!
Encontro-nos em cada esquina fria e gasta.
Esquinas gastas pela surpresa de nunca te ver chegar.
Esquinas gastas pela certeza de eu sempre te esperar.
Tenho frio...
Não sei de ti, de mim, de nós e tão-pouco sei do que nos separa!
Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
775
Comentários (1)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ania
ania_lepp