Raquel Mesquita

Raquel Mesquita

n. 1985 PT PT

n. 1985-03-21, Matosinhos

Perfil
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Destino

Descalça, sigo adiante, pela estrada da loucura que me atrai.
É este o inevitável destino de quem na vida sempre cai!


Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
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Poemas

92

Desabafo

Hoje falei com o espelho.
Sabias Inês,
Hoje falei com o espelho,
E depois, sentei-me a escrever.
É isto que tenho feito,
Neste lugar ermo e sepulcral.
Todos os dias, sem parar.
Para não enlouquecer,
Mas, sobretudo, para não pensar.
Tu sabes Inês,
Para não pensar em morrer.
94

As Minhas Mãos

Leva-me tudo!
Deixa-me apenas a sensibilidade...
É ela que me sussurra.
E pelas minhas mãos te fala.
Peço-te que me deixes as mãos.
São as minhas mãos que te escrevem...
E te tocam!

Escrever é um processo de regresso a ti...
Só assim te sinto!



Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
945

Ah dá-me beijos

Dá-me beijos.
Dá-me beijos quando a lua nos abraçar.
Ou quando o sol nos sorrir.
Quando voarmos de asas esplendorosamente cálidas, nesse momento, dá-me beijos.
Dá-me beijos por entre as altas árvores da floresta mágica.
Beijos na areia cristalizada daquela praia quase secreta ou na montanha da paz.
Quando partir e voltar, quero que me beijes.
Quero a memória dos beijos que passam, quero vinho a transbordar, quero o mar no leito, quero tudo...
Ah, mas quero beijos, desses beijos, muitos.
Se resolver seguir a estrada fascinante do abismo, e se cair, espero que mesmo assim me beijes.
Dá-me a mão e os teus esperançados braços, naquele abraço profundo.
Naquela rua perdida, na janela companheira da noite, nos excessos e na calmaria, dá-me um beijo.
Cobre-me.
Quando sentires o cheiro da terra molhada e rolarmos sob as folhas de seda, num movimento exageradamente longo, de uma dança intimamente sublime e ofegante, dá-me beijos.
Intermináveis. Quentes. Robustos.
Se eu for, se tu não ficares, beijemo-nos para sempre naquela nossa realidade tão imaginária.
Ficará o nosso segredo, eternamente agrilhoado naquele preciso beijo, desse dia nublado.
Se vier a sede de definhar, essa falta, os gritos estridentes e o fim dilacerante... beijos, quero beijos.
Languidez.
Dou-te tudo.
Dá-me amor, corações felizes, natureza selvagem, dá-me tudo.
Ar e todos os elementos possíveis.
Dá-me mais além.
Espero-te no sábio tempo de um regresso orgulhosamente inevitável.
O triunfo.
Dá-me loucura de sensações e sentidos, demência de sentimentos.
Paladares e perfumes aromatizados de encantamento.
O desconhecido e o impossível.
Dá-me mais qualquer coisa.
Ah...
Mas, dá-me beijos.


Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
938

Ousadia de Amar

Vergo-me numa vénia sentida.
Prostro-me sem vergonha nem timidez.
Ergo os braços ao céu num gesto de profunda veneração.
A ele solto um alto grito de estima e agradecimento.
Felizes dos destemidos de amor e dos arrojadamente amantes,
Honrados os que ousam sentir!
Estendo-me aos pés dos que têm o coração a doer,
Porque o amor também dói,
Amar é, tantas vezes, um abraço forçado com a desilusão.
Amar é viver, é uma valente ousadia,
Louvados os emocionalmente audazes!


Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
863

O Legítimo Pedido

Faço-te um pedido,
Faz-me o favor de o cumprires!
Peço-te...
Quando te lembrares de mim,
Esquece-me por mais uns anos!
A nossa beleza está em não nos falarmos...
E dar-mos ao silêncio o triunfo da sua sabedoria.
Ver,
Não dizer uma palavra,
Reter as lembranças...
E deixar a imaginação cuidar do futuro.
É só o que te peço!

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
855

Migalhas de Amor

Apanhas os sentimentos sujos do chão,
Como quem apanha migalhas caídas de um pão.
Faminto de amor, de tudo e de mais qualquer coisa.
Na rua pedes esmola, e com medo que eu te oiça,
Escondes a mão, escondes-te de mim.
Foges de quem te oferece todo o amor e um genuíno e limpo coração.
Oh mendigo, porque teimas em procurar a felicidade no chão?

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
802

Não Te Amo

Já não amo aquele que ama outra...
Ou que ama muitas ou qualquer uma.
Ou talvez que não ama ninguém.
Já não amo aquele que se ama a si e só a si...
Ou talvez aquele que não ama nem a si nem a mulher alguma,
Porque não sabe o que é amar.
Ou talvez tenha perdido a fé no amor.
Esse mesmo, já não o amo!

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
855

Não Sei de Nós

Arrasto-me pelos dias numa busca que me vai agonizando.
Procuro-te nas ruas por onde desfilamos procissões de promessas.
Procuro-me nos cantos, agora desertos, onde te cravaste em mim.
Ânsias, desalento, terror... escuridão de emoções que me sutenta!
Encontro-nos em cada esquina fria e gasta.
Esquinas gastas pela surpresa de nunca te ver chegar.
Esquinas gastas pela certeza de eu sempre te esperar.
Tenho frio...
Não sei de ti, de mim, de nós e tão-pouco sei do que nos separa!

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
796

Os Meus Olhos

Os meus olhos dizem o que a boca não ousa pronunciar...
Porque as palavras eu controlo, mas o coração não!
Porque tantas vezes me traio em conversas, mas no meu olhar não!
Porque os olhos são leais à alma , mas a boca não!
Porque os olhos falam sem falar, mas a boca não!
Porque os olhos brilham, mas a boca não!
Porque os olhos são paz e afecto...a boca é matéria, é razão!
Porque os meus olhos não gostam do escuro...
E eu também não!
Sim! Os meus olhos não têm faz de conta...
E eu tambén não!

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
854

Mais Triste que o Próprio Fado

Que importa se o fado é triste,
Se mais triste sou eu por não te ter!
Converteste o nosso amor num deserto,
Onde não há água, almas ou amor.
Não há nada!
Uns braços que se desprenderam,
Um coração interrompido,
Uma vida quebrada!
Triste fado, triste deserto, triste rumo.
Infindável e triste caminho sem dia,
Este caminho sem ti!

Raquel Mesquita, in "Ousadia de Sentir"
832

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