Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
Poemas
6Língua universal
O amor é de infinita definição; ou sem.
Bem, é um paradoxal; e o poeta tenta.
Lamenta sua insistência; mas sempre vem.
Tem cada conceito que quase se arrebenta.
Inventa: amor é sujeito simples, vai além;
Porém, composto e plural em tudo que ostenta.
E sustenta a alma em interrogações também.
Ninguém permanece ileso; só aparenta.
Venta pós vírgula, e o ponto, se lhe convém.
Alguém silencioso de voz barulhenta.
Afugenta todo mal; dele faz desdém.
Refém da saudade. só sente, nem comenta.
Senta na varanda à espera de alguém.
É trem veloz em oxítona que acalenta.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
estado incontido
amor: carrega seu mérito
Saudade: pretérito
Ah, braços!
O abraço deveria ser obrigatório.
Aleatório, habitual; sem moderação.
Interação que tivesse um reservatório.
Relatório grifado em Constituição.
Integração de almas de bem-estar notório;
Sensório; cobertor que arrepia, emoção.
Satisfação: laço, desenho circulatório.
Respiratório; sem hora e sem dimensão.
Restrição nenhuma, de feito sucessório.
Ofertório alívio e acelera pulsação.
Relação alma com alma num tradutório.
Simplório; como disponível doação.
Coração ouve o outro coração: falatório.
Anti-inflamatório; talvez oração.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Abraço: um dueto
com os braços em quarteto
Métrica em pulsar
Sonho bom
Desligo a luz, janela aberta, olho lá fora.
Hora das estrelas; piscam nuvens de amor.
À flor do corpo, me deito e é sem demora,
Afora na mente: você; sinto o calor.
A cor do sono me pega a mão, nesse agora.
Devora-me, carrega meus eus; um torpor;
Frescor, boca molhada; você me namora.
-Ora, ora, ora! Nem me desperte, por favor!
Pudor nenhum; é que a gente no outro só mora.
Colabora encaixes, e sem mediador.
É ardor de carnes que se dão, e param a hora.
Embora surreal, é tão avassalador.
Predador você, presa eu; ao inverso, melhora.
Implora o tesão canibal; já é albor.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Como em padaria.
O sonho é tão gostoso
feito em poesia.
Paletas do ser
Há pessoas brancas, outras azulzinhas
Levinhas até: céu e nuvens a vaguear.
Alaranjar da alma em sol: raios com luzinhas.
Pequenininhas gigantes no seu amar.
Sonhar é tom verde; paixões são vermelhinhas;
Amarelinhas: tem gente a desesperar.
Cuidar é lilás com asas borboletinhas,
Calminhas em paz, e vinho a saborear.
Amar é tom arco íris; mil janelinhas;
Rosadinhas pessoas a nos abraçar
Enfeitar com os tons de todas as florzinhas.
Frutinhas roxas e flicts como o luar.
Azar das indefinidas; e sem corzinhas.
Carinhas más: cinza da alma a se projetar.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Uma só pessoa
bagunça o resto do mundo.
Raio cai na árvore.
Toxidade
E quando a gaiola se fechou; nada fez.
Três dias, três meses; e tanto tempo mais;
Aliás, não arguiu, e violou toda vez.
Xadrez; via o horizonte, apesar dos seus ais.
Mais um dia; já louva a prisão em mudez.
Insensatez; comeu só alpiste; e sem mais.
Anormais condutas, presa em altos cachês.
Surdez de seus gritos em abalos renais.
Mais um dia; esquece ser pássaro outra vez.
Acidez no afeto atravanca os seus canais.
Jamais à liberdade; de voo a escassez.
Outra vez se ignora, ainda com tantos sinais.
Quintais sem visitas; reduz a pequenez.
Mesquinhez; na gaiola ergue seu falso cais.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
cárcere do olhar
é prisão silenciosa.
há palavra infida
Sobras em mim
Requentei em mim, tantas coisas e todas minhas...
Linhas retas e as que nem sei por que entortei.
Temperei o passado ao agora em entrelinhas.
Farinhas de dor, pimentas que suportei.
Errei no tempero; e coisa grande em forminhas.
Graminhas, às vezes, confesso que pastei.
Inventei receita em falso doce; azedinhas.
Picuinhas com muito sal, quase enfartei.
Refoguei a saudade em panela e escrivaninhas.
Cebolinhas de gosto ácidos, chorei.
Amei enlatados, apodrecidas salsinhas.
Coxinhas gostosas no lixo descartei.
Brinquei: e quem nunca pesou suas metadinhas?
E coisinhas incríveis no meu forno, assei.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
O açúcar se assenta
nos cafés das nossas vidas
Se não mexe: amargo.
Comentários (1)
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.