Raquel Ordones

Raquel Ordones

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ

n. 0000-08-13, Uberlândia, MG

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Soneto roceiro


São cinco da manhã, o galo canta.
Levanta bota lenha na fornalha,
Palha, fumo, café, prece à santa, 
Planta o pé na botina; à batalha!

Orvalha ainda, chapéu, força, cabaça.
Abraça seu trabalho, busca o gado,
É cercado e peado, tão sem raça.
Rechaça o bezerrinho arreliado.

É ordenhado o leite. Já afofa a horta,
E corta o mato, varre seu quintal,
É bestial ofício, afã reporta.

Transporta porcos, roupas no varal,
É rural. Pesca e caça; se comporta,
Da porta, o luar, firme no degrau.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG

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Poemas

27

Ouvir estrelas



 
Ouço. E não precisa dizer: maluca!
Machuca-me, escuto tudo com gosto.
Rosto feliz, e na alma uma muvuca.
Caduca nada; meu ser é o oposto.
 

Posto: a janela; o coração batuca.
Nuca arrepia em contato ao encosto.
Deposto-me a estrela; graça cutuca.
Arapuca que me prende ao exposto.

                                                                             

Arrosto a distância e nada retruca.
Cuca fresca assisto ao show disposto.
Agosto, abril; tanto faz. O céu educa.
 

Truca a imagem. Vi cenário proposto.
Imposto ouvido; entendo. Nada infuca.
Suca-me o verso no verbo composto.
 

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
576

Ouça veja e sinta


Então, feche teus olhos e imagine.
Nine com calma essa concentração.
Emoção nos poros que te buline,
Fascine-te, silencie: atenção.

Então: mente voando; te refine.
Menine de qualquer feitio e ação.
Agitação de gnus tal qual um cine.
Define longe a minha pulsação.

Então: de alma transparente vitrine.
Decline teu cerne pra essa visão.
Confusão; que o desafino se afine.

Atine: o pó, nossa combinação.
Transpiração e pele; cheiro retine.
Repagine: por ti o meu coração.
 
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
463

Solidão



Refrão calado, alado pensamento.
Vento em refrega, desalinho vão.
Rouquidão pela alma num tempo lento.
Sonolento, sem asa o coração.

 
Canção sem nota arrota todo evento.
Acento afundado; esgarça colchão.
Corrimão intacto num escuro bento.
Cimento frio sem combinação.

 
Chão circunda, inverno é andamento.
Momento tanto faz; só solidão.
Extensão d’um túnel, luz isento.

 
Requento nenhum da vida; sem mão.
Dimensão análoga a qualquer invento.
Relento, jogado ser; imersão.

 
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
476

Silêncio é um senhor?


Credor místico cheio da verdade.
Invade a alma ao bumbo de tambor.
Rancor nenhum, pois é a raridade.
Sonoridade ímpar; e não ator.

 
Amor; é integral complexidade.
Agrade ou não; é franco no sabor.
Licor que na garganta abre sem grade.
Cidade é lisura; asa pudor.

 
Por limpos pratos: é habilidade.
Frade que o diga em todo o seu transpor.       
Terror nalguns, já outro: airosidade


Sinceridade é o seu sensor.
Cor é castiça; além da extremidade.
Idade do silêncio?_ Tem vigor.

 ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
450

Os Filhos são crianças para sempre



Um dia a mais ou é um dia a menos?
Plenos. Importam são os dias atuais
Tais questionamentos me são venenos.
Pequenos para sempre, para os pais.
 

Sinais de madureza, alvos terrenos.
Frenos se abalizam, racham os ais
Canais; esforços são bem mais amenos.
Fenômenos; transpõem os seus portais.
 

Varais das afeições; razões, cossenos.
Serenos imos; cheiros tão florais.
Cais; extensão de nós e sem empenos.
 

Drenos de nossa dor, especiais.
Desiguais; mundo. Filhos são de Vênus.
Acenos de alma, derme e literais.

 
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
579

Estrago



Promoção se estiver limpo o seu nome.
Retome a vida é a sugestão.
Caminhão, casa, carro; se diplome.
Crome-se pro futuro com visão.

 
Prestação; crediário é seu: dome!
Engome sem qualquer oposição.
Instituição não aceita que a embrome.
Home, empresa, você é o seu chão.

 
Liquidação do mês seguinte: come.
Some o cliente. Um vírus contramão.
Cristão fica sem verba e tanta fome.


_Tome tudo e ainda dê nele sermão!
Coração, banco não tem: só renome.
Consome seu sonho; inda é vilão.

 
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
630

Vagueio no trem saudade


Flores nos morros; é meu coração.
Emoção a brotar; todos os olores.
Sabores nas aragens da estação.
Vagão é coalhado em suas cores.

 
Pores de sol, apito, bel canção.
Direção: a sua. Gosto: seus licores.
Valores: seus caminhos, afeição.
Chão firme, trilho, trem, céu de calores.

 
Amores espalhados: ribeirão.
Plantação, passageiro, aves, rumores.
Corredores de mim, sua excursão.

 
Solidão? Nos seus beijos meus penhores.
Cultores da saudade nossa, então.
Vão sacro; aloja nossos despudores.

 
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
574

Só, em seu funeral.

Quintal vazio, sala sem ninguém.
Além do mais há vácuo no mental.
Visceral dor que tira todo zen.
Alguém diz: é doença e é viral.

Arsenal de perguntas, ora, amém.
Bem nenhum me deixou, material.
Portal sem flores. É íntegro, acúmen.
Desdém; sem um abraço é brutal.

Normal: o breve, quem proíbe? Quem?
Tem-se inicio, meio e seu final.
Mortal, simples assim: deuses aquém.

Vem o carro funéreo do hospital.
Sinal: é o cortejo e a ida também.
“Blém” toca o sino. Só; seu funeral.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
480

Liga pra Deus

Fita macia, amor aqui na essência.
Dormência; é um troço e faz tão mal.
Degrau é inumano com pendência.
Latência, dor, angústia em temporal.
                                            
Gardenal ao humano em influência.
Demência; desça o seu arsenal
Anormal o sentir; dai paciência.
Ciência é precária em pantanal!

Festival de desordem; negligência.
Imprudência do ser, feito rival.
Vendaval, desatino; com carência.

Vivência, você é o que, afinal?
Lacrimal estar, dentro, numa ardência.
Clemência; ligue pra Deus no ramal.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
643

Rios e pântanos


Corre a límpida água de criança.
Esperança em porvir, contudo morre.
Percorre no caminho, riso e trança.       
Herança transformando-se num porre.

 
Alforre elos; incide essa tal lança.
Fiança quase nada, mas transcorre.
Discorre: tudo bem! É essa dança!
Aliança com zelo tem um borre.

 
Forre seu trilho, faça uma mudança.
Confiança; respeito nele jorre.
Socorre! Há crueldade pela entrança.
 

Cobrança: _O riso da criança escorre!
Ocorre nesse pântano a lambança.
Cansa esse abuso; só pode-o e torre.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG

476

Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.