Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
Poemas
81Toxidade
E quando a gaiola se fechou; nada fez.
Três dias, três meses; e tanto tempo mais;
Aliás, não arguiu, e violou toda vez.
Xadrez; via o horizonte, apesar dos seus ais.
Mais um dia; já louva a prisão em mudez.
Insensatez; comeu só alpiste; e sem mais.
Anormais condutas, presa em altos cachês.
Surdez de seus gritos em abalos renais.
Mais um dia; esquece ser pássaro outra vez.
Acidez no afeto atravanca os seus canais.
Jamais à liberdade; de voo a escassez.
Outra vez se ignora, ainda com tantos sinais.
Quintais sem visitas; reduz a pequenez.
Mesquinhez; na gaiola ergue seu falso cais.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
cárcere do olhar
é prisão silenciosa.
há palavra infida
Sobras em mim
Requentei em mim, tantas coisas e todas minhas...
Linhas retas e as que nem sei por que entortei.
Temperei o passado ao agora em entrelinhas.
Farinhas de dor, pimentas que suportei.
Errei no tempero; e coisa grande em forminhas.
Graminhas, às vezes, confesso que pastei.
Inventei receita em falso doce; azedinhas.
Picuinhas com muito sal, quase enfartei.
Refoguei a saudade em panela e escrivaninhas.
Cebolinhas de gosto ácidos, chorei.
Amei enlatados, apodrecidas salsinhas.
Coxinhas gostosas no lixo descartei.
Brinquei: e quem nunca pesou suas metadinhas?
E coisinhas incríveis no meu forno, assei.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
O açúcar se assenta
nos cafés das nossas vidas
Se não mexe: amargo.
Esquecer demora...
Por mais que tente esquecer, menos acontece.
Anoitece, e em sonho fica no pensamento.
Evento sem controle; e de novo amanhece.
e floresce em cada tentar de esquecimento.
Movimento circular, talvez; embevece.
Desce, sobe, gira em qualquer comportamento.
Suprimento da alma que ao lembrar esquece.
Estremece até; coração formigamento.
Invento louco é amar, forte, enfraquece.
Entristece com riso jogado ao vento.
Firmamento na bolinha de gude, e tece.
Prece: Senhor me faça esquecer! juramento.
Ausento de mim, mudo e esquecer não acontece.
Enternece, e fica na gente; falha o intento.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Não esquece total
Vez ou outra vem vídeo clipe
registro no dentro.
Não é sobre trem...
A vida é um risco; num andar em trilho.
Ladrilho talvez, poeira que cobre estação.
Coração compartimento, ora descarrilho
Fitilho que solta, descontrola vagão.
A mão é sempre pra frente, sem trocadilho.
Empecilho de pedras, sem retroação.
-Perdão, nem tudo é lindo feito espartilho.
Pontilho: o não ‘se cuidar’ traz o escorregão.
A lotação apita num marcante estribilho.
Andarilho da nossa louca multidão.
Esbarrão, curvas, farol; no freio: um dedilho.
Empilho sentires; levo e trago emoção.
Sensação de ser um Lord ora um andarilho.
e brilho, a cada dia um adeus em fração.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
e no trem da vida
tempo tem velocidade.
no seu exato tempo.
Arquivo de nós
Coração gaveta que abre e fecha segredo.
Cedo, tarde, noite; tudo no seu lugar.
Chorar e sorrir se embaralham, e dá medo.
É dedo na cara: - Não sabe separar!?
Amar é alma e coração, largo arvoredo.
Degredo de paixão, meio desesperar.
Calar que grita, que faz da gente brinquedo;
Torpedo em palavras escorrem a rimar.
Lacrar foge do controle; voa o folhedo.
Enredo de cicatriz e a cicatrizar.
Recordar está lá; fértil feito um vinhedo.
É ledo, triste, emoções; saudade a pesar.
Salvar estilhaço de nós, se doce ou azedo.
Rochedo, alma é gaveta a ‘beckapear’.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Nossa conexão
Coração é carne da alma
Condimenta-nos
Então, nem tão compreensiva assim...
É que persisto, o sonho sempre sigo.
Perigo? Sim. Tenho o escudo oração.
Ação? Certo; pode contar comigo.
Coligo meus eus: ponderar ou não.
Contramão, às vezes; me contradigo.
Consigo por de lado a opinião.
Furacão estraga; - quão bom é amigo!
Abrigo se posso; e driblo alçapão.
Arpão desrespeito fere, inimigo.
Brigo sim; escuto o meu coração.
Canção é remédio; não me desligo.
Intrigo; o cruel morde a conexão.
Prontidão, sou amor próprio, não mendigo.
Ligo o f*da-se , em volume leão.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Doe, não dói assim.
Você faz a sua parte
Não se cobra aceite.
Pintando
Porta pinhão, pá pérola, púrpura pia.
Poesia pra poucos; pintada por peito
Perfeito punhal prata; paleta pedia
Polia prego pra petróleo parapeito.
Proveito pincel; pêssego pra portaria
Profecia: paz por pêndulo preconceito.
Preceito: preto pintura pra pedraria.
Pontaria pra perdão; palma, pompa, preito.
Pleito: pintar portão pistache, poesia.
Prestigia poema, pinta profusão.
Paixão por pássaros; pão pra periferia.
Primazia: papel pálido, projeção.
Padrão pitaya; pra paredes, pradaria.
Parceria, pintura, plumas: pulsação.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Pintado por partes
Pele, peito, palmas, perna
Pálpebras, pé, punho.
Mulher cara
A mulher cara tem alma, é verdadeira.
A primeira; não quer nada material,
Afinal, faz isso por si; transpõe barreira.
Inteira no fim do dia, e tão original.
Incondicional garra, a sua maneira.
Jardineira da vida, espinho e roseiral.
Feminal; em momento algum, interesseira.
Joalheira dos seus padrões, racional.
Visceral ao amar; em salto ou de rasteira;
cabeleira impecável é fundamental.
Cristal e rocha; ora é suor, ora cheira.
Parceira, busca a firmação emocional;
Leal, mulher cara; rara e não pistoleira.
Matreira, se banca; respeito: essencial.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
uma mulher cara
nunca quer o que se compra
Tem a sua conta
Sabores do tempo
Foi a gosto de Deus; eu era muito pequenina.
Menina, a segunda. Tive da vida o aceite.
-Aproveite, vá ser feliz e verse a sina.
Ensina o mundo; começar tem sabor leite.
Respeite; cresça, caminho da disciplina.
vitamina azeda? compense com confeite.
Deleite; experimente, esbalde gelatina.
Rotina arroz feijão; pirulito receite.
Peite o acre com vinho, não afronte a vacina.
Fina; achocolate amor; em café se deite
Ajeite o chiclete e o alface; a carne e felina.
Fascina; tenha gosto por saber; empreite.
Estreite a amizade; o sabor sexo ilumina;
Platina no cabelo não extrai sabor skate.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
No seu tempo flor
o paladar dos espinhos.
Após chuva, sol
Super única
Incondicional seu amor; ela é forte.
Norte, direção; qualquer ponto cardeal.
Angelical; Deusa na terra; todo aporte.
Suporte; é saber de amparo visceral.
Autoral; somos cria para nossa sorte;
Recorte de alma; super única e plural.
Espiral de sentires e sem nenhum corte.
transporte seguro, quase transcendental.
Quintal de céu na terra com gigante porte.
_Comporte-se, ela tem um cheirinho floral!
Vendaval afeto, desmedido passaporte.
Reporte ao mundo: mãe é atemporal.
Canal vida; ser infinito; sempre importe.
Horte suas raízes; e erga-se natural.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Mãe é terra santa
que de dentro brota e flore
O fruto no colo
Comentários (1)
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.