Raquel Ordones

Raquel Ordones

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ

n. 0000-08-13, Uberlândia, MG

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É remédio, sabia?

 

 

Via de onde estava sentada, um aceno.

Pequeno livro; o vento, a página abria.

Surtia vontade, de querer tão pleno.

Alieno; imerjo naquela grafia.

 

Abria a página de jeito sereno.

Dreno a voz de tinta e papel; ousadia.

Havia segredos; mágico terreno.

Engreno; era análoga a uma terapia.

 

Entupia a alma de imagens jeito ameno.

Obsceno de beleza; uma poesia.

jazia no silencio e sem veneno.

 

Moreno o conto; alto. De presença esguia.

Perdia; letra e víscera, sem esqueno.

Ibuprofeno nato. Ler, alivia.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

O livro sorria

então gargalhei de volta

estamos felizes

 

da série: Haikel’s

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Poemas

106

Pare, espere! E ele segue...

 

Da janela: a rua, fio, um farol

Arrebol; nuvens e uma brisa fria.

Irradia, ainda de pijama, o sol.

Aperol por entre vãos; ousadia.

 

Alegria; a rolinha constrói o ninho;

Raminho por raminho; seu castelo.

Singelo; propício para seu ovinho.

Juntinho do vermelho e do amarelo.

 

Belo: no sinal tem um inquilino;

Felino à espreita; muita altura,

Apura a distância do muro e pino.

 

-Ladino gato! Pare, é loucura!

-Segura: espere! mas que desatino!

Traquino, segue na sua aventura...

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

47

Alma em sua delícia de nude

 

No canto do papel, a nota pequenina.

Fina, impactante, e com um cheirinho tão bom;

Tom arco-íris e com tanta disciplina,

Menina de tudo, e já usava batom.

 

É dom de simplicidade; um tanto singela,

Bela era pouco para sua magnitude,

Atitude autêntica, verso tagarela,

Tela onde a tinta se fez cristalino açude.

 

Pude observar de perto; poesia rica;

Bica de inspiração; cerne de plenitude,

Amiúde em palavras que na gente fica.

 

Modifica o dentro, é paz e inquietude.

Alude do coração que se fortifica;

Vivifica a alma nessa delícia de nude.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

53

Até me estranhei

 

É, hoje tomei um chá de semancol,

Lençol perfumado, vesti o colchão,

Sensação leve num tom girassol,

Guarda-sol girei, ouvindo uma canção.

 

Coração em vida: e soltei o cabelo.

Pelo dourado; de sol, a marquinha.

Tinha uma fragrância sem atropelo.

Gelo quebrado; xô, pra picuinha!

 

Calminha; respirei fundo a alegria;

Poesia num sentimento bom;

Batom cor de boca e toda ousadia.

 

Dia incrível, pensei em mim a sorrir.

florir! Hoje me amei como ninguém.

Bem; agora vou me botar pra dormir.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

45

Por partes


O cabelo era preto; esvoaçante.

Semblante carregado de ternura.

Doçura no olhar; tão inebriante.

Habitante de si; e de uma finura.

 

Mistura; uma fêmea estonteante;

Flagrante de beleza sem mistura.

Madura: de fruta boca intrigante.

Mediante um nariz: rara feitura.

 

Segura de seios; e insinuante;

Ofuscante o colo; mas que loucura!

Cintura, hum! e bumbum extravagante.

 

Ante coxas e pernas: sem censura.

Altura? metro e meio; exorbitante.

Instante mágico: o pé.  Que fofura!

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

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Cor de canela


Havia meia sombra ali; o carro, parou.

Olhou no retrovisor interno: bonita;

Agita os cabelos, o coque desmanchou;

Pegou sua bolsa e desceu; quase levita.

 

Apita o guarda da rua; desfile em faixa;

Encaixa os passos, atravessa; pé na areia.

Serpenteia um rebolado; não desencaixa.

Abaixa, estende a canga; com sol já na veia.

 

Alheia; despe-se da veste transparente.

e sente os raios; esparrama o protetor,

Primor; a cor de canela já é presente.

 

Frente e verso; vice-versa. O sol não embaraça;

Abraça de jeito todo o corpo suado;

Calado; deixa marca tão cheia de graça.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

28

Arrepio


Ato estúpido; é calor ou frio?

Desvario que de dentro vem, brota.

Bota na pele um quase desafio.

É rio, vulcão, descampado, grota.

 

É nota corporal de incerta fonte.

Ponte que coliga vísceras e alma,

Calma em agitamento num desmonte;

Horizonte tênue que intriga e acalma.

 

Palmas pra essa coisa que chega e abraça.

Retraça o sentir, sutil movimento;

Vento saindo pelos poros na raça.

 

Devassa, se do sussurro: reflexo,

Genuflexo, desejo que transpassa.

Graça: orgasmo cósmico; pelo e sexo.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.