Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
81Sobrenome
Sobre
nome
Ordones: estranho? Não, é só estrangeiro.
Primeiro: nem sabia, sem menor noção.
Então entendi: sobrenome não brasileiro.
Beiro Principado das Astúrias, Leão.
Intenção herança, mas nada a ver com dinheiro.
Maneiro demais! Uma identificação.
Recordação família, do nome parceiro.
Verdadeiro pedigree; elo transmissão.
Conexão que conta história, tem até cheiro.
Letreiro no registro, um estender de mão,
Bastão passado; mais uma flor no canteiro.
Mensageiro; manifesta uma sucessão.
Criação espanhola; em mim fez paradeiro.
E derradeiro: é do meu pai esse brasão.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
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Para o meu amor
Agora escrevo aqui, para você, meu amor:
Cor dos meus dias em sol, lá de azul céu e mar.
Falar em silêncio e conexão sem pudor;
Calor de carne e fogo da alma a declarar.
Amar você: simples. Semente, galho e flor;
Olor da essência pelos poros a arrotar,
Transitar por todas as esferas sem dor.
Expor o que vai dentro sem me intimidar.
Amar você: culto. Rima com o que for.
Pôr do sol num amanhecer a despontar,
Amar você: o vermelhinho do rubor.
Teor original de nós, cheiro a acordar
e deitar lado a lado aspirando o sabor;
ardor desejo, em qualquer tempo conjugar.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Talvez...
Amar: se deixar
sem culpa e desculpa.
Não é se doar.
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Lembra da Dona Baratinha?
Dona baratinha, se via bem charmosa.
Ardilosa, cascuda de raça, seu jeito.
Ajeito nas saias de filó, poderosa.
Pavorosa, adora mesmo é o malfeito.
Do parapeito lança em rasante, estilosa.
Goza de asco, mete medo em qualquer sujeito.
O Peito quase não aguenta, alma em polvorosa.
Lustrosa a tal ‘cucaratcha’, igual um confeito.
Respeito o bicho; mas longe. É espantosa
Silenciosa; ela aprece quando me deito.
Aceito não, chinelo e baygon na feiosa!
Prosa; dinheiro na caixinha; outro conceito.
-Rejeito casar! ‘Nem que a vaca tussa rosa’;
Animosa: - ‘o barato sai caro’: direito.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Evoluir é
mudar de ideia sem culpa.
ser maturidade
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“Terra a víscera”
A terra pede por socorro; e também grita.
Aflita: - salve-me! Me acho toda ferida.
Agredida por essa ganância maldita.
Negrita essa dor; ao poço desferida.
Encolhida; peço de joelhos: reflita!
Palpita minha entranha toda denegrida.
Corrida contra o tempo, a quem em mim habita.
Tramita de fértil para uma apodrecida.
Florida era sonho, pesadelo milita;
Explicita o abuso; com a vida escorrida.
Tingida do impuro, longe de ser bonita.
Delimita ser humano, basta! Exaurida!
Abatida definho, arranca-me a pepita.
Escrita aqui me permito; e peço guarida!
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
A terra em dor berra
Ninguém ouve; o ser é raso
- é, houve um descaso.
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Sensual idade
O rosto não aparentava a real idade.
A quantidade de anos não se imprimiu.
Viu-se jovial. não era tanta a vaidade.
verdade: se cuidou; o mundo não viu.
Sorriu; pés de galinha pela metade;
Sanidade em linha, onde se dividiu;
Arrepio que da alma vaza com vontade.
Dualidade: carne anjo e demônio: esfio.
Vazio de bobagens; - xô futilidade!
Intimidade com seus eus; curto pavio.
No fio entre ser comportada e a intensidade.
Seguridade com decisão e desafio.
Fio dental, sim! Inteira e propriedade.
Sensualidade, caudalosa, igual rio.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Ser rio é pulsar vida
escorrência
rumo ao mar...
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Lendo o céu
O céu estava uma perfeição; azul semblante.
Impactante, nuvens bailando com o vento.
Firmamento impecável; aquele era “o instante”.
Aconchegante aos meus olhos, um evento.
Lento, o ar leva nuvem por nuvem, flutuante.
Distante muitas milhas; mas ornamento.
Sustento com poder divino, tão oscilante.
Estante com poesias em texto bento.
Sentimento de choro, mas estonteante;
Exuberante infinitude em movimento.
Fragmento visto dali, já me era o bastante.
Marcante, para sempre; em mim, sem cabimento.
Atento olhar da alma, de leitura incessante,
extasiante; e eu aqui sem nenhum argumento.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Na visão da alma se encerra,
se fizéssemos leitura do céu
tudo seria completo na terra.
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Coragem amarela diante do amor
A coragem estava num canto, tremendo
Lendo um bilhetinho lotado de fervor.
Calor por dentro; ou seria um frio? Vai vendo.
Prendendo e ora soltando seu respirador.
A cor do mundo a cor do sol foi se envolvendo.
Contorcendo pelo arco-íris furta-cor.
Tambor nas veias; uma lágrima correndo.
Descendo rosto abaixo junto ao rubor.
-Por favor, meu Zeus! O que está acontecendo?
Lendo novamente o bilhete: - Que torpor!
-Senhor, me perdi! meu céu e terra estremecendo!
Ardendo, a coragem conheceu o tal temor.
O amor saltou do bilhete, em riso, dizendo:
-Cedendo ao medo, coragem? Ei, sou eu, o amor!
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
A superficialidade só aceito
se vier em forma de arrepio.
Isso porque ele vem do profundo.
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Poesia no sinal
Paro no sinal, e fico só observando.
Andando por entre carros, o vendedor.
Fervor na cabeça; com o sol estrelando.
Ofertando balas, e de qualquer sabor.
Entregador de filipeta se esbarrando
Empurrando e tocando no retrovisor.
Catador de latas fora da faixa andando.
Mancando e mendigando lá vem um senhor.
Lavador de para-brisa; vai ensaboando.
Dando outra visão; mas sem dizer o valor.
O ator do circo num fio se equilibrando.
Olhando; quis fazer parte e sem fiador.
Amor recitei, em poesia declamando.
Terminando, ganhei palma e atiraram flor.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
A poesia é (ré)médio
mesmo num sol maior.
33
De: carta para: e-mail
De: Carta
Para: E-mail
Estimado e-mail, espero encontrá-lo bem.
Sem muitas apreensões: sinceridade.
Verdade: esqueceram de mim. A carta? Quem?
Alguém, do correio sabe a realidade?
Formalidade e protocolo sei que atém.
Vem e vai, vai e volta a toda velocidade.
Capacidade que não tive, muito aquém.
Porém fiz história, mas nem sei a minha idade.
Dificuldade, extravio, roubo, refém.
Trem, barco, avião, bicicleta e dignidade.
Cidade, vilarejo; destinada a alguém.
Bem, me despeço aspirando vitalidade.
Integridade pra manter a escrita e amém.
Convém cuidar. - Viva sua praticidade!
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Cada um no seu tempo
Antes envelopes a galope
Hoje, freio.
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Entre pezinhos e asinhas
Caiu no chão; porém já nasceu muito leve.
Atreve-se a caminhar; ‘é tanta perninha’.
Perdidinha da Silva, o poeta a descreve:
-Deve ser uma lagarta! Mas que gracinha!
Aninha nunca canto; e logo sai. Que forte!
O norte faz; e sobe pelo tronco afora.
Agora é chegar num lugar que a conforte.
Morte? Ainda não. É a transformação; chegou a hora.
Penhora-se no galho. Lá em baixo, a buva.
Chuva e sol a toca; mas o vento, ali mora.
Demora a pupa; e crisálida é a luva.
A saúva passa; o sabiá é xereta,
na vareta, balança a caixa de pandora.
Estoura. E estica as asinhas, a borboleta.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
cabe com perfeição no silêncio...
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.