Raquel Ordones

Raquel Ordones

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ

n. 0000-08-13, Uberlândia, MG

Perfil
71 826 Visualizações

Soneto roceiro


São cinco da manhã, o galo canta.
Levanta bota lenha na fornalha,
Palha, fumo, café, prece à santa, 
Planta o pé na botina; à batalha!

Orvalha ainda, chapéu, força, cabaça.
Abraça seu trabalho, busca o gado,
É cercado e peado, tão sem raça.
Rechaça o bezerrinho arreliado.

É ordenhado o leite. Já afofa a horta,
E corta o mato, varre seu quintal,
É bestial ofício, afã reporta.

Transporta porcos, roupas no varal,
É rural. Pesca e caça; se comporta,
Da porta, o luar, firme no degrau.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG

Ler poema completo

Poemas

81

Sobrenome

Sobre

           nome

 

Ordones: estranho? Não, é só estrangeiro.

Primeiro: nem sabia, sem menor noção.

Então entendi: sobrenome não brasileiro.

Beiro Principado das Astúrias, Leão.

 

Intenção herança, mas nada a ver com dinheiro.

Maneiro demais! Uma identificação.

Recordação família, do nome parceiro.

Verdadeiro pedigree; elo transmissão.

 

Conexão que conta história, tem até cheiro.

Letreiro no registro, um estender de mão,

Bastão passado; mais uma flor no canteiro.

 

Mensageiro; manifesta uma sucessão.

Criação espanhola; em mim fez paradeiro.

E derradeiro: é do meu pai esse brasão.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

26

Para o meu amor

 

Agora escrevo aqui, para você, meu amor:

Cor dos meus dias em sol, lá de azul céu e mar.

Falar em silêncio e conexão sem pudor;

Calor de carne e fogo da alma a declarar.

 

Amar você: simples. Semente, galho e flor;

Olor da essência pelos poros a arrotar,

Transitar por todas as esferas sem dor.

Expor o que vai dentro sem me intimidar.

 

Amar você: culto. Rima com o que for.

Pôr do sol num amanhecer a despontar,

Amar você: o vermelhinho do rubor.

 

Teor original de nós, cheiro a acordar

e deitar lado a lado aspirando o sabor;

ardor desejo, em qualquer tempo conjugar.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Talvez...

 

Amar: se deixar 

sem culpa e desculpa.

Não é se doar.

45

Lembra da Dona Baratinha?

 

 

Dona baratinha, se via bem charmosa.

Ardilosa, cascuda de raça, seu jeito.

Ajeito nas saias de filó, poderosa.

Pavorosa, adora mesmo é o malfeito.

 

Do parapeito lança em rasante, estilosa.

Goza de asco, mete medo em qualquer sujeito.

O Peito quase não aguenta, alma em polvorosa.

Lustrosa a tal ‘cucaratcha’, igual um confeito.

 

Respeito o bicho; mas longe. É espantosa

Silenciosa; ela aprece quando me deito.

Aceito não, chinelo e baygon na feiosa!

 

Prosa; dinheiro na caixinha; outro conceito.

-Rejeito casar! ‘Nem que a vaca tussa rosa’;

Animosa: - ‘o barato sai caro’: direito.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Evoluir é

mudar de ideia sem culpa.

ser maturidade

23

“Terra a víscera”

 

 

A terra pede por socorro; e também grita.

Aflita: - salve-me! Me acho toda ferida.

Agredida por essa ganância maldita.

Negrita essa dor; ao poço desferida.

 

Encolhida; peço de joelhos: reflita!

Palpita minha entranha toda denegrida.

Corrida contra o tempo, a quem em mim habita.

Tramita de fértil para uma apodrecida.

 

Florida era sonho, pesadelo milita;

Explicita o abuso; com a vida escorrida.

Tingida do impuro, longe de ser bonita.

 

Delimita ser humano, basta! Exaurida!

Abatida definho, arranca-me a pepita.

Escrita aqui me permito; e peço guarida!

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

A terra em dor berra

Ninguém ouve; o ser é raso

- é, houve um descaso.

29

Sensual idade

 

O rosto não aparentava a real idade.

A quantidade de anos não se imprimiu.

Viu-se jovial. não era tanta a vaidade.

verdade: se cuidou; o mundo não viu.

 

Sorriu; pés de galinha pela metade;

Sanidade em linha, onde se dividiu;

Arrepio que da alma vaza com vontade.

Dualidade: carne anjo e demônio: esfio.

 

Vazio de bobagens; - xô futilidade!

Intimidade com seus eus; curto pavio.

No fio entre ser comportada e a intensidade.

 

Seguridade com decisão e desafio.

Fio dental, sim! Inteira e propriedade.

Sensualidade, caudalosa, igual rio.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

Ser rio é pulsar vida

escorrência

rumo ao mar...

 

78

Lendo o céu

 

 

O céu estava uma perfeição; azul semblante.

Impactante, nuvens bailando com o vento.

Firmamento impecável; aquele era “o instante”.

Aconchegante aos meus olhos, um evento.

 

Lento, o ar leva nuvem por nuvem, flutuante.

Distante muitas milhas; mas ornamento.

Sustento com poder divino, tão oscilante.

Estante com poesias em texto bento.

 

Sentimento de choro, mas estonteante;

Exuberante infinitude em movimento.

Fragmento visto dali, já me era o bastante.

 

Marcante, para sempre; em mim, sem cabimento.

Atento olhar da alma, de leitura incessante,

extasiante; e eu aqui sem nenhum argumento.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Na visão da alma se encerra,

se fizéssemos leitura do céu

tudo seria completo na terra.

67

Coragem amarela diante do amor

 

A coragem estava num canto, tremendo

Lendo um bilhetinho lotado de fervor.

Calor por dentro; ou seria um frio? Vai vendo.

Prendendo e ora soltando seu respirador.

 

A cor do mundo a cor do sol foi se envolvendo. 

Contorcendo pelo arco-íris furta-cor.

Tambor nas veias; uma lágrima correndo.

Descendo rosto abaixo junto ao rubor.

 

-Por favor, meu Zeus! O que está acontecendo?

Lendo novamente o bilhete: - Que torpor!

-Senhor, me perdi! meu céu e terra estremecendo!

 

Ardendo, a coragem conheceu o tal temor.

O amor saltou do bilhete, em riso, dizendo:

-Cedendo ao medo, coragem? Ei, sou eu, o amor!

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

A superficialidade só aceito 

se vier em forma de arrepio. 

Isso porque ele vem do profundo.

37

Poesia no sinal

 

 

Paro no sinal, e fico só observando.

Andando por entre carros, o vendedor.

Fervor na cabeça; com o sol estrelando.

Ofertando balas, e de qualquer sabor.

 

Entregador de filipeta se esbarrando

Empurrando e tocando no retrovisor.

Catador de latas fora da faixa andando.

Mancando e mendigando lá vem um senhor.

 

Lavador de para-brisa; vai ensaboando.

Dando outra visão; mas sem dizer o valor.

O ator do circo num fio se equilibrando.

 

Olhando; quis fazer parte e sem fiador.

Amor recitei, em poesia declamando.

Terminando, ganhei palma e atiraram flor.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

A poesia é (ré)médio

mesmo num sol maior.

 

33

De: carta para: e-mail

De: Carta

Para: E-mail

 

Estimado e-mail, espero encontrá-lo bem.

Sem muitas apreensões: sinceridade.

Verdade: esqueceram de mim.  A carta? Quem?

Alguém, do correio sabe a realidade?

 

Formalidade e protocolo sei que atém.

Vem e vai, vai e volta a toda velocidade.

Capacidade que não tive, muito aquém.

Porém fiz história, mas nem sei a minha idade.

 

Dificuldade, extravio, roubo, refém.

Trem, barco, avião, bicicleta e dignidade.

Cidade, vilarejo; destinada a alguém.

 

Bem, me despeço aspirando vitalidade.

Integridade pra manter a escrita e amém.

Convém cuidar. - Viva sua praticidade!

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

Cada um no seu tempo

Antes envelopes a galope

Hoje, freio.

 

 

84

Entre pezinhos e asinhas

 

Caiu no chão; porém já nasceu muito leve.

Atreve-se a caminhar; ‘é tanta perninha’.

Perdidinha da Silva, o poeta a descreve:

-Deve ser uma lagarta! Mas que gracinha!

 

Aninha nunca canto; e logo sai. Que forte!

O norte faz; e sobe pelo tronco afora.

Agora é chegar num lugar que a conforte.

Morte? Ainda não. É a transformação; chegou a hora.

 

Penhora-se no galho. Lá em baixo, a buva.

Chuva e sol a toca; mas o vento, ali mora.

Demora a pupa; e crisálida é a luva.

 

A saúva passa; o sabiá é xereta,

na vareta, balança a caixa de pandora.

Estoura. E estica as asinhas, a borboleta.

 

Raquel Ordones #ordonismo  #raqueleie

 

cabe com perfeição no silêncio...

 

45

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.