Raquel Ordones

Raquel Ordones

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ

n. 0000-08-13, Uberlândia, MG

Perfil
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Soneto roceiro


São cinco da manhã, o galo canta.
Levanta bota lenha na fornalha,
Palha, fumo, café, prece à santa, 
Planta o pé na botina; à batalha!

Orvalha ainda, chapéu, força, cabaça.
Abraça seu trabalho, busca o gado,
É cercado e peado, tão sem raça.
Rechaça o bezerrinho arreliado.

É ordenhado o leite. Já afofa a horta,
E corta o mato, varre seu quintal,
É bestial ofício, afã reporta.

Transporta porcos, roupas no varal,
É rural. Pesca e caça; se comporta,
Da porta, o luar, firme no degrau.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG

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Poemas

81

Desnuda

 

Por todo o quarto, Djavan ressoava;

Lavava su’alma com o seu oceano.

Insano sentir; saudade gritava.

Abraçava ao travesseiro; engano.

 

Plano em mente: matar tal sentimento.

vento ausência, rouba respiração.

canção desagua poro adentro; e lento.

Evento desespero; abre a emoção.

 

Mãos por entre os cabelos; espalhada.

Banhada; e toda sua pele em cheiro;

Canteiro com a flor desabrochada;

 

Tatuada a borboleta; nu inteiro.

Primeiro: um lado pro outro; revirada. 

Cansada; doa ao sono, e sem roteiro.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

41

Dos mistérios


E de todos os terços inteiros, são partes.

Encartes e cenas; com desenho na mente.

À frente a fé; tetos, janela e baluartes

Artes escritas, do passado é presente.

 

Vigente Rosário, mistério: uma oração:

A anunciação do anjo feito à Maria;

Daria a luz a quem seria a salvação.

visitação a prima; três meses ajudaria.

 

Nascia o menino; manjedoura e pastores;

Adoradores; Jesus, a apresentação;

Simeão: tomou-o nos braços; e louvores.

 

Doutores no templo, encontros e interação.

Integração; de vida, caminhos e dores.

Flores de palavras, plantando a boa ação. 

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

46

Mais notas sobre ela



Com ciência, a sua história ela escreve;
Atreve, mas quase sempre sensata.
Acata e tenta administrar, é leve.
Deve, paga; sem a tal concordata.

Data e hora, ela busca ser pontual.
Afinal: é respeito; ela é grata.
Retrata e desculpa, sem pedestal.
Visceral intensidade; desata.

Chata às vezes, é meio normal.
Total sua engenharia, acrobata.
Se engata uma ideia: isso é fatal.

Atemporal, tempestade e pacata.
Trata os outros: incondicional.
Natural; humana pra ser exata.

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

28

Bilhete

 

Fazia tempos que nem escrevia;

Poesia bilhete p'ro meu amor;

cor azul de costume, é magia.

Alegria e desespero em calor.

 

Torpor saudade, dentro ventania.

demasia: poros pulsam tambor;

Multicor se fez o cinza; euforia.

Ria a minha alma com lábios de flor.

 

Pôr do sol, em nós é pertencimento;

Evento é minha declaração.

Oração do tamanho firmamento.

 

Vento, caneta; do papel, porção.

Então, eis aqui o bilhete rebento.

Ostento:- ‘Amor, é seu meu coração!’

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

39

Às vezes, penso que foi assim...

 

A letra ‘A’ se sentia tão sozinha;

pontinha que principia o alfabeto,

Incorreto! Pensava a pobrezinha,

Tinha desejos para com o afeto. 

 

Trajeto entre letras era uma linha;

Quietinha, de soslaio observando.

Minhocando, a letra ‘M’ sempre vinha;

Advinha? A letra ‘A’ foi se apaixonando.

 

Osculando, a letra ‘O’ quase ronrona;

Carona com A.M, em bom humor,

Acolhedor, o ‘M’, se impulsiona.

 

E fricciona: AMO; quase um torpor.

Da flor se solta o R, se emociona;

À tona inventa-se a palavra AMOR.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

43

Lalá torresminho

 

E lá vai a porquinha, rebolando e roliça.

Preguiça nas passadas; que é de dar dó;

Cafundó do brejo, lá vai ela para a missa;

Castiça e macia, rabinho rococó.

 

Pó no caminho; segue a bichinha robusta;

Custa ter um uber? Sua raiva se atiça.

Larissa é o seu nome; Lalá, a augusta.

Ajusta sua franja com a unha postiça.

 

Aterrissa no cocho, e nadica ela susta,

Degusta tudo; devora toda hortaliça;

É profissa no fuçar, e isso nada custa.

 

Injusta às vezes; gulodice maciça;

tolhiça, que na sua gordurinha incrusta.

Assusta ao orar: Deus, não quero ser linguiça!

 

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54

Das raízes...

 

 

Suplante; interior é o que vem e aflora.

Fora o que falam! Filtre só fertilizante.

Importante preservar a raiz, sem demora.

Embora o externo mostre bem intoxicante.

 

Cante, te regue, te cultive e monitora;

A hora? – sempre! Com todo afinco, relutante.

Infectante é ódio, a inveja que a alma gora,

Bafora coisa boa; e te firme elegante.

 

Excitante: estender tua raiz; onde mora;

Enamora; nutra teus ramos, confiante.

Replante-te; reserva-te: só corrobora.

 

Revigora: sais amor-próprio: edificante;

Assaltante de sorriso flor; ‘mundo’ adora,

Ignora o perrengue; e te lista figurante.

 

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46

Parnasiano ser

 

A desumanização à solta, corre.

E morre a empatia, mata dignidade;

Imoralidade romantiza e escorre.

Decorre da indiferença e crueldade.

 

Verdade é ilegal; respeito: porre

Incorre da lesão sensibilidade;

Realidade do outro? Dor? - Não socorre.

Concorre com nocivo em intensidade.

 

Capacidade de enxergar o outro: cega,

nega estender a mão; também vira a cara.

Para, subjuga, sangra, à bens apega.

 

E rega espinho; recusa-se e mascara.

Declara o caráter, ao atroz se entrega.

Alega bom; arrancar olhos é tara.

 

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50

Hoje vim trazer flores para mim

 

É claro que são para mim! Mereço.

Obedeço quando quero; vou e faço.

Chumaço de girassóis me ofereço.

Agradeço; é sempre que me abraço.

 

Laço todos os meus lados: conheço.

E cresço ocupando em mim cada espaço.

Ultrapasso a ousadia; e é sem preço.

Endureço às vezes; me refaço.

 

O descompasso existe; reconheço.

Apreço pelo que sou; em cada pedaço.

Braço, cabelos; alma, pele e avesso.

 

Endereço de mim, sou eu; e me retraço.

Entrelaço os meus dias à cor; teço.

aqueço em flores; mesmo em estilhaço.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

52

Sobre poetas

 

Poeta não define; alma paradoxal.

É natural, sem cor; aparência não importa.

Comporta dentro uma sacada genial;

Pessoal, mas é transferível; e conforta.

 

Transporta para o papel seu emocional.

Varal que com o seu vento, na gente toca,

Choca; é sem contornos e transcendental.

Termal; e parece coisa de anjo essa troca.

 

E convoca a sua essência, estende de fato;

Ato sem mãos, dedos; que aos olhos: encanta.

Decanta na divisa com a escrita; tato.

 

Olfato nos versos; se atinge, não adianta;

Planta na gente semente que vira mato;

Imediato; não aperta mão, mas garganta.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Um afago às meninas e aos meninos poetas e não poetas; 
imensamente agradecida pelas leituras e comentários! 
Xêro minêro!

 

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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.