raven1968

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Nascido Paulo Nieri, amante da poesia e não me julgando poeta, gosto de escrever sem compromisso com minhas preocupações.

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Existe...

Existe um brilho que eu nunca procurei
Um beijo que eu nunca roubei
Uma garota que eu nunca amei
E uma canção que eu nunca cantei

Existe um brilho que eu nunca vi
Um beijo que eu nunca senti
Uma garota que nunca sorri
E uma canção que eu nunca pedi

Existe um brilho que jamais foi ofuscado
Um beijo que jamais foi dado
Uma garota cujo nome jamais foi trocado
E uma canção que eu gostei um bocado

Existe um brilho estranho no ar
Um beijo que nunca vai acabar
Uma garota doida para amar
E uma canção que eu nunca quis cantar

Existe um brilho nos olhos da estrela nua
Um beijo que não foi dado no meio da rua
Uma garota mais bonita que a lua
E uma canção que nunca foi sua

Existe um brilho na garoa serena
Um beijo que nunca foi dado em boca pequena
Uma garota que nunca foi um problema
E uma canção que nunca foi um dilema

Existe um brilho sem solução
Um beijo que nunca veio do coração
Uma garota que nunca foi tomada pela emoção
E uma canção cantada sem muita convicção

Existe um brilho fosco e fatal
Um beijo que nunca foi imoral
Uma garota que nunca foi normal
E uma canção que nunca foi formal

Existe um brilho que gosta de escrever
Um beijo que nunca quis acontecer
Uma garota que nunca quis ler
E uma canção que eu nunca quis esquecer...
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Poemas

13

Antes do Funeral

O que se pode fazer
Diante da morte somos impotentes
Quando seus frios braços
Congelam nosso coração
Nem as despedidas são ouvidas
Nem um clarão singelo de luz
Escapa ao seu abraço
Sozinhos estamos
Sozinhos partiremos
E essa dança louca que se chama vida
Esquecida, fica para trás
As lágrimas dos que amamos
Não poderão ser secadas
Nossa imobilidade final
É tudo que para eles restam
O cortejo segue silencioso
Soluços, tristezas indescritíveis
Lembranças do que se foi
Saudades que com certeza virão
O coração frio não sente mais dor
Essa deixamos para os que ficam
E com certeza, não tenho dúvidas
O mundo seguirá sua marcha
As mesmas ganâncias, medos e frivolidades
As vezes amor ou alguns gestos de bondade
Fluirão dos corações humanos
Que agora transportam o que partiu
A tumba fria será misericordiosa
E reterá a podridão e o mal cheiro
Deixará os ossos para o futuro
Para o tempo destruir implacavelmente
De alguma forma quem parte
Se torna eterno na lembrança dos que ficam
Assim como os que ficam
Um dia serão eternas lembranças
Dos outros que ficarão
Então nesse momento que ainda há vida
Faço as honras dos que aqui estão
E ofereço meu amor incondicional
Antes que a morte me alcance
Sinceramente quero que o meu amor os toquem
E se for pouco, se não tiver nenhum valor
Guardem um pouco com vocês
Já o restante, o que for inútil aos bolsos
Deem ao que encontram nas calçadas
O único abrigo que conhecem
Deem também um pouco aos órfãos
Pois no abandono, qualquer migalha de amor
É tudo que uma triste alma merece...
162

De Volta ao Coração do Oceano

Meu coração perdido, acorrentado e preso
No mais profundo dos mares grita pela luz
Por quem sabe até uma pequena chama
Que possa quebrar o gelo da solidão
Por muito tempo eu senti as pessoas
Se completando com outros ao meu redor
Eu não entendia por que alguns eram suficientes
Para os outros e eu nunca bastava
Nunca fiz parte dos planos do amor
E o que restava de mim gritava por afeto
Sofri muito, sim eu chorei muito
Com o tempo aprendi a fazer isso sozinho
Em silêncio e sem incomodar aqueles que de mim precisavam
Eu me doei, servi a vários propósitos
E quando já não era mais necessário era trocado
Não tenho rancor, são outras aflições que me conduzem
Conheço a estrada da decepção, conheço a despedida
Tive que conseguir um coração novo a cada partida
Mesmo sabendo que logo em seguida ele seria arrancado
Quase duvidei da humanidade que restava dentro de mim
Quase deixei de ser humano ao flertar com a morte
O que resta?
O que posso esperar?
Se é que devo esperar...
Tratei de escrever com sangue o que só eu lia
As entrelinhas da minha vida estão apagadas
Por uma dor que só eu reconheço
Meu coração está pesado e preso no fundo do oceano
Alguns dizem que esse oceano se chama Alma
E eu chamo de inferno...
Nasci sob o signo da perda e em cada esquina da vida
Eu espero por uma nova oportunidade de perder alguém
Eu nasci só, somente para perder os que amava
Nas profundezas dos meus olhos nada se reflete
Nem um brilho escapa do casulo da dor
E nenhuma dor escapa dos abraços da solidão.
E é no coração do oceano, somente lá
Que sepultamos todos os corações mortos pelo amor
177

Olhos Fechados

Eu fechei meus olhos
E no escuro da desesperança
Eu contornei seu rosto com meus dedos
Não procurei beleza, nem preciso
Procurei sentir sua essência
E viajei na textura da sua pele
Explorei seus contornos sutis
E seu calor aqueceu a ponta dos meus dedos
E acendeu confortavelmente meu coração
Continuei de olhos fechados
Toquei seus cabelos cacheados
Naveguei pelas ondas dos fios
E desejei emaranhar-me neles
Ficando preso para sempre em você
Ainda de olhos fechados
Percorri cada parte do seu corpo
Toquei seus seios e ali me perdi
A pele quente me transtornando
Os mamilos entumecidos com meu toque
Seu coração pulsando já acelerado
E eu perdido no oceano da sua pele
Perdi a noção do tempo
Dei asas a minha mente e deixe ela vagar
E por mais que eu vagasse
Sempre era atraído pelo seu corpo
E o explorava na escuridão
Deixando meus dedos servirem de guia
E quanto mais eu te explorava
Mais me apaixonava
Mais amava o que sentia
E não procurei a beleza
Mas na sutiliza dos toques
Encontrei muito de você
E me embriaguei vertiginosamente
Nos contornos delicados
E na harmonia discreta da sua geografia
De olhos bem fechados e já ofegante
Retornei ao seu rosto
E com o toque dos meus dedos
Fixei sua imagem em minha mente
Acariciei delicadamente seus lábios
Que agora entre abertos e úmidos
Me transportaram para dentro do seu ser
E me aprisionaram em sua volúpia
Desgraçado que sou, abri os olhos
A casa escura e vazia, congelava
Mas dentro de mim, ainda aceso
Seu amor me aquecia...
159

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