Existe um brilho que eu nunca procurei Um beijo que eu nunca roubei Uma garota que eu nunca amei E uma canção que eu nunca cantei
Existe um brilho que eu nunca vi Um beijo que eu nunca senti Uma garota que nunca sorri E uma canção que eu nunca pedi
Existe um brilho que jamais foi ofuscado Um beijo que jamais foi dado Uma garota cujo nome jamais foi trocado E uma canção que eu gostei um bocado
Existe um brilho estranho no ar Um beijo que nunca vai acabar Uma garota doida para amar E uma canção que eu nunca quis cantar
Existe um brilho nos olhos da estrela nua Um beijo que não foi dado no meio da rua Uma garota mais bonita que a lua E uma canção que nunca foi sua
Existe um brilho na garoa serena Um beijo que nunca foi dado em boca pequena Uma garota que nunca foi um problema E uma canção que nunca foi um dilema
Existe um brilho sem solução Um beijo que nunca veio do coração Uma garota que nunca foi tomada pela emoção E uma canção cantada sem muita convicção
Existe um brilho fosco e fatal Um beijo que nunca foi imoral Uma garota que nunca foi normal E uma canção que nunca foi formal
Existe um brilho que gosta de escrever Um beijo que nunca quis acontecer Uma garota que nunca quis ler E uma canção que eu nunca quis esquecer...
172
O Coração do Oceano
Meu coração perdido, acorrentado e preso No mais profundo dos mares grita pela luz Por quem sabe até uma pequena chama Que possa quebrar o gelo da solidão Por muito tempo eu senti as pessoas Se completando com outros ao meu redor Eu não entendia por que alguns eram suficientes Para os outros e eu nunca bastava Nunca fiz parte dos planos do amor E o que restava de mim gritava por afeto Sofri muito, sim eu chorei muito Com o tempo aprendi a fazer isso sozinho Em silêncio e sem incomodar aqueles que de mim precisavam Eu me doei, servi a vários propósitos E quando já não era mais necessário era trocado Não tenho rancor, são outras aflições que me conduzem Conheço a estrada da decepção, conheço a despedida Tive que conseguir um coração novo a cada partida Mesmo sabendo que logo em seguida ele seria arrancado Quase duvidei da humanidade que restava dentro de mim Quase deixei de ser humano ao flertar com a morte O que resta? O que posso esperar? Se é que devo esperar... Tratei de escrever com sangue o que só eu lia As entrelinhas da minha vida estão apagadas Por uma dor que só eu reconheço Meu coração está pesado e preso no fundo do oceano Alguns dizem que esse oceano se chama Alma E eu chamo de inferno... Nasci sob o signo da perda e em cada esquina da vida Eu espero por uma nova oportunidade de perder alguém Eu nasci só, somente para perder os que amava Nas profundezas dos meus olhos nada se reflete Nem um brilho escapa do casulo da dor E nenhuma dor escapa dos abraços da solidão. E é no coração do oceano, somente lá Que sepultamos todos os corações mortos pelo amor
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Comoção e Silêncio
O que me comove hoje, São as incertezas do amanhã O passado já é história e nada posso mudar O que me comove hoje é a efemeridade do minuto seguinte Pois as lembranças são ingenuidades que não posso recuperar O que me comove hoje é o vagar sem destino As pegadas antigas são marcas perdidas E passadas lágrimas não quero mais chorar O que me comove hoje é o choro estridente da criança Pois ao velho endurecido eu nada posso acrescentar O que me comove hoje é esse amor fugaz, mutante Paixões remotas não podem mais me alimentar O que me comove hoje não é a esperança do poder esperar E nem os fatos marcados na carne em doces cicatrizes da vida Mas sim o que talvez venha sem precisar chegar O que me comove hoje é essa ausência de perdão e silêncio E não as desculpas dadas por em um pé qualquer tropeçar O que me comove hoje é esse vislumbre da falta de vida Não a vida contada em anos no apagar de velas de aniversário Mas a vida vivida, sentida e cantada Já que o que realmente me comove hoje É essa saudade a flor da pele, por que não doída?! De todas as almas que eu não pude amar Ou abraçar com alegria e ternura para depois libertar E olhando nos olhos dizer com sinceridade: - Me comovo em poder em gestos calar as palavras e expressar em sentimentos. Assim, o que me comove hoje, É ter esperado tanto tempo para dizer a vida, Como eu realmente amei viver...
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Para algum lugar
Para sempre queremos estar junto de quem amamos E muitas vezes queremos apenas estar livres Nem sempre podemos fingir nossa indecisão Pois o coração não se aquece fugindo É inevitável que o amor busque o amor Não se pode fingir que não se conhece a dor E tudo mais que envolve os sentimentos
Vamos partir em direção ao que queremos Pode não ser fácil, mas teremos que arriscar Não precisamos contar para ninguém Apenas nós mesmos sabemos o caminho Baby o amor é uma estrada sinuosa E muitas coisas podem nos atrasar Quando nos dermos conta, estaremos longe Entre o nada e aquilo que chamam de Amor Vamos procurar um lugar apenas para nós dois Seremos totalmente estranhos aos olhos do mundo Ninguém conhecido para duvidar do que sentimos Se minha vida é tudo, te dou sem medo Não quero mais viver de sonhos Na verdade, não posso mais viver de sonhos
Quando amanhecer estaremos bem distante Precisamos esquecer tudo que passou Se continuarmos olhando para trás nos perderemos Nossos corações não podem ficar aprisionados no passado Nada poderá nos deter se formos fortes Vamos deixar tudo que nos magoou no passado Teremos um novo começo e quem sabe um futuro Não se sinta presa as ilusões que nos cercam Não se sinta presa a tudo que sou Prenda-se se quiser apenas ao amor que sinto Não te privarei do que precisa viver Pegue minha mão se quiser, precisamos partir Mas se eu tiver que partir sozinho Não me privarei da dor e da aniquilação do morrer
9/05/2016
Inspirado na música Anywhere da banda Evanescence
155
Tudo Realmente Passa...
Se sentes seu coração vagar sozinho E pensas ou imagina que não vai suportar Se o que acreditava não faz mais sentido E isso lhe incomoda muito Se a esperança não pode ter mais E a vida não lhe permite ser feliz agora Se o que mais amava partiu ou morreu E é insuportável essa perda Se tudo que mais quis não pôde ter E parece que tudo está perdido Se os velhos amigos se foram E sozinho se encontra no mundo
Saibas que na realidade tudo passa Pois o mundo não está parado Basta juntar forças e recomeçar Então o seu coração não estará mais sozinho Uma nova fé brotará em sua alma A esperança renascerá em sua vida Novos amores poderás viver O que realmente lhe pertence será seu E os amigos verdadeiros baterão a sua porta Pois aquele que não é capaz de esquecer o primeiro amor, Jamais poderá viver o último...
174
Extremos...
Extremos, de um ponto ao outro dos sentimentos Dos sentidos ferinos que me invadem o ser E morrer não é uma escolha para escapar E lutar, com que forças se o inimigo é você mesmo? Não tento, não penso que os extremos vieram para ficar Lamento, esses afastamentos involuntários Esses arrebatamentos que prenunciam a tragédia A passos largos corro de mim mesmo O que me transformo de ruim teima em me alcançar Respiro, ofegante na angústia das convulsões do humor Só temo que as ilusões me firam com minhas próprias mãos O coração já distante, longe da minha fúria A batalha descontrolada pelo equilíbrio E a lágrima, a redenção para o cansaço Onde está o domador de contratempos? E por que essa fragilidade acena com o isolamento? Que faço? Que penso? Que sinto agora? Em um momento quente e em outro instante, já frio... Um calafrio percorre a coluna Minhas garras já estão me alcançando E ao redor a escuridão me abraça com furor Os instintos a flor da pele O medo de ferir ao que mais tenho em estima Me detenho a beira do abismo que abri Se senti o perigo não consigo explicar Bem devagar recuo Está frio, está quente De repente nada está em seu lugar Mas você que olha de longe Que pede calma ao furor do coração Não pode medir a necessidade de extravasar Nem sabe do calor causticante queima minha vontade Já o frio... Ah... O frio... Ergue paredes de gelo no meu vazio Me aprisionando em uma noite eterna Minhas dores me alcançaram Minha vontade cede Meu sangue permite E a calma e a paz desaparecem Só escuridão, nem uma fagulha de vida Extremos que eu conheço bem Então fecho os olhos... Nada pode ser mais escuro do que o silêncio...
180
Carpe Diem
O que espera você da vida? Por que flutua em sonhos insonháveis? É demais a realidade que lhe pesa nos ombros? Se fugir, sofre mesmo assim Se ficar, terá que sobreviver Não adianta apagar o cigarro O câncer que lhe mata é outro Oxigênio! É isso... Ele te oxida Te mata aos poucos É sadomasoquista Cruel! Saindo do útero Você respira E é ai que começa a morrer Então..., respire profundamente Não fique sentada no meio fio da vida Não flutue em sonhos utópicos Não fuja, sofra se for preciso Não fique aqui para sobreviver Nem tente dar sentido a vida Não queira filosofar sobre a morte Acenda outro cigarro E se for apagar alguma coisa Apague a dúvida Isso sim mata você
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Sentado com Clarisse em um canto...
Ainda cansado do vilipêndio Carregando o peso da incompreensão Esperando mais do que mereço Sofrendo mais um descarte silencioso Na verdade, ninguém quer saber Se esperei com alegria, esperei... Talvez me reste outras terapias Já que a atenção dos que amo não encontro Amor, amigos, se afastando em euforias Prazeres que eu não consigo entender mais A descaracterização dos sonhos e dos ideais As tristezas pesando muito, a inércia dos fatos O tempo escorrendo veloz pela ampulheta As areias da aflição cegando meus olhos Não tenho pelo que me mexer, pelo que lutar De alguma forma encontro a Clarisse A mesma da música que se machuca Que acuada em um canto pela dor Me abraça como o último refúgio Trancados em nossos mundos Em lágrimas brindamos o esquecimento Trocamos marcas profundas de solidão Sangramos, só precisamos disso Trocar uma dor pela outra, não há medo O sofrimento que ocultamos É bem maior do que enxergam os que se afastam Nos machucamos somente para esquecer Sabemos das impossibilidades Nada de forças, nada de trégua Nossos soluços abafados pela agonia Permitem que somente com um olhar Troquemos o que mais nos faz sofrer Ninguém entende, ninguém quer entender Todo amanhecer novo fôlego E lembramos daqueles que já se foram Alguns nos olham com piedade Buscando em nossas fraquezas uma condenação E nos apresentam um Deus sem rosto E nos pedem sacrifícios incompreensíveis Nos chamam de doentes, enquanto o mundo está enfermo Renegam nossa dor por pura indiferença Mas eu e Clarisse sabemos que nada existe Sabemos que a indiferença é uma arma social E no momento que os antidepressivos E a dose de sono artificial nos faltam Ou tornam-se inócuos e não trazem conforto Vem a noite d'alma e nos abraçamos A loucura rondando nossos corpos A Morte com seu hálito pesado se aproximando E todo vazio que conhecemos nos abraça De todos os tratamentos tentados A indiferença expurgou a esperança Voltar para casa trás o medo do vazio O assédio dos que nos oprimem é pesado Nada mudando no mundo ao redor Tormentos e olhos vermelhos cegados pela dor Nada de mundo injusto, sabemos... São as pessoas que são injustas, afirmamos... Sem futuros, presente ausente e passado vivo Tudo que é mal assolando nossas almas Muito perto de nós o desconforto da "normalidade" Todos sofrem, homens ou mulheres Mas nesse infeliz momento de solidão Só eu e Clarisse podemos compartilhar da mesma dor Em um mundo de mentiras, a hipocrisia dá as cartas Trancados em um quarto, acuados pelo desprezo Os discos que gostamos, os livros que lemos Nosso mundo nos acompanhando Nosso cansaço e a incerteza de uma nova manhã Éramos pássaros, voávamos livres... Agora trancados, já não cantamos mais E o mundo cobra nossa antiga e alegre canção Eu e Clarisse, buscando pela nossa existência Querendo uma fresta para escapar Em busca do caminho das pedras amarelas E quem sabe de lá poder voar novamente E esquecermos nossas idades, nosso tempo Para nunca mais encontrar a indiferença...
19/04/2016
Escutando Clarisse da banda Legião Urbana - CD Uma Outra estação - Faixa 5 - Texto inspirado na música. Adaptação livre. A dor é real.
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Este Viver Intenso...
Não importa para onde eu voe, para onde eu vá, Você comigo sempre estará... E enquanto meu coração dorme, De alguma forma você sempre o preencherá...
Se todos os sonhos antes sepultados no esquecimento Transbordaram em minha mente como um ciclone furioso Por causa das noites não dormidas ao seu lado Nada me aflige agora, não importa e não há como voltar Se não há volta e seu corpo é para mim um precipício Vou mergulhar fundo em sua insanidade E permitir que sua pele sedosa e doce Meus sentidos venham embriagar
Eu abri a janela e vislumbrei a sua agitação Vislumbrei os espaços antes vazios Instantaneamente sendo preenchidos por você Eu abri as portas, na verdade as escancarei Vislumbrei não a esperança, mas a sua docilidade Intensa e de olhar aguçado, me forçou a entrar de uma vez
Não importa o quanto eu olhe para trás O passado que antes era objeto de estudo Agora não importa, pois o tempo deixou de existir E deixou de existir porque seu coração é onipresente É o fogo que forja todas as minhas ambições É o tudo que teima em transformar em nada É o nada que teima em ser tudo...
Eu abri a janela e o ar tinha o cheiro do seu perfume Vislumbrei sua força que vinha de todas as direções Imaginei que os pesadelos haviam se transformados em sonhos Eu abrir as portas, na verdade as arranquei Vislumbrei não a vida, mas tudo que existia antes de você Intensamente tem me consumido, tem me tragado...
Não importa que não haja amanhã Não interessa que tudo seja apenas um sonho Você sabe que por muito menos eu dei minha vida E tudo que eu doei para as pessoas não significou nada para elas Fizeram do meu coração uma latrina E por isso não importa se mais uma vez eu tenha que morrer...
23/01/2016
Dedicado a E.O.M
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Não concordo com nada, mas deixo falar...
Não concordem com tudo que te dizem Isso mata sua criatividade A dúvida é uma condição estranha A discordância respeitosa cria grandes debates A biógrafa de Voltaire, filósofo francês dizia: *"Não concordo com nada do que você está falando, mas defenderei até a morte o seu direito de dizer..." "A dúvida não é uma condição agradável, mas a certeza é absurda." (Voltarie) Não concordaremos com nada, Mas daremos aos outros o direito de dizer. O dinheiro que te compra Não deve ser o mesmo que poderá te prostituir Ou seja! Não se venda por nada, por pouco ou por certezas... Cultive a dúvida e estude Estude para não se passar por ignorante Mas continue humilde... A arrogância só cabe aos tolos Mas se deixe levar pela loucura de viver Viva muito e intensamente O futuro não pertence a ninguém Mas a prudência às vezes pode te dar mais um dia de vida E só deseje mais um dia de vida Se realmente for usado para viver Quem inventou o trabalho não perguntou se o preço pago por ele era justo Pois se perguntasse teria que lhe pagar mais... Nunca esteja satisfeito, A satisfação te impede de crescer Nunca fique totalmente insatisfeito, Pois se estiver, mais um tirano vai nascer A única obscenidade que existe, é a guerra Já os desejos, não podem controlar você Senão deixa de ser desejo, se torna martírio... A maior história de sua vida, Não será contada por você E sim por aqueles que foram afetados pela sua vida Pelas suas ações... As pessoas que você ama, Podem não te amar Mas se você for no mínimo tolerante Será no mínimo respeitado E o respeito é soberano Não existe hierarquia no respeito No respeito não a lutas, não há guerras e nem servidão... No respeito não há capital ou capitalistas Apenas nós, os utópicos sonhadores...
Frase usada no texto de *Evelyn Beatrice Hall - escritora inglesa, biógrafa do Filósofo Voltaire.
Texto Inspirado em palestras do filósofo Mario Sérgio Cortella