renato ferraz souza

renato ferraz souza

n. 1958 BR BR

n. 1958-02-16, Delmiro Gouveia - Alagoas

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QUANDO AQUELE RIO MORREU

QUANDO AQUELE RIO MORREU

Renato Ferraz

 

Quando aquele rio secou,

enlutado eu chorei, 

senti uma grande dor.

Se minhas lágrimas bastassem 

para que suas águas não acabassem

eu choraria a vida inteira

se preciso fosse.

Eu vi a tristeza em sua face 

da última vez que me despedi.

Saudoso tive que parar de navegar

Tentei, mas nada pude fazer para evitar.

A vida de quem ao redor se criou,

que do rio o alimento sempre tirou,

sofre a sua ausência e lamenta.

Sobrevive da saudade que só aumenta.

Hoje sentimos a seca em nosso peito

de um rio sem vida sem ter mais jeito.

A terra seca arde e reclama da sua dor

sofreram seu revés a vida e o amor.

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Poemas

12

QUANDO AQUELE RIO MORREU

QUANDO AQUELE RIO MORREU

Renato Ferraz

 

Quando aquele rio secou,

enlutado eu chorei, 

senti uma grande dor.

Se minhas lágrimas bastassem 

para que suas águas não acabassem

eu choraria a vida inteira

se preciso fosse.

Eu vi a tristeza em sua face 

da última vez que me despedi.

Saudoso tive que parar de navegar

Tentei, mas nada pude fazer para evitar.

A vida de quem ao redor se criou,

que do rio o alimento sempre tirou,

sofre a sua ausência e lamenta.

Sobrevive da saudade que só aumenta.

Hoje sentimos a seca em nosso peito

de um rio sem vida sem ter mais jeito.

A terra seca arde e reclama da sua dor

sofreram seu revés a vida e o amor.

355

MALQUISTA

MALQUISTA

Renato Ferraz

 

Sobre a morte, silêncio!

Ninguém gosta de falar.

Prefere-se que fique quieta.

Enquanto ela dorme, 

a vida tira proveito.

A morte é uma intrusa 

que persegue a vida,

desde que se nasce,

até um dia conseguir vencê-la.

Tenho dúvida se seria melhor

conhecê-la um pouco mais.

Quanto menos se pensar nela,

o presente será vivido melhor.

A morte e a vida, lado a lado,

uma é a sombra da outra e passará,

já a outra ficará.

Quando a morte sorrir,

A vida chorará.

358

A ONDA

A ONDA

Renato Ferraz

 

A onda.

A onda anda.

Onde anda a onda?

A onda anda na praia!

Eu ando onde anda a onda,

é na areia da praia que ela anda.

Ela molha os meus pés e se manda.

De onde será, então, que vem a onda?

A onda vem de onde a lua manda.

A lua manda e o mar movimenta a onda.

A areia da praia engole parte da onda.

Tanta onda me lembrou os olhos de Fernanda!

Faz tempo que não a vejo, deu saudade de Nanda!

Oh, Nanda, cadê você, por onde anda? Vem ver a onda!

 

98

O DIA É UMA NOITE QUE ACORDOU

O DIA É UMA NOITE QUE ACORDOU

Renato Ferraz

 

O dia de hoje é a noite de ontem

que dormiu e acordou cedo.

Enquanto ela não desperta,

Nós também dormimos 

e às vezes sonhamos.

Dia e noite são metades 

que compõem o dia inteiro.

No decorrer das horas 

aparece a madrugada.

Ela chega silenciosa e 

Traz consigo o vento frio

que sopra e espalha nossos sonhos.

O propósito do dia é a sobrevivência

O trabalhador sai de casa cedo

para ajudar o mundo a girar.

A carga maior com os impostos mais pesados,

o pobre já sabe que é ele que pagará.

Já se acostumou. 

Quando amanhece, 

com esforço e trabalho começa tudo outra vez. 

Às vezes não dá para saber 

se a noite dorme ou apenas cochila.

De tão rápido que o tempo age.

Pode-se perguntar se dia e noite,

algum é mais importante que o outro.

A resposta, felizmente é não!

Mas o dia já foi, por algum tempo.

Do princípio até os dias atuais

tem sido assim, um novo dia amanhece

uma nova noite acontece o acompanha

e tão rapidamente logo o último do ano.

Liga-se o cronômetro e começará tudo

Outra vez.
92

O Vento

O Vento

Renato Ferraz

 

Eu vi o vento vindo,

ele vinha soprando e dançando.

Eu vi o vento sorrindo,

ele vinha dançando e cantando.

Eu vi o vento pulando, 

ele vinha pulando e brincando

Eu vi o vento alisando.

ele vinha amando e correndo.

 

Vento que vem das ondas do mar,

vem até a praia, a gente alisar,

sopra e se espalha aonde precisar. 

Vai até onde pode chegar. 

 

Dança e canta e brinca e pula. 

Corre e sopra e alisa e ama.

 

Vem, a vida aliviar.

 

66

A Noite

A Noite

Renato Ferraz

 

Na maioria das vezes solitária,

guiada pelo tempo,

a noite nos transporta até o dia.

Há, no meio, uma madrugada

vigiada por galos que acordam 

para cantar.

As galinhas, não!

 

Sua travessia, a distância, 

é acompanhada pelos olhares do Céu.

Cintilantes, as estrelas veem e 

a acompanham, passo a passo. 

Como uma sombra, o silêncio 

a segue. So às vezes é interrompido.

O tempo, não!

 

A vida da gente é levada 

com cuidado e conforto,

entre travesseiros e colchões.

É um voo seguro.

Nunca caiu.

Consegue-se dormir e descansar.

Todos, não!

 

Segue a noite, no piloto automático.

O tempo é a bússola, 

muda a cada segundo.

Muda também o momento.

Acordamos e corremos atrás do tempo,

como uma criança atrás do seu brinquedo. 

O dia clareou, não podemos nos atrasar...

 

 

116

A BUNDA

A BUNDA
Renato Ferraz


A bunda tem duas bandas
que formam uma bunda.
Uma é direita. A outra, não.
Ela sabe sorrir e passeia como ninguém.
A bunda veste-se de acordo com a ocasião.
Há bundas mais amostradas que outras.
Se ela sorrir ou retribuir o olhar
eis um bom começo de paquera.
Toda bunda sabe dançar e mexer como ninguém.
Ela é uma moça comportada.
Senta-se à mesa com formosura.
Há bundas tão exibidas e outras tão tímidas.
Há bundas tão tristinhas e outras tão festeiras.
A bunda sabe paquerar, sabe namorar
e também sabe amar.
Quando a bunda passa,
é um momento de reverências, há todo um ritual.
Se o olhar dirigido a ela,
Mesmo sendo dubiamente respeitoso,
for bem recebido, ela fica agradecida e faceira.
Porém se é olhada com desdém
ou lhe dirigem palavras chulas,
aí ela fica brava e vai-se embora para nunca mais voltar...
A bunda gosta de carinho. 

Ela é tão boa que suas bandas jamais se separaram.

porque conseguem viver em harmonia.

É admirável essa união

A bunda gosta de se vestir bem e de ficar elegante.
Da mesma forma se sente bem, ficando à vontade

Outras vezes ela prefere ficar sem roupa. 

De todo jeito ela é charmosa e querida.

Por isso viva a bunda!

 

11/03/2012

250

É PRECISO

É PRECISO

Renato Ferraz

 

É preciso às vezes

se curvar e até beijar o chão.

Cair, quem sabe, deve ter alguma razão...

É preciso lembrar que o mesmo chão onde se pisa,

amanhã o corpo passará a fazer parte dele, sem distinção.

É preciso olhar o céu com profundidade

e observá-lo na sua plenitude,

sem se preocupar em entendê-lo.

É preciso lembrar que se ali houver um Deus,

Ele deverá estar a nos olhar.

É preciso olhar o mar

e poder contemplá-lo um pouco mais.

E quando sentir sua brisa massagear nosso rosto,

lembrar que é esse sopro divino que nos faz viver.

É preciso amar sem amarras.

O amor é a razão de viver.

Sem amor não se chegará a um bom lugar,

a vida definhará.

A natureza está sofrendo, ela precisa de amor

É preciso admirar o sol

como se olhasse para um ser amado.

É importante a sua presença em nossas vidas.

A aurora e o ocaso nos fazem ver melhor todos os dias.

É preciso agradecer e sobretudo amar os nossos pais.

Nossas vidas começaram com eles lá atrás.

É preciso olhar a natureza com carinho.

As árvores que nascem, os pássaros que cantam

e as águas que correm são presentes da natureza.

Eles seguem seu caminho até nos encontrar.

É preciso que algumas folhas caiam para que outras possam nascer,

É assim que a essência da vida permanece em cada ser.

36

A VIDA, UMA PARTE NÓS A DOMINAMOS...

A VIDA, UMA PARTE NÓS DOMINAMOS!...

Renato Ferraz

 

Sobre a vida, quão maravilhosa ela pode ser.

Portanto, o melhor mesmo é vivê-la.

O quer dizer que é preciso saber viver. 

Ela é um simples gesto do Criador,

mas é complexa, ao ponto de não se ter a certeza

de como tudo aconteceu, nem como será quando acabar...

Todos vibramos em alguns momentos da vida. 

Cada um tem uma opinião sobre ela.

Como um pêndulo, ora alegre para um lado,

ora triste para o outro. 

Porém o que mais se deseja dela, 

já que o sofrimento faz parte e a morte também,

é que ela não nos negue a felicidade. 

A vida, uma parte sua é a nossa digital, você tem o controle;

a outra que a gente chama de sorte ou azar,

não nos cabe querer entender...

 

28

AQUELE POEMA

AQUELE POEMA

Renato Ferraz

 

Há um espelho em cada verso, 

naquele poema.

Eu olho para cada um e me vejo

fazendo-o para ela.

Se eu conseguir, deslumbrado

porque também me vê,

fazê-la lembrar aquele pôr-do-sol, 

considero ter valido a pena.

Ao ler-me, verá para quem é que eu olho.

Se o seu coração consentir o que vê,

direi que ele refletiu o que pensei

e logo o meu fará uma festa.

Os meus sentidos estão satisfeitos 

e agradecem, 

porque em cada verso que vê, 

tem seu cheiro, tem seu olhar;

tem seu toque e tem sua voz.

Essa imagem reproduzida

que vem dar luz às estrofes, 

fará o poema brilhar, 

mesmo que não entendam assim.

 

 

 

 

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