renato ferraz souza

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n. 1958 BR BR

n. 1958-02-16, Delmiro Gouveia - Alagoas

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QUANDO AQUELE RIO MORREU

QUANDO AQUELE RIO MORREU

Renato Ferraz

 

Quando aquele rio secou,

enlutado eu chorei, 

senti uma grande dor.

Se minhas lágrimas bastassem 

para que suas águas não acabassem

eu choraria a vida inteira

se preciso fosse.

Eu vi a tristeza em sua face 

da última vez que me despedi.

Saudoso tive que parar de navegar

Tentei, mas nada pude fazer para evitar.

A vida de quem ao redor se criou,

que do rio o alimento sempre tirou,

sofre a sua ausência e lamenta.

Sobrevive da saudade que só aumenta.

Hoje sentimos a seca em nosso peito

de um rio sem vida sem ter mais jeito.

A terra seca arde e reclama da sua dor

sofreram seu revés a vida e o amor.

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Poemas

12

O TEMPO

O TEMPO

 

A vida passa, o tempo voa.

Há um descompasso.

Não é o que se deseja.

A gente até protesta, mas não adianta.

O tempo é fugaz mesmo,

a gente mal acorda e ele já nos vai

retirando o lençol

e nos empurrando para o mundo.

Se demorar um pouco, o café esfria,

perde o cheiro e o sabor...

E se atrasar mais, ele não espera.

Peço que abramos um parêntese,

concorde ou não, o tempo é igual para todos.

Embora, há pouco, o ontem estivesse aqui conosco.

Agora, ele já está acolá, bem distante...

Piscamos e o hoje já está sendo engolido também.

Porque a fome do tempo é insaciável.

Ele sai devorando o que vem pela frente.

O amanhã que se cuide,

já começa a ser dado como uma presa certa

nas garras do tempo.

 

27

BOTECO, O BALCÃO DA ALEGRIA

BOTECO, O BALCÃO DA ALEGRIA

Renato Ferraz

 

Há quem diga que o bom boteco

é o endereço da alegria.

Onde a descontração é a porta de entrada

e a satisfação é o cardápio do dia.

Lá se toma doses de diversão, 

a espontaneidade não entra na conta 

e o bate papo tem o sabor de petisco.

As agruras da vida somem.

A prioridade é se divertir.

O bom, no boteco, é que cada um

tem respeitada a sua preferência.

A dose e o tipo de bebida são escolhas íntimas.

Não precisa ser idoso para ter prioridade.

Alguns, mais falantes, arriscam a denominar,

quase em tom de discurso,

que o boteco é a tribuna da democracia,

da pluralidade e da verdadeira e real filosofia!

Naquele local servem um cardápio de emoções.

E a sensação que se tem do efeito da bebida 

ajuda o compasso do coração,

que bate feliz. 

A língua perde a timidez e fica mais solta.

Porque ali todos são iguais.

Os direitos e deveres estão postos

Sobre o balcão,

espalhados sobre as mesas.

Fala-se livremente sobre tudo.

Até de quem já morreu...

E principalmente dos assuntos do coração.

Se as verdades da vida vêm à mesa,

também é onde se mente  

E se fantasia muito!

Afinal ali estão seres humanos, bebendo,

representando o planeta terra.

Ninguém dali conheceu o céu

nem foi para o boteco falar sobre a morte,

Porque se o céu é bom, está associado à morte

e no boteco a cotação do tempo

é o presente, é a emoção, é a vida real.

 

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