renato ferraz souza

renato ferraz souza

n. 1958 BR BR

n. 1958-02-16, Delmiro Gouveia - Alagoas

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MALQUISTA

MALQUISTA

Renato Ferraz

 

Sobre a morte, silêncio!

Ninguém gosta de falar.

Prefere-se que fique quieta.

Enquanto ela dorme, 

a vida tira proveito.

A morte é uma intrusa 

que persegue a vida,

desde que se nasce,

até um dia conseguir vencê-la.

Tenho dúvida se seria melhor

conhecê-la um pouco mais.

Quanto menos se pensar nela,

o presente será vivido melhor.

A morte e a vida, lado a lado,

uma é a sombra da outra e passará,

já a outra ficará.

Quando a morte sorrir,

A vida chorará.

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Poemas

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BOTECO, O BALCÃO DA ALEGRIA

BOTECO, O BALCÃO DA ALEGRIA

Renato Ferraz

 

Há quem diga que o bom boteco

é o endereço da alegria.

Onde a descontração é a porta de entrada

e a satisfação é o cardápio do dia.

Lá se toma doses de diversão, 

a espontaneidade não entra na conta 

e o bate papo tem o sabor de petisco.

As agruras da vida somem.

A prioridade é se divertir.

O bom, no boteco, é que cada um

tem respeitada a sua preferência.

A dose e o tipo de bebida são escolhas íntimas.

Não precisa ser idoso para ter prioridade.

Alguns, mais falantes, arriscam a denominar,

quase em tom de discurso,

que o boteco é a tribuna da democracia,

da pluralidade e da verdadeira e real filosofia!

Naquele local servem um cardápio de emoções.

E a sensação que se tem do efeito da bebida 

ajuda o compasso do coração,

que bate feliz. 

A língua perde a timidez e fica mais solta.

Porque ali todos são iguais.

Os direitos e deveres estão postos

Sobre o balcão,

espalhados sobre as mesas.

Fala-se livremente sobre tudo.

Até de quem já morreu...

E principalmente dos assuntos do coração.

Se as verdades da vida vêm à mesa,

também é onde se mente  

E se fantasia muito!

Afinal ali estão seres humanos, bebendo,

representando o planeta terra.

Ninguém dali conheceu o céu

nem foi para o boteco falar sobre a morte,

Porque se o céu é bom, está associado à morte

e no boteco a cotação do tempo

é o presente, é a emoção, é a vida real.

 

.

 

 

 

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AQUELE POEMA

AQUELE POEMA

Renato Ferraz

 

Há um espelho em cada verso, 

naquele poema.

Eu olho para cada um e me vejo

fazendo-o para ela.

Se eu conseguir, deslumbrado

porque também me vê,

fazê-la lembrar aquele pôr-do-sol, 

considero ter valido a pena.

Ao ler-me, verá para quem é que eu olho.

Se o seu coração consentir o que vê,

direi que ele refletiu o que pensei

e logo o meu fará uma festa.

Os meus sentidos estão satisfeitos 

e agradecem, 

porque em cada verso que vê, 

tem seu cheiro, tem seu olhar;

tem seu toque e tem sua voz.

Essa imagem reproduzida

que vem dar luz às estrofes, 

fará o poema brilhar, 

mesmo que não entendam assim.

 

 

 

 

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