Rerismar Lucena

Rerismar Lucena

n. 1971 BR BR

Sonhei...Com árvore e jardim... (cajueiro)E flores, e deus! ***Todos os poemas são de minha autoria, escritos em algum momento de minha vida.

n. 1971-07-03, Uiraúna - PB

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Digressão de Maria

‘São Bernardo do Campo – SP, em 24 de maio de 2018.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
 
Maria anda bem vestida
Mal chegou desconfiada
- Vem de onde? Não disse nada
Foi-se embora, arguida.
 
Cabelos soltos, rosto ao vento
Sorriso fácil, inebriante
Olhar tímido, desconcertante...
Por onde andará seu pensamento.
 
Amiúde, intermitente paixão
- Pulsar de um coração ausente –
Sínodo do amor, inconstante.
 
Amores que passam, em vão
Estado constante de divagação...
- Devaneios torpes da mente!
 
                                 Rerismar Lucena


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Poemas

44

Olhos de Medusa

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 28 de outubro de 1988,às 19h20.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
Os olhos eram impérios
Impiedosos sucumbiam diante do sacro.
Olhos do sacripanta, majestosos
Idolatrados ídolos acro.
 
Aqueles olhos mefistofélicos
A deusa Minerva os amaldiçoou.
Os olhos das Górgones, diabólicos,
A mitologia a doou.
 
N’aqueles olhos de saduceus,
Mulçumanos, gregos, fariseus
Desvairados  sucumbem a teu olhar.
 
Desvencilhados encantos teus
Imobilidade do imo meu
Aos olhos que hão de  me petrificar.

                                     Rerismar Lucena
439

Amar é...

‘Escrito na cidade de Souza – PB, em algum período do ano de 1988.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
 
Amar é,
Ter-te em meu pensamento
Vagar com o vento
A busca de ti.
 
Procurar tesouros
Neste mundo errante
Para sua amante,
Em ouro a cobrir.
 
Vagar, só por vagar
Em sua ressequida paixão...
E ser sempre assim,
Nunca desejar o fim.
 
                                     Rerismar Lucena
656

Dupla face

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 21 de março de 1990, às 08hs25’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
 
Existem tantas outras avalias
No desempenho de uma face oculta
Abrangente em suas evidências
Tão fortes como catapulta.
 
Na ação qualitativa, um fato.
Ponto de vista absurdo.
Elevam-nos a patamares, contudo
Ridicularizam a existência. Um ato
 
Que acrescido à personalidade sádica
Rivalizam-se. Não somam esforços.
Colocam o verdadeiro eu, em destroços...
 
Aniquilam por vez suas vidas
Dependentes de faces perdidas
Confundem a personalidade verídica.

                                    Rerismar Lucena
434

A bela mulher

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 25 de março de 1990, às 16hs30’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
 
Com seu ar possuidor, possessivo
Jeito de quem sabe o que quer.
Como vento que paira no infinito
És tu, oh bela mulher!
 
Um sopro direcionado ao relento
Na infinidade dos mistérios teus
- És bela. Uma flor tão bonita,
Imagem bem-vinda dos céus.
 
Com carinho, amor e meiguice
Nos encanta, como se nos possuísse
A muito em seu coração.
 
Possessa de um amor infinito
Roubando nossos instintos
Domando a nossa emoção.

                                      Rerismar Lucena
420

Vulto da existência

‘Escrito na cidade de Souza – PB, em data desconhecida’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
O vulto fúnebre da existência
É à sombra de noites sem lua
Que no ego solene do espírito atua
Na queda de seres de impotência.
 
Nessa cruel petulância
Que na alma do desgarrado
No jeito podre do acoimado
São frutos sutis da impermanência.
 
As noites cruas de insônia
De pesadelos bruscos da alma
Frustração existencial, carma...
Desejo do inconsciente, automaquia.
 
São porem indigestíveis
Dentre os demais, imperecíveis
Aos que nela a mente atua.
 
Mas quando nela medita
Energias fluíveis nos evita
Da encarnação metafísica, dura e crua.

                                                 Rerismar Lucena
518

O córrego do jacu

‘Escrito na cidade de São Paulo – SP, em 22 de setembro de 1991,
às 22hs30’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais

O córrego que passa
Por trás de onde moro
É estreito.
                    É sujo, fedido, nojento.
                    É às vezes o lamento
                    Do povo.
O córrego que passa
Por trás de onde moro
É estreito.
                    Estreito como a rua
                    Que na frente tem
                    Sem graça.
É estreito como o peito
De um ser sofrido,
Maltrapilho.
                    Nele às vezes o sol reflete
                    Deixando a mostra
                    O seu desdém.
É como o lamento
Dos que ali tem
Um córrego a se inspirar.
                    Por trás de onde eu moro  tem um córrego
                    Que leva a impureza e a certeza
                    Da vida triste que em seu leito há.

                                                Rerismar Lucena

BREVE RELATO:
"Na década de 20, imigrantes japoneses se instalaram em uma área verde no extremo leste da cidade de São Paulo - SP.
Notabilizaram-se pela produção de pêssegos. Para comercializarem as frutas, abriram uma pequena estrada de terra, à margem do Rio Jacu.
O afluente do Tietê, hoje canalizado, devia seu nome a um pássaro comum naquelas paragens. Só em 1996 a antiga estrada recebeu o nome de Avenida 
Jacu-Pêssego". Fonte: .
***Durante os anos de 1991 a 1992 (aproximadamente), residi em um barraco de dois cômodos, à margem do córrego Jacu no bairro de Itaquera,
de propriedade do Sr. Olímpio... onde, em umas das inúmeras enchentes, que são corriqueiras, teve parte do barraco levado pelas águas...
558

Almas do condor

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 18 de setembro de 1988,
às 17hs37’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
No aljube do castelo
Os cadáveres... E pelo
Rangido da bisagra
Ouvia-se o guaiar de almas
                    (sem socorrê-las).
 
Um gemido, um grito de dor
O cheiro fétido dos que, ali
O rangido da bisagra ouvia.
- Mortos entrelaçados, vivem como o condor.
 
O aiar dos encarcerados
É o ringir da bisagra
Que inaudível vagas, como o condor...
De subservientes...
                   (seres inanimados).
 
O ringir da bisagra
Entoa como almas penadas
Que vagam pela dor.
 
As alabardas sagradas
O rangido da bisagra...
- Voam, voam, almas do condor.

                         Rerismar Lucena
526

Luz tardia

‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em data desconhecida’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
Na luz tardia da vida
O foco resume o olhar
Reflete suas feridas
Nas águas verdes do mar.
 
Essa luz então subia
No alto, olhos a fitar
Entre sonhos se via
Uma alma a afogar.
 
Tropeços do passado...
Eu sozinho a pensar,
Olhando aquela luz tardia
 
Era eu que jazia
E na luz então se via
Meu corpo descendo ao mar.
 
                    Rerismar Lucena
505

Teus olhos

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 28 de julho de 1988,
às 11hs30’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
Teus olhos têm a incandescência do sol
O brilho do farol
A beleza do luar.
 
               São refletores fluorescentes
               Que tão docemente
               Nos convidam para amar.
 
São sonhos e fantasias
Tão belos que nos traziam
Os mistérios profundos do mar.
 
               E como louco os seus amantes
               A procura de diamantes
               Para teus olhos ofertar.
 
Viviam nessa magia
Com toda nostalgia,
Queriam o mundo te contemplar.
 
               E viviam a vida assim
               Eternos amantes de ti
               Querendo teus olhos ganhar.

                                Rerismar Lucena
 
773

Força questionável

‘Escrito na cidade de São Paulo - SP, em 26 de junho de 1995,
 às 15hs55’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
  
O questionável ofusca
A mente delimita o estado
A loucura indecisa do ato,
               Desamparado.
 
O forte, fraco é!
E são tão fortes e fracos...
A força também se reduz,
               Não conduz.
 
Que força estranha que é
Conduz o fraco ao fracasso
No delinear de um ato,
               Abstrato.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - 
Eis a carga de aflição.

                 Rerismar Lucena
580

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