Rerismar Lucena

Rerismar Lucena

n. 1971 BR BR

Sonhei...Com árvore e jardim... (cajueiro)E flores, e deus! ***Todos os poemas são de minha autoria, escritos em algum momento de minha vida.

n. 1971-07-03, Uiraúna - PB

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Digressão de Maria

‘São Bernardo do Campo – SP, em 24 de maio de 2018.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
 
Maria anda bem vestida
Mal chegou desconfiada
- Vem de onde? Não disse nada
Foi-se embora, arguida.
 
Cabelos soltos, rosto ao vento
Sorriso fácil, inebriante
Olhar tímido, desconcertante...
Por onde andará seu pensamento.
 
Amiúde, intermitente paixão
- Pulsar de um coração ausente –
Sínodo do amor, inconstante.
 
Amores que passam, em vão
Estado constante de divagação...
- Devaneios torpes da mente!
 
                                 Rerismar Lucena


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Poemas

49

Digressão de Maria

‘São Bernardo do Campo – SP, em 24 de maio de 2018.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
 
Maria anda bem vestida
Mal chegou desconfiada
- Vem de onde? Não disse nada
Foi-se embora, arguida.
 
Cabelos soltos, rosto ao vento
Sorriso fácil, inebriante
Olhar tímido, desconcertante...
Por onde andará seu pensamento.
 
Amiúde, intermitente paixão
- Pulsar de um coração ausente –
Sínodo do amor, inconstante.
 
Amores que passam, em vão
Estado constante de divagação...
- Devaneios torpes da mente!
 
                                 Rerismar Lucena


657

A Palavra Como Castigo e Vontade

A Liberdade Em Cativo
PARTE II:
São Bernardo do Campo, 30 jan. 2021 às 21hs05.

Quando a vontade se torna libertadora, no instante da palavra proferida
A linguagem perde a funcionalidade, ao revestir-se de cuidados.
O dislate entre diálogo e entendimento contumaz, se fez perdida
Na confusão dos sentidos, da ressignificação dos antepassados.
 
Na centelha ardente das narrativas onde prevalecem o arbitrário
Que desinveste a palavra de sua pretensa utilidade: o entendimento.
A linguagem como escombros da edificação do homem: sepulcrário
De desejos que engendram a falta e o ressentimento.
 
Onde a todo o dito se faz mensura, podendo ser interdito
A palavra como caos. Como ordem ou instrução.
Perde-se na funcionalidade de seu entendimento
Nas narrativas que devoram o pressuposto da ação.
 
A palavra como castigo e vontade de uma justiça dominadora
Que conduz ao seio da sabedoria selvagem libertadora
Sob o escrutínio da palavra do ser que o nomeia.  
 
O homem regressa a escuridão abismal do pensamento que medeia
A origem do mal. Um exercício de vontade, da liberdade que devora.
Da palavra que ecoa anômala; e que se evola, mundo a fora.
--------------------------------------------------------------------------------------
A linguagem como escombros das ruínas da edificação do homem babélico.
De sua arvora em atingir o inatingível: a natureza divina [Deus].

 “Eis que o povo é um, e todos tem uma mesma língua;
e isto é o que começam a fazer?” (Gênesis 11:16)

                                                (Rerismar Lucena, 30 jan. 2021).
520

A Igualdade Como Ferramenta de Controle

A Liberdade Em Cativo
PARTE I:
São Bernardo do Campo, 24 jan. 2021 às 13hs55.

Em nome da igualdade, ou restauração da verdade identitária
A liberdade já não liberta:  é prisioneira da vontade.
— O livre arbítrio sob o jugo da potestade.
Da relação construída por obediência paritária.
 
Dependente da vontade de uma nefasta liberdade,
Que provoca prazer ou contentamento inebriante.
O pressuposto único da ideologia cativante
Na hierarquização libertadora da igualdade
 
Que impõe forja à moral, ao livre arbítrio, a consciência;
Sob a presunção de garantir a “verdadeira igualdade”.
A liberdade de expressão — como pantomima da maldade,
Na visão tosca do déspota que impõe obediência.
 
Incorpora ignorância a distopia da normatividade
Como se liberdade é uma espécie de subversão:
Pressuposto dos alienados que nascem na servidão.
 
Repele o poder da autonomia e da espontaneidade,
Para se ver livre da barbárie e da liberdade arbitrária:
Cerceia-se às vozes ressonantes contrárias.
-----------------------------------------------------------------------------------
O que te liberta, também te aprisiona. Pois o homem é servo de suas necessidades imediatas.

                                           “O homem aliena-se de sua própria liberdade, mentindo para si mesmo
                                            através de condutas e ideologias que o isentem da responsabilidade sobre
                                            as próprias decisões”.  Jean-Paul Sartre (1905-1980) 
(Rerismar Lucena, 24 jan. 2021).
526

A amálgama dos sentidos

São Bernardo do Campo, 12 ago. 2020 às 22hs00.
Poema de: Rerismar Lucena
  
Reconstruir o real, reimaginar o imaginado
Evocar a representação dos sentidos
No Jogo de espelhos, —“das verdades”
Da  ausência dos desapercebidos.
 
O surto imaginativo, que forja à realidade
E que,  da  ausência  nasce o  real.
No espelho turvo da representatividade
Surge imagem manifesta, factual.
 
Onde o real é representação e concretude
Na amálgama dos sentidos humano;
Do sujeito-objeto que tudo precede
A ação do pensamento mundano.
 
Contudo, o simbolismo da representação
Que pretende dar a realidade, definição
É mera “ilusão referencial” do fato;
 
Pois somos seres sensoriais, de pensamento e ação.
O mundo externo é o campo da representação
Onde um fato, nunca é o fato de fato. [ipso facto]
 
                                          Rerismar Lucena
766

O Substrato da utopia

São Bernardo do Campo, 12 jul. 2020 às 22hs40.
Poema de: Rerismar Lucena
 
Na base essencial, do ser que repousa
A utopia do normal do instante;
E que, todo o costume [ir]relevante
Torna-se acerba, e a moral obtusa.
 
Como domar o futuro Liquefeito
No suster da inflexão da vida:
Revirar árduas feridas? Ou,
Ressignificar normas e preceitos?
 
Se algo acontece, a partir de fatores
Da realidade positiva, de polos distintos
Na assumida batalha [...] dos instintos,
Nos confins da eclusa de tempos motores.
 
Ainda que, sofisticado seja a usura
Da esfera social que perdura
A singularidade gravitacional do sujeito.
 
Sendo que o altruísmo cultural que prospera,
Nada mais é que o desapontar de uma era
Da infalibilidade de tempos imperfeitos.
 
                                    (Rerismar Lucena, 12 jul. 2020)
753

Vulto furtivo

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 04 de julho de 1989 às 20h15
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
  
Um vulto furtivo em meio às sobras,
O leve murmúrio de voz trêmula
Fogo que queima o coração humano,
Uma vida ceifada, morte extrema.
 
O sangue gela, o coração para,
Em noite de tempestades, de trevas...
Onde o escarlate sangue, à calçada
Suja com glóbulos de um ser humano.
 
Parece que à noite envolto estava
De uma nuvem de loucos, a soltos nela
Que ensandecidos, cavalgam
A busca de vítimas para queimar na brasa
De animais que brilham em meio as trevas.
 
O vulto furtivo se afasta;
Um corpo na calçada do destino
............................................................................................................
Uma vida ceifada, uma longa espera.
 
                                            Rerismar Lucena
773

Quase nada

‘Escrito na cidade de São Bernardo do Campo – SP, em 23 de abril de 2018 às 20h16
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
Um tanto do quase nada, é a medida do tanto faz.
Como dimensionar. Que Importância dar?
Se para você, tanto faz!
 
Fez-se presente em meu ser.
Busquei nos teus olhos, a paz que tanto almejo… em vão.
Vislumbro tão somente ausência. Distanciamento.
- Do amor, só restos de solidão!
 
Vulto, escassez de sentimentos
Pensamentos confusos. -  Ilusão!
 
Já não me olhas, ser fantasmagórico
Estranho conhecedor de mim.
- Ninguém caminhas a teu lado…
 
Por não existir, por nada sentir ou ser
Tudo não passa de um “tanto faz”.
De quem? - ninguém; … é o que nos resta,
Um vazio composto, imposto... nada!
 
                               (Rerismar Lucena, 23 abr. 2018)
682

Reflexo do amor

‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em 19 de dezembro de 1994, às 21hs25’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais

 
Reflexo imaginário
Tormento de te ver,
Correr aos meus braços...
               Embaraços.
 
Te ouço, te desejo, te sinto...,
Projeções de ti em mim.
Espasmos de minha vida,
               Querida.
 
Que em minha alma, a sinto
A busco em meu ser,
Em  sonhos  te quero:
               - Amo você!
 
                         Rerismar Lucena
949

Despedida

‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em 07 de outubro de 1992,
às 13hs50’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
  
Estava chovendo...
Lágrimas dos teus olhos caiam
Um adeus disperso ao ar
Um sonho, um mundo
               Vidas separadas.
 
A força do apego nos massacrava...
               E ela chorava.
 
A chuva caia,
E as lagrimas daquele rosto
Que não cessava...
 
Era um adeus. Uma despedida
Um sonho preste a se findar.
 
Nas águas, que na rua caiam
Nas lagrimas, que mais pareciam:
               Dois corações a se afogar.

                           Rerismar Lucena
737

Enfático

‘São Paulo - SP, em 12 de abril de 1995, às 23hs00’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
  
O sol se punha
A lua se ressalta
Tão pouco o ocaso some...
               Tudo consome.
 
O esplendor daquele olhar
Inverte sol a luar
Engana, a todos ilude.
 
A lua não mais aparece
É chuva que do céu desce,
Não lagrimas de amor...
               A chorar.

                  Rerismar Lucena
812

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