Rerismar Lucena

Rerismar Lucena

n. 1971 BR BR

Sonhei...Com árvore e jardim... (cajueiro)E flores, e deus! ***Todos os poemas são de minha autoria, escritos em algum momento de minha vida.

n. 1971-07-03, Uiraúna - PB

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Digressão de Maria

‘São Bernardo do Campo – SP, em 24 de maio de 2018.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
 
Maria anda bem vestida
Mal chegou desconfiada
- Vem de onde? Não disse nada
Foi-se embora, arguida.
 
Cabelos soltos, rosto ao vento
Sorriso fácil, inebriante
Olhar tímido, desconcertante...
Por onde andará seu pensamento.
 
Amiúde, intermitente paixão
- Pulsar de um coração ausente –
Sínodo do amor, inconstante.
 
Amores que passam, em vão
Estado constante de divagação...
- Devaneios torpes da mente!
 
                                 Rerismar Lucena


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Poemas

49

Ao amor

‘Escrito na cidade de São Paulo – SP, em 03 de junho de 1994 às 13h09.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
Meu amor,
Meu coração busca a ti,
E meus olhos, tua ausência chora.
 
Te vejo em tudo.
Busco o teu cheiro
No leve vento que sopra.
 
Na brisa,
Sinto a ternura de tua face.
 
No sol,
O calor de teu corpo.
 
E na solidão,
A ausência de teu amor!
 
                       Rerismar Lucena
466

A beleza e a dor

‘Escrito na cidade de São Bernardo do Campo – SP, em 20 de julho de 2019 às 17h28
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’ 

Antes rosa, carpelo da vida
De forma variável, modificações do ser.
Que são rosas, se não vida ou acenos de deus?!
 
Que estamos a viver, se não a morrer?!
Há vida envolto, sempre incompleta
Na tristeza ou alegria, no ódio ou amor, também há vida.
 
Na parte que nos habita, a morte
Oposto que polariza o ser,
No gineceu eterno da vida.
 
Estilete, estigma. Ovário de beleza eterna
Ó frágil e bela rosa...
 – Que carregas nos espinhos?
 
Não te aproximes apaixonadamente;
Não te encantes com seu perfume
se não, coroar-te-á de espinhos e dor!

                                                         Rerismar Lucena                
                      
460

O poder existencial de algo (real ou abstrato)

São Bernardo do Campo – SP. Sexta-feira, 1 de maio de 2020 às: 13hs43.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
Nota: nessa condição humana onde tudo é incerto, a religião, a existência, a vida [...} tudo é conceito de um pensamento finito moldado na razão ou num sentimento de temor. Gosto do pensamento difuso, confuso pois, na verdade, nada é absolutamente verdade ou mentira. Apenas buscamos uma razão para ser, nesse mar de incertezas quanto a “essência necessária”. 
 
Por inferência, verdade de uma proposição
Deduz-se alcançar à resposta manifesta
Ao perceber que o princípio vital
Se deslustra sobre a loisa fria.
 
Pacientemente algo suscinta  confuso
Do prover do nascer da agonia.
Lacônico comportamento difuso
Entre a morte e a razão, – a teosofia!
 
Ser ascendente, de condição inferior
Onde tudo se põe a declinar.
Símbolos exteriores, visíveis e tangíveis
Da sorte, do orgulho, do azar.
 
De baixo para cima, [o céu] transgrida                                              
De cima para baixo, [o inferno] inflija
À tríade: "pneuma, psykhē, sôma”, se reputa...
- Céu ou inferno? Vida eterna ou morte absoluta?!                              
                                                                                                                          
Ao Romper a nau de sua tormenta,
Em deriva, o Náufrago: a morte, a vida.
 
Na qualidade de candura exposta                                                            
Lençol de inocência, à mostra.
Romper da cornija, de ser promissor
Difusão de partículas de seu criador.
 
                                              (Rerismar Lucena, 01 mai. 2020)

_________________________
Inferência - 1. Raciocínio concluído ou desenvolvido a partir de indícios: a dedução é um tipo de inferência. 2. Processo intelectual segundo o qual é possível chegar a uma conclusão a partir de premissas. 3. Raciocínio através do qual uma proposição é considerada verdadeira pela sua ligação com outras já tidas como verdadeiras; a proposição que se assume como sendo verdadeira.
Proposição - 1. Aquilo que se propõe; sugestão que se faz acerca de alguma coisa; proposta: negamos a proposição do juiz. 2. Sentença passível de comprovação ou não; enunciação. 3. Ação ou efeito de propor, de apresentar, de colocar algo diante de.
Deslustrar - Tirar o lustre de; despolir. [Figurado] Infamar, desonrar.
Loisa - Lâmina de pedra. Ardósia. Lápide, que cobre uma sepultura.
Lacônico - Conciso ou breve; que se expressa através de poucas palavras: texto lacônico, discurso lacônico.
Difuso - 1. Que acabou por se difundir, tornar conhecido; que se consegue espalhar por várias ou todas as direções; disseminado, divulgado. 2. Que se utiliza excessivamente das palavras; prolixo: o discurso político foi difuso. 3. Por se refletirem de maneira confusa, diz-se dos raios (de luz) incapazes de produzir sombras claras.4. [Por Extensão] De contornos confusos e pouco claros.
475

Eros (amor) eras o fim?!!!

'São Bernardo do Campo – SP, em 17 de abril de 2018.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
 
Por que o coração enseja
Numa tormenta de gracejo
Em suspiros de amor por ti?
 
Por que tanto desejo?
Atormentado por teu beijo...
- Será amor o que senti?
 
Abjuras  meu coração,
Louca tormenta, paixão...
Eros (amor), eras o fim?!!!

                   Rerismar Lucena
320

Acromo amor

‘São Bernardo do Campo – SP, em 09 de maio de 2018.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
Ah, os ares do amor!
Amores alhures, cruéis
O quão em vão fostes...
                    Acrômico sentimento de dor.
 
Amor preterido, deposto...
De soslaio me olhas, finge não ver;
Derramo por ti todo o meu amor:
                    Frustro minha alma, meu ser.
 
Tristeza, angústia, solidão... sotopor!
Ah, os ares do amor, - Em vão!
 
Tantas energias desperdiçadas
Em busca de enganos, - solidão!
 
Tantas portas entreabertas
Para que um dia possas me enxergar,
E manter viva minha...
                     – Ilusão!

                               Rerismar Lucena
294

Prospecção do amor

‘Escrito na cidade de São Bernardo do Campo – SP, em 23 de julho de 2019
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
Qual a localização precisa do amor?
Sê-te escalável, previsível?
Tens Prospecto exaurível, ou
Possança, pujança e dor?
 
Quantas tristezas cabem na solidão?
Aptidão para Sentir, disposição para sofrer
Num cômputo risível de ser,
Uma Luz mítica sem cor.
 
Alumbre...
Imerso mundo abstrato,
Confusos sentimentos. - Temor!
Me perguntas: qual a dor do amor? - não sei!
.....................................................................................................................
Intangível ser [...] que em mim habitas!
 
                                                 Rerismar Lucena
459

Manifestação da alma (chamado de sonho)

‘Inspirado em sonho na manhã de 26 de outubro de 2018, na cidade de São Bernardo do Campo – SP.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
  
Sonhei...
Com árvore e jardim... (cajueiro)
E flores, e deus!
 
Plantas frutíferas
Castanha no cajueiro
Vida a se reciclar...
Num pequeno pomar.
 
Campos vastos, gramado verde
Dóceis animais que passam (cachorro)
Sonhei...
 
Objetos soterrados (poço de dejeção, excremento)
Por mim, recuperados...
... reunião de pessoas.
Estive lá! Sem camisa, sem por quê.
 
Subconsciente, inconsciente. - Como queiras,
Acordei!
 
                                              Rerismar Lucena
432

Apenas o fim

Escrito na cidade de Souza – PB, em 09 de outubro de 1989
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
 
Apenas o fim!
Imemorável, minucioso...
Uma minúscula, mísera vida
Partícula de um ser colosso.
 
- E as paixões, os amores?
São sonhos, são flores
Espinhos, desamores...
Ofegante torpor.
 
- A vida?
São blocos prostrados no deserto
Cravados, sem ao certo ter
Uma mão ou um coração,
Que afague sua ferida.

                            Rerismar Lucena
428

Dupla face

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 21 de março de 1990, às 08hs25’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
 
Existem tantas outras avalias
No desempenho de uma face oculta
Abrangente em suas evidências
Tão fortes como catapulta.
 
Na ação qualitativa, um fato.
Ponto de vista absurdo.
Elevam-nos a patamares, contudo
Ridicularizam a existência. Um ato
 
Que acrescido à personalidade sádica
Rivalizam-se. Não somam esforços.
Colocam o verdadeiro eu, em destroços...
 
Aniquilam por vez suas vidas
Dependentes de faces perdidas
Confundem a personalidade verídica.

                                    Rerismar Lucena
441

Olhos de Medusa

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 28 de outubro de 1988,às 19h20.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
Os olhos eram impérios
Impiedosos sucumbiam diante do sacro.
Olhos do sacripanta, majestosos
Idolatrados ídolos acro.
 
Aqueles olhos mefistofélicos
A deusa Minerva os amaldiçoou.
Os olhos das Górgones, diabólicos,
A mitologia a doou.
 
N’aqueles olhos de saduceus,
Mulçumanos, gregos, fariseus
Desvairados  sucumbem a teu olhar.
 
Desvencilhados encantos teus
Imobilidade do imo meu
Aos olhos que hão de  me petrificar.

                                     Rerismar Lucena
445

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