Rerismar Lucena

Rerismar Lucena

n. 1971 BR BR

Sonhei...Com árvore e jardim... (cajueiro)E flores, e deus! ***Todos os poemas são de minha autoria, escritos em algum momento de minha vida.

n. 1971-07-03, Uiraúna - PB

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Digressão de Maria

‘São Bernardo do Campo – SP, em 24 de maio de 2018.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais’
 
 
Maria anda bem vestida
Mal chegou desconfiada
- Vem de onde? Não disse nada
Foi-se embora, arguida.
 
Cabelos soltos, rosto ao vento
Sorriso fácil, inebriante
Olhar tímido, desconcertante...
Por onde andará seu pensamento.
 
Amiúde, intermitente paixão
- Pulsar de um coração ausente –
Sínodo do amor, inconstante.
 
Amores que passam, em vão
Estado constante de divagação...
- Devaneios torpes da mente!
 
                                 Rerismar Lucena


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Poemas

49

Recordações passadas

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 25 de maio de 1989,
às 15hs45’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais

Cercado, isolado pelo passado
Um grita, um geme, um chora
- ô João, não dormes, é hora
De irmos embora de casa.
E João murmura num cantinho:
- Não dá primo, tenho irmãozinhos
Meus pais, coitadinhos
Não consegue lhes sustentar.
 
E João em silencio permanece
Com lagrimas no rosto a rolar.
Os dias se vão, o tempo passa
E João um dia cresce
Não se sabe se a vida floresce
Ou germina no seu quintal.
 
- Vedes primo, estou velho
Irei vegetar no cemitério
E guardar as lembranças de um passado letal.

                                    Rerismar Lucena
449

Papelão na calçada

‘Escrito na cidade de São Paulo - SP, em 02 de março de 1995,
às 21hs00’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais

Chego à rua, descalço
- Papelão na calçada
Chove chuva, chove nada
Chove... – cansaço.
 
Frutos verdes. A feira
Lama, poeira. Suja
A rua, que queira ser tua.
 
Apaga o brilho, da rua
Tristes focos. Nua,
A calçada suja.

 O sol despoja
Afrouxa a tua luz na rua.
 
Afrouxa essa ilusão, essa maldição
Num olhar audaz, que traz
A frieza crua da rua.

                   Rerismar Lucena
565

Debilidade noturna

‘Escrito na cidade de Souza – PB, em 03 de março de 1989,
às 20hs43’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
À noite, na sombra de minhas inquietações,
O drama do ser me atormenta
Sofro de insônia, opulenta
Na enfermidade da mente doentia.
 
Tão somente é hipocondria
Que não me deixas, nem me solta
E quando ao dia abro a porta
Choro do nascer ao pôr do dia.
 
Nas noites mal dormidas
Sentia mórbido o meu ser...
- Meu corpo treme sem vida.
 
Mas no resplandecer, o dia
Refletindo a hipocondria
Das práticas débeis da vida.

                                 Rerismar Lucena
546

Desejos

‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em data desconhecida’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
Traz-me o vento a brisa noturna
Eu me recolho em meu canto
Os meus olhos, como se em pranto,
Caem lagrimas... infortuna.
 
Traz-me vento desejos profundos
Arrasta com força águas do mar
Em puros sonhos de luar
Molha os encantos daquele corpo.
 
Se pra mim és desejo
Se me perco em teus beijos
Fico louco, louco ao mar.
 
Que me lanço em meio às águas
Encobrindo as minhas magoas
De só em sonhos te amar.

                                                    Rerismar Lucena
574

O farol do cais

‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em 19 de dezembro de 1994, às 20hs40’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais


 
Um brilho de luz ao céu
Alumia o sorriso teu,
De concreto.
 
E teus olhos, refletores
Farol nas marés,
Do deserto.                                                    
 
De coração errante
De sonhos distantes                          
Em pedra, amor:
               Transformar - te.
 
                       Rerismar Lucena
806

Amor de menina

‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em 01 de dezembro de 1994, às 19hs40’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
 
Frágil coração
Amor de menina
Inocência divina...
               - É paixão.
 
Os olhos a chorar
Coração solitário,
Pensamentos em rio...
               - Tenra solidão.
 
Tristonha a menina
Que a paixão chegou,
E o amor se transformou...
               - Desilusão.

                        Rerismar Lucena
707

Vida de gato

‘Escrito na cidade de são Paulo – SP, em 25 de novembro de 1993, às 14hs28’.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
Cai à tarde em chuva
Molhando um mundo tão quente
Sobe um fervor, austero
No cemitério.
 
               As águas correm nos rios
               Os córregos esbanjam o mar...
               Trovejo, relâmpago... É fria
               A água que o corpo arrepia.
 
Descem, penetram profundamente
Inundam, molhando o que há.
Em meio à terra sardenta havia:
Corpo de gente e de jia.
 
               Que pula o gato e anuncia
               A chuva. O rato. O cortejo.
               Que descem como chuva, em despejo,
               Mais corpos para o cemitério zelar.

                                                   Rerismar Lucena
675

Discreto sonhador

‘Escrito na cidade de Uiraúna – PB, em 26 de abril de 1989,
às 20hs10’. Poema de: Rerismar Lucena de Morais

Deslizando através do tapete.
Não voa. Não corre. Enfim,
Não sai do lugar.
 
               Estreito corredor
               Cauteloso sonhador;
               Saqueador de paciência de vida alheia.
 
Surpreendido pelo horror
Desprotegido pelo pavor
De minúsculas projeções na porta:
Que não são sua vida.
 
               São sombras preenchidas
               Por espasmo de vida
               Que o faz sonhador.
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... E mais uma vez, não crê que sonhou!

                                                Rerismar Lucena
772

O espírito cíclico da vida.

São Bernardo do Campo – SP. Domingo, 25 de maio de 2020 às: 14hs55.
Poema de: Rerismar Lucena de Morais
 
  
É fria a brisa que sopra
Quando o corpo indefeso está ao relento.
 
Olhar fixo no horizonte
A contemplar, os princípios da vida.
          [O nascer e pôr do sol].
 
Alma em aurora rosicler
Corpo sob o relustro do criador.
         [Espírito em Ascensão].
 
Mas, é o tempo que consome
A juventude de teu corpo.
         [nascer, viver, morrer].
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As flores sempre renascem na primavera!
 
 
                                             Rerismar Lucena.
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