Ribas Miranda

Ribas Miranda

n. 1963 BR BR

n. 1963-08-20, Fortaleza/Ce

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VERSO A VERSO


VERSO
A VERSO


Verso a verso

Acordo o lirismo falso

E as torturas silentes

De quanto adverso;



Verso a verso

Exprimo o sumo

De mim mesmo colhido

Ou de outro universo;



Verso a verso

É que me disponho

À limpidez da tempestade

Ao fogo de uns sonhos;



Verso a verso

Desfibro o mundo

Desde os seus arcabouços

E então recomeço;



Verso a verso

Atiro a pedra da ideia

No lago de pensar

O que ainda estremeço;




Verso a verso

Me aproprio do brado

E do silêncio impávido

Que me disperso;



Verso a verso

Penetro as margens

Das montanhas, e névoas

Em salto desconexo;



Verso a verso

Dispo a verdade retórica

Para dirimir a loucura

À qual me confesso;



Verso a verso

Me inicio na combustão

De uma brasa faminta

Que me traz imerso;



Verso a verso

Liberto a ave do caos

Pela cavidade incoercível

De onde sou egresso.

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Poemas

2

SENTINELA


SENTINELA

As flores são dispostas na janela
Espelhos cicatrizam a luz do dia
O ventre do céu engole nuvens
Um momento disperso se recria
Por entre sombras que ressurgem

Como sentinelas dos meus receios
Entre bruscas e inúteis cordilheiras
Através da qual estão a deslizar
Os enganos de uma vida inteira
Na corda bamba partida ao meio

Bem sei quem sou nessa fronteira
E sei o que busco dessa estrada
Ainda a que agruras me destinam
As pegadas pelo pó que estala
A contornar os mesmos caminhos

Mas que acendam essa fogueira
E a alma queime o que a abrasa
Outras distâncias e rumo ignorado
Vou-me lançar ao sol a vida inteira
Ainda que derreta a cera das asas.
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VERSO A VERSO


VERSO
A VERSO


Verso a verso

Acordo o lirismo falso

E as torturas silentes

De quanto adverso;



Verso a verso

Exprimo o sumo

De mim mesmo colhido

Ou de outro universo;



Verso a verso

É que me disponho

À limpidez da tempestade

Ao fogo de uns sonhos;



Verso a verso

Desfibro o mundo

Desde os seus arcabouços

E então recomeço;



Verso a verso

Atiro a pedra da ideia

No lago de pensar

O que ainda estremeço;




Verso a verso

Me aproprio do brado

E do silêncio impávido

Que me disperso;



Verso a verso

Penetro as margens

Das montanhas, e névoas

Em salto desconexo;



Verso a verso

Dispo a verdade retórica

Para dirimir a loucura

À qual me confesso;



Verso a verso

Me inicio na combustão

De uma brasa faminta

Que me traz imerso;



Verso a verso

Liberto a ave do caos

Pela cavidade incoercível

De onde sou egresso.

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