Robert Ribeiro

Robert Ribeiro

n. 0000-00-00, Piumhi

Perfil
460 Visualizações

Autômato do Versejar

Dizem que sou uma máquina ao versificar
Discordo, não somente ao trovar,
Também ao falar, andar
E cogito que até mesmo ao chorar.

E é tão pungente, depreender em uma gota
O seu lacrimejar, tão longínquo
Do gravitar, do barulhar...
Ah, choro também como esta gota.

E ao fitar a descendência do Sol
Cravo a melancolia, deste tão terrível naturar
Oh! Que pesar, ao emacular em mim este tão terrível
Birutar, prostrado num suicidar...

E também estou morto, como a penca ao se despendurar
De seu universo finito, e tão bonito...
Não sou eu quem escreve, mas esta gota, este Sol
Esta penca, que já não é mais o que era..
Ler poema completo

Poemas

4

Autômato do Versejar

Dizem que sou uma máquina ao versificar
Discordo, não somente ao trovar,
Também ao falar, andar
E cogito que até mesmo ao chorar.

E é tão pungente, depreender em uma gota
O seu lacrimejar, tão longínquo
Do gravitar, do barulhar...
Ah, choro também como esta gota.

E ao fitar a descendência do Sol
Cravo a melancolia, deste tão terrível naturar
Oh! Que pesar, ao emacular em mim este tão terrível
Birutar, prostrado num suicidar...

E também estou morto, como a penca ao se despendurar
De seu universo finito, e tão bonito...
Não sou eu quem escreve, mas esta gota, este Sol
Esta penca, que já não é mais o que era..
82

Degradação

Nesta Potestade adstringida em seu supedâneo
Gozo de um latíbulo para além de racionável
E ao vociferar para a Alteza, evola-se o imaginável;

Nos ósculos desprendidos à seu pedestal
Na submissão de meu ego impetuosamente infernal
Fisgo um prazer concessional,e no entanto tão descomunal;

Que ao lhe representar, em meu espírito trêmulo
De exultação, pesco no indissocíavel o intocável
E no entanto flamejável, sendo assim maleável;

Porém ao aniquilar-me em seu capricho, seu mais livre-arbitrío
Sinto-me abarrotado de paixões, lições e até vocações
De ser um patife, e por fim congênere aos cães.
121

Solitude.

Nesta soledade, nesta misantropia
Conjecturo no voltívolo, no iniludível
O imprescindível, e o sublimável
Que no vergastar, e no golpear
Hodierna no borboletar
De uma única borboleta, em seu voar.

E ao devanear neste insulamento
Neste tão cruel isolamento
Sinto no flamejar do arcabouço
O palpitar, deste ignòbil rosto
Que ao forcejar o cativar, é cativado
E que ao parodiar o sol, é estorricado.

Portanto neste traquejo, o alijôfar
Não faz mais que confirmar o próprio ratificar
De um cerne enterrado no enrreigado eremitério
Donde as flores borbulham mortas qual um cemitério
E nos forames de tão enfarruscadas lápides
Nestas tão exorbitantes e terríveis soturnidades.

Dimanes a Hidra, donde provém tantos cabeçotes
Emblemando os remates de evieternos desenlances
Enquadrando em si o sodalício de tão côncavos desempates
Com tantos seres, quanto acaba de leres
Detendo equidistantes os olhares, os pensares
Envolvendo os finamentos, os fenecimentos.

De um exílio, que locomove-se, conquanto no fim volta-se
Às primícias da antropofobia e que portanto propicia a abstenção
Do ligar-se á outrem, enquanto aflige-se da privação
Da complacência, e da afeição que expor-se-ia, e então
Nesta soledade, nesta misantropia
Conjecturo no voltívolo, no iniludível
O imprescindível, e o sublimável.

122

Embeiçamento à Mariana

Um sentimento não comunicável
E que no entanto, e portanto abate
O amável, e o sublimável em meu ser afável
Sentir, refletir, é a causa deste reboliço nada rasurável.
 
Não almejo contempla-la em sua carnadura
Mas tão somente em sua ontologia mais obscura
Não cogito ter contigo uma osculação
No entanto, aspiro em ti minha integralização.

Benquero seu querer, Benquero seu amar
Prestigio seu pedúnculo, seu pilar
Como um cego a esmiuçar e a lhe idolotrar
Me ofuscaste, portando sua delicadeza anelar

Ao lhe ilustrar, ou deidificar
Destrinço no seio de meu ser
O amar, talvez até mesmo o apaixonar
E neste sincero epílogo, não tenho mais o que entoar
131

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.