Rogério Brugnera

Rogério Brugnera

n. 1973 BR BR

n. 1973-08-20, São Paulo

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Poemas

16

Vale da Lua

ao enamorar-se do a
b
i
s
m
o
.
.
.

gritou

e ouviu sua voz distante-tante-ante-te-e-e-e...
715

outono

uma folha se desprende e
cai

adivinha
para
onde
ela
vai
...
599

o diabo mente

eu sei
não quer morrer

mas o céu é ali
é só descer
614

Cacaso

"o poeta não se conforma de não conhecer
todas as formas da delicadeza"
é o pedreiro que fala
ô gostosa!
é a funkeira que goza
sai pobreza...
615

escuro

a lâmpada fria apagou-se
de repente

deitada na cama
a moça finge que
nem sente
618

cavalgada

não podemos negá-los
não podemos deixar de vê-los
entre suas pernas os cavalos
com todas suas crinas e pêlos
574

haiquebra

o vaso quebrado
quebrou por causa do medo
que tinha de quebrar
629

yehoshuahiob

lembra do dia em que cheguei?

perguntei ao pai se o terror passara
se a mordaça caíra
se a paz voltara

mas pai - que franco pai -
nada aconteceu
nada mudou
nada morreu

continuando mundo
o mundo acabou
- que fim sou eu?

o mundo acabou
acabei no mundo
agora ele é Meu
581

amar é eterna dúvida

amar é eterna dúvida
entre
entregar-se indubitavelmente
e garantir o sofrimento
na descrença de tê-lo

amar é o amor ao fluído
à fumaça da dor
é saber duvidando
que amar é o amor
658

carvão

Permanece estável e bem negro
num véu de fogueiras escondidas
abnegado à terra - fel difuso
Pomo irrefreado, foracluso
a vã pedra c'alma recolhida
chama o seio bravo à brasa brita
vertida se sabe donde pronde
Pronta chama dela se irrita
o natural espírito é turro
- chama-se então fogo, o dele tudo
592

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