Rogério Brugnera

Rogério Brugnera

n. 1973 BR BR

n. 1973-08-20, São Paulo

Perfil
9 926 Visualizações

Poemas

16

o diabo mente

eu sei
não quer morrer

mas o céu é ali
é só descer
619

escuro

a lâmpada fria apagou-se
de repente

deitada na cama
a moça finge que
nem sente
622

cavalgada

não podemos negá-los
não podemos deixar de vê-los
entre suas pernas os cavalos
com todas suas crinas e pêlos
578

Vale da Lua

ao enamorar-se do a
b
i
s
m
o
.
.
.

gritou

e ouviu sua voz distante-tante-ante-te-e-e-e...
719

haiquebra

o vaso quebrado
quebrou por causa do medo
que tinha de quebrar
634

carvão

Permanece estável e bem negro
num véu de fogueiras escondidas
abnegado à terra - fel difuso
Pomo irrefreado, foracluso
a vã pedra c'alma recolhida
chama o seio bravo à brasa brita
vertida se sabe donde pronde
Pronta chama dela se irrita
o natural espírito é turro
- chama-se então fogo, o dele tudo
595

oração à nossa senhora dos prazeres

ai dor ai falta
ai prazer que me mata
pede-me a faca
que exala estanque
marcas e marcas

dá-me sussurros
dá-me certezas e ímpetos duros
vira-me pedra água sal
livra-me decerto todo o mal

dá-me tua glória
e faça a ti presente minha história
e ao acalanto matinal de longa estada
longe do mundo sôfrego lento trôpego
deita-me o Belo
pedaço do que quero

espada que se estira
que finca no espaço
corta-me todo deixa-me enfim
esteja liberta e mordaz
falange de aço de espera incapaz
mantenha seu fio
de estaca em mim

destaca-te limpa
prazer que me mata
e afoga-te toda
feito noutro peito

Jasmim

1 118

Cacaso

"o poeta não se conforma de não conhecer
todas as formas da delicadeza"
é o pedreiro que fala
ô gostosa!
é a funkeira que goza
sai pobreza...
618

pássaro primitivo

não sou eu quem te observa
nem ninguém pra ser teu olho
se teus olhos vêem névoa
os meus vêem teu vôo

ou se o solo fosse abaixo
quando o pouso é estadia
todo o céu envolto em nada
é lugar e moradia.

que pássaro eterno plana
sobre as cabeças dos que te olham?
que retração ilógica emana
da plumagem que não vemos influir

sobre o vôo e te protege o corpo?
que lugar intuitivo ocupas
quando levantas teu sopro ancestral?
quando declamas o ar orgânico...

quando resolves ocupar o teu reinado...
limitas-te num ser completo
e em tua glória és secreto
tão secreto o teu pedido.
606

outono

uma folha se desprende e
cai

adivinha
para
onde
ela
vai
...
604

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.