Poemas
16Vale da Lua
ao enamorar-se do a
b
i
s
m
o
.
.
.
gritou
e ouviu sua voz distante-tante-ante-te-e-e-e...
b
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s
m
o
.
.
.
gritou
e ouviu sua voz distante-tante-ante-te-e-e-e...
715
carvão
Permanece estável e bem negro
num véu de fogueiras escondidas
abnegado à terra - fel difuso
Pomo irrefreado, foracluso
a vã pedra c'alma recolhida
chama o seio bravo à brasa brita
vertida se sabe donde pronde
Pronta chama dela se irrita
o natural espírito é turro
- chama-se então fogo, o dele tudo
num véu de fogueiras escondidas
abnegado à terra - fel difuso
Pomo irrefreado, foracluso
a vã pedra c'alma recolhida
chama o seio bravo à brasa brita
vertida se sabe donde pronde
Pronta chama dela se irrita
o natural espírito é turro
- chama-se então fogo, o dele tudo
592
aquário
quando o peixe o aquário olha
não o vemos e ele chora
ele muda e respira doutra forma
e nos olha de volta quando escolhe
e quando nos olha submerso
emerge um outro peixe
mais errático, até absorto
quem sabe: enfático? outro peixe
a deslindar o aquário, não o dele
a dizer que as formas são várias
de prisões enclausurantes
nenhuma delas ordinária
embora todas distorçam o de dentro
e digam que o fora
é a prisão do outro lado - lá dentro -
outro peixe aflora
não mais o que é visto agora
- apaziguado no vibramento aquático -
mas o que de dentro para fora
se diz singularmente isento.
não o vemos e ele chora
ele muda e respira doutra forma
e nos olha de volta quando escolhe
e quando nos olha submerso
emerge um outro peixe
mais errático, até absorto
quem sabe: enfático? outro peixe
a deslindar o aquário, não o dele
a dizer que as formas são várias
de prisões enclausurantes
nenhuma delas ordinária
embora todas distorçam o de dentro
e digam que o fora
é a prisão do outro lado - lá dentro -
outro peixe aflora
não mais o que é visto agora
- apaziguado no vibramento aquático -
mas o que de dentro para fora
se diz singularmente isento.
593
pássaro primitivo
não sou eu quem te observa
nem ninguém pra ser teu olho
se teus olhos vêem névoa
os meus vêem teu vôo
ou se o solo fosse abaixo
quando o pouso é estadia
todo o céu envolto em nada
é lugar e moradia.
que pássaro eterno plana
sobre as cabeças dos que te olham?
que retração ilógica emana
da plumagem que não vemos influir
sobre o vôo e te protege o corpo?
que lugar intuitivo ocupas
quando levantas teu sopro ancestral?
quando declamas o ar orgânico...
quando resolves ocupar o teu reinado...
limitas-te num ser completo
e em tua glória és secreto
tão secreto o teu pedido.
nem ninguém pra ser teu olho
se teus olhos vêem névoa
os meus vêem teu vôo
ou se o solo fosse abaixo
quando o pouso é estadia
todo o céu envolto em nada
é lugar e moradia.
que pássaro eterno plana
sobre as cabeças dos que te olham?
que retração ilógica emana
da plumagem que não vemos influir
sobre o vôo e te protege o corpo?
que lugar intuitivo ocupas
quando levantas teu sopro ancestral?
quando declamas o ar orgânico...
quando resolves ocupar o teu reinado...
limitas-te num ser completo
e em tua glória és secreto
tão secreto o teu pedido.
603
amestrado
o que pode encontrar o homem
no vasculhar de uma vida vazia?
o que pode ele objetar? quando lembrarmo-lhe
aquele enígma tão insolúvel
aquela hora tão aguardada e inútil
que num espanto fez seu lance e passou
o que pode encontrar o homem
ao comparar sua vida com outra, repetida?
quando em casa e acoado
estiver esperando pela última hora prometida
afim de poder observar de longe sua herança
e notar que os pássaros comeram o trilho de pão...
onde poderá estar o homem
em cuja história esqueceu-se de si?
e de se seguir.
no vasculhar de uma vida vazia?
o que pode ele objetar? quando lembrarmo-lhe
aquele enígma tão insolúvel
aquela hora tão aguardada e inútil
que num espanto fez seu lance e passou
o que pode encontrar o homem
ao comparar sua vida com outra, repetida?
quando em casa e acoado
estiver esperando pela última hora prometida
afim de poder observar de longe sua herança
e notar que os pássaros comeram o trilho de pão...
onde poderá estar o homem
em cuja história esqueceu-se de si?
e de se seguir.
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