Rogério Brugnera

Rogério Brugnera

n. 1973 BR BR

n. 1973-08-20, São Paulo

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Poemas

16

carvão

Permanece estável e bem negro
num véu de fogueiras escondidas
abnegado à terra - fel difuso
Pomo irrefreado, foracluso
a vã pedra c'alma recolhida
chama o seio bravo à brasa brita
vertida se sabe donde pronde
Pronta chama dela se irrita
o natural espírito é turro
- chama-se então fogo, o dele tudo
595

intangível

Espessa hora fiz do credo que m'agoura
marchando triste pelo prelo d'ouro
Caminho em riste e súbito palmar
d'esmola gris, levanta quando ced'olhar

Não que inexistisse antes que mirado
ou que exalgo perante outros
Pois tal picada riste, reto lavrar
faz das coisas mudas plantas de s'aguar

Seja lá o Inexprimível
e mesmo seja Nada o tal surgido
que ao dobrar curva no intangível
deixa vago o homem e divide o indivíduo
592

Cacaso

"o poeta não se conforma de não conhecer
todas as formas da delicadeza"
é o pedreiro que fala
ô gostosa!
é a funkeira que goza
sai pobreza...
618

oração à nossa senhora dos prazeres

ai dor ai falta
ai prazer que me mata
pede-me a faca
que exala estanque
marcas e marcas

dá-me sussurros
dá-me certezas e ímpetos duros
vira-me pedra água sal
livra-me decerto todo o mal

dá-me tua glória
e faça a ti presente minha história
e ao acalanto matinal de longa estada
longe do mundo sôfrego lento trôpego
deita-me o Belo
pedaço do que quero

espada que se estira
que finca no espaço
corta-me todo deixa-me enfim
esteja liberta e mordaz
falange de aço de espera incapaz
mantenha seu fio
de estaca em mim

destaca-te limpa
prazer que me mata
e afoga-te toda
feito noutro peito

Jasmim

1 118

outono

uma folha se desprende e
cai

adivinha
para
onde
ela
vai
...
603

recito à lusitânia

envolvi teu amor
com Maria Tereza Horta

ao sair, leve consigo Florbela
- só encoste a porta
622

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