Poemas
16carvão
Permanece estável e bem negro
num véu de fogueiras escondidas
abnegado à terra - fel difuso
Pomo irrefreado, foracluso
a vã pedra c'alma recolhida
chama o seio bravo à brasa brita
vertida se sabe donde pronde
Pronta chama dela se irrita
o natural espírito é turro
- chama-se então fogo, o dele tudo
num véu de fogueiras escondidas
abnegado à terra - fel difuso
Pomo irrefreado, foracluso
a vã pedra c'alma recolhida
chama o seio bravo à brasa brita
vertida se sabe donde pronde
Pronta chama dela se irrita
o natural espírito é turro
- chama-se então fogo, o dele tudo
595
intangível
Espessa hora fiz do credo que m'agoura
marchando triste pelo prelo d'ouro
Caminho em riste e súbito palmar
d'esmola gris, levanta quando ced'olhar
Não que inexistisse antes que mirado
ou que exalgo perante outros
Pois tal picada riste, reto lavrar
faz das coisas mudas plantas de s'aguar
Seja lá o Inexprimível
e mesmo seja Nada o tal surgido
que ao dobrar curva no intangível
deixa vago o homem e divide o indivíduo
marchando triste pelo prelo d'ouro
Caminho em riste e súbito palmar
d'esmola gris, levanta quando ced'olhar
Não que inexistisse antes que mirado
ou que exalgo perante outros
Pois tal picada riste, reto lavrar
faz das coisas mudas plantas de s'aguar
Seja lá o Inexprimível
e mesmo seja Nada o tal surgido
que ao dobrar curva no intangível
deixa vago o homem e divide o indivíduo
592
Cacaso
"o poeta não se conforma de não conhecer
todas as formas da delicadeza"
é o pedreiro que fala
ô gostosa!
é a funkeira que goza
sai pobreza...
todas as formas da delicadeza"
é o pedreiro que fala
ô gostosa!
é a funkeira que goza
sai pobreza...
618
oração à nossa senhora dos prazeres
ai dor ai falta
ai prazer que me mata
pede-me a faca
que exala estanque
marcas e marcas
dá-me sussurros
dá-me certezas e ímpetos duros
vira-me pedra água sal
livra-me decerto todo o mal
dá-me tua glória
e faça a ti presente minha história
e ao acalanto matinal de longa estada
longe do mundo sôfrego lento trôpego
deita-me o Belo
pedaço do que quero
espada que se estira
que finca no espaço
corta-me todo deixa-me enfim
esteja liberta e mordaz
falange de aço de espera incapaz
mantenha seu fio
de estaca em mim
destaca-te limpa
prazer que me mata
e afoga-te toda
feito noutro peito
Jasmim
ai prazer que me mata
pede-me a faca
que exala estanque
marcas e marcas
dá-me sussurros
dá-me certezas e ímpetos duros
vira-me pedra água sal
livra-me decerto todo o mal
dá-me tua glória
e faça a ti presente minha história
e ao acalanto matinal de longa estada
longe do mundo sôfrego lento trôpego
deita-me o Belo
pedaço do que quero
espada que se estira
que finca no espaço
corta-me todo deixa-me enfim
esteja liberta e mordaz
falange de aço de espera incapaz
mantenha seu fio
de estaca em mim
destaca-te limpa
prazer que me mata
e afoga-te toda
feito noutro peito
Jasmim
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